Um som à frente do tempo
Quando o Information Society surgiu no começo dos anos 80, poucos imaginavam que aquele grupo de jovens apaixonados por tecnologia, sintetizadores e cultura pop futurista marcaria definitivamente a história da música eletrônica. Misturando synth-pop, techno, industrial e até pitadas de música clássica, o trio — formado originalmente por Kurt Harland, Paul Robb e Jim Cassidy — apresentou ao mundo uma sonoridade ousada, brilhante e extremamente moderna para a época.
A banda nasceu em Minneapolis, mas foi o mundo inteiro que a abraçou. Em plena era analógica, o Information Society se lançou em uma missão quase profética: provar que computadores, amostras digitais e batidas eletrônicas poderiam transmitir emoção tão bem quanto guitarras e baterias tradicionais. E conseguiram.
Com visual futurista, estética marcada por neon e referências constantes a ficção científica, o grupo se destacava não apenas pela música, mas por sua identidade. Eles foram pioneiros no uso de samples de filmes e séries, como Star Trek e Flash Gordon, incorporando essas falas como parte essencial de suas composições — algo revolucionário para a época e que décadas depois se tornaria comum em diversos estilos musicais.
O auge da fama: hits que atravessaram gerações
O álbum Information Society, lançado em 1988, elevou o grupo à categoria de fenômeno global. Canções como What’s On Your Mind (Pure Energy), Repetition e Walking Away dominaram rádios, pistas de dança e programas de TV. No Brasil, o sucesso foi ainda mais estrondoso.
Boa parte disso se deve ao impacto colossal que Running teve nas discotecas brasileiras dos anos 80 e 90. A música se tornou hino de pistas de dança, festas, danceterias e programas de televisão. Para muitos, Running é a essência da época — a trilha sonora de romances adolescentes, noites inesquecíveis e da energia vibrante daquele período.
A banda, aliás, sempre reconheceu o carinho especial do público brasileiro. O país abraçou o Information Society como poucas nações fizeram, transformando-os em ícones permanentes da cena dance-pop.
Um encontro entre tecnologia e emoção
O que fez o Information Society permanecer relevante por tanto tempo foi sua capacidade incomum de unir batidas dançantes com letras melancólicas, filosóficas ou românticas. O clima futurista de suas músicas nunca anulou a sensibilidade presente nas composições.
Canções como How Long, Think e Peace & Love, Inc. revelam um grupo capaz de mesclar diversão, crítica social e introspecção emocional, tudo embalado por bases eletrônicas que convidam o público tanto a dançar quanto a sentir.
Os anos 90, a pausa e a reinvenção
Após o enorme sucesso do final dos anos 80 e início dos 90, o Information Society passou por mudanças internas e desafios criativos. O mercado musical estava em transição, e outros estilos ganhavam força. A banda encontrou dificuldades para se adaptar às demandas da indústria e decidiu pausar suas atividades.
Mas como todo clássico que se recusa a morrer, o Information Society ressurgiu anos depois com força renovada. A partir dos anos 2000, retornaram gradualmente aos palcos, lançaram novos trabalhos e reencontraram fãs antigos — além de conquistar novos públicos curiosos por aquela estética oitentista que nunca deixou de ser cool.
Em 2007, Paul Robb e James Cassidy se reuniram oficialmente, e Kurt Harland voltou como vocalista principal nos anos seguintes. Desde então, o trio vem lançando álbuns com maturidade, mantendo sua essência, mas trazendo nuances atuais. É o caso de discos como Synthesizer (2007), _hello world (2014) e Orders of Magnitude (2016), que reafirmam a banda como referência no synth-pop moderno.
A conexão eterna com o Brasil
Poucas bandas internacionais têm uma história tão forte com o Brasil quanto o Information Society. Sempre recebidos com enorme entusiasmo, seus shows por aqui se transformam em verdadeiras celebrações nostálgicas, repletas de energia e emoção.
O público brasileiro canta cada música como se fosse um hino. E para a banda, essa devoção nunca passou despercebida. Kurt Harland já afirmou diversas vezes que o Brasil tem um dos públicos mais calorosos e fiéis do mundo — algo que reforça o laço afetivo criado há mais de três décadas.
Por que o Information Society ainda encanta?
Mesmo em uma era dominada por algoritmos, streamings e músicas instantâneas, o Information Society continua sendo lembrado, ouvido e celebrado. E a razão é simples: suas músicas carregam sentimentos universais.
Há nostalgia, alegria, romance, curiosidade tecnológica e um toque de rebeldia futurista que parece sempre atual. Para quem viveu os anos 80 e 90, ouvir Information Society é voltar no tempo. Para quem os descobre hoje, é encontrar uma sonoridade fresca, dançante e surpreendentemente moderna.
Um legado que permanece puro “ENERGY”
O Information Society não foi apenas uma banda da moda — foi um marco cultural. Suas músicas moldaram a estética eletrônica moderna e provaram que tecnologia e emoção podem caminhar juntas.
Décadas depois de seu auge, eles continuam fazendo aquilo que sempre fizeram de melhor: unir gerações através do som. Do neon dos anos 80 ao brilho das telas digitais de hoje, o Information Society segue sendo um símbolo de inovação, criatividade e energia inesgotável.
E assim, entre sintetizadores vibrantes e vocais inesquecíveis, uma verdade permanece: o Information Society não é apenas uma banda. É uma experiência — e continua, para sempre, encantando corações ao redor do mundo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário