Jerry Lewis não foi apenas um comediante. Ele foi uma força criativa daquelas que aparecem raríssimas vezes na história do cinema. Com sua energia elétrica, expressões exageradas e timing cômico impecável, Lewis criou um estilo de humor que atravessou gerações, conquistando plateias pelo mundo e transformando-se em um dos maiores ícones da comédia moderna.
Nascido Joseph Levitch, em 1926, em uma família de artistas vaudeville, Jerry Lewis cresceu literalmente nos bastidores. O palco sempre foi seu habitat natural. Ainda jovem, começou a apresentar pequenos números cômicos, onde já surgiam as primeiras características de seu humor: o corpo elástico, as caras e bocas, a voz infantilizada e, sobretudo, a capacidade de transformar qualquer situação em caos hilariante.
Mas o verdadeiro salto de sua carreira aconteceu quando ele encontrou um parceiro improvável e genial: Dean Martin. A dupla Martin & Lewis se tornou uma explosão de sucesso nos anos 1940 e 50. Enquanto Martin era o galã elegante, com postura impecável e voz envolvente, Lewis era a tempestade cômica, um “menino travesso” adulto que se jogava no palco com liberdade total. Essa química perfeita levou os dois a se tornarem uma das maiores duplas cômicas da história americana.
A parceria abriu portas para o cinema, e logo Jerry Lewis brilhou em Hollywood com a mesma força com que incendiava as apresentações ao vivo. Seus filmes com Martin eram garantia de bilheteria, mas o melhor ainda estava por vir.
O Artista Completo e o Legado Imortal
Após o fim da dupla com Dean Martin, Jerry Lewis iniciou a fase mais fértil, ousada e inventiva de sua carreira: sua jornada como ator, roteirista, diretor e produtor. E foi justamente aí que ele se revelou um verdadeiro gênio criativo. Lewis não apenas atuava; ele reinventava o humor, experimentava técnicas, criava tendências e expandia os limites do cinema cômico.
Um marco absoluto foi “O Professor Aloprado” (1963), sua obra-prima. Lewis não só dirigiu o filme como interpretou dois personagens completamente diferentes: o tímido e atrapalhado Julius Kelp e o arrogante Buddy Love. A performance dupla revelou sua versatilidade e sua capacidade de dominar tanto o humor físico quanto a crítica social. O filme influenciou gerações de comediantes e cineastas, e até hoje é considerado uma aula de humor e direção.
Outro ponto marcante de sua carreira foi sua inovação tecnológica. Jerry Lewis foi pioneiro no uso do monitor de vídeo durante as filmagens, permitindo que o diretor visualizasse a cena imediatamente após gravá-la – algo revolucionário na época e que hoje é padrão na indústria cinematográfica.
Além do cinema, Lewis também ficou conhecido por seu trabalho humanitário. Seu tradicional “Teleton”, transmitido anualmente por décadas, arrecadou milhões para ajudar crianças com distrofia muscular, reforçando seu lado solidário e sua preocupação genuína com o próximo.
Mesmo com o passar dos anos, Jerry Lewis nunca deixou de ser relevante. Seus filmes continuaram sendo exibidos, estudados e admirados. Sua influência ecoou em artistas como Jim Carrey, Eddie Murphy, Robin Williams e tantos outros que beberam diretamente da fonte do humor físico, expressivo e espontâneo.
Jerry Lewis nos deixou em 2017, mas seu legado permanece vivo. Ele foi – e sempre será – o astro mais engraçado do cinema, um artista completo e uma mente brilhante que transformou a comédia em arte. Sua genialidade continua encantando quem o descobre pela primeira vez e emocionando quem cresceu com suas risadas inconfundíveis. Uma verdadeira lenda eterna da sétima arte.

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