sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

A Queda de um Gigante: Por que o Varejista Paes Mendonça Foi à Falência

Durante décadas, o nome Paes Mendonça foi sinônimo de grandeza no varejo brasileiro. Uma marca forte, presente em vários estados, que ajudou a moldar o conceito moderno de supermercado no país — especialmente no Nordeste. Mas, como muitos impérios erguidos sobre crescimento veloz e estruturas frágeis, o gigante caiu. E sua queda foi tão estrondosa quanto sua ascensão.

Fundado por Mamede Paes Mendonça, um empreendedor sergipano que vislumbrou, ainda nos anos 1950, o potencial do autosserviço, o grupo rapidamente se tornou pioneiro. A inovação das lojas amplas, com prateleiras acessíveis ao consumidor, mudou o jeito de comprar em Salvador, Aracaju e, mais tarde, em diversas capitais brasileiras.
O sucesso foi imediato. No auge, a rede chegou a operar mais de 150 lojas, distribuídas pelo Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, tornando-se uma das maiores do país. Entretanto, o modelo de crescimento acelerado começaria a mostrar rachaduras ainda nos anos 1990.

A expansão desenfreada exigia investimentos altos, logística robusta e grande capacidade de gestão — pontos que a empresa não conseguiu sustentar. Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro começava a sofrer transformações profundas: chegada de novos players, profissionalização do setor, aumento da concorrência e a necessidade de processos cada vez mais eficientes.

Foi nesse cenário que o Paes Mendonça começou a tropeçar.

A crise se instalou de forma silenciosa. Primeiro vieram os sinais nos bastidores: atrasos a fornecedores, problemas de abastecimento e queda na atratividade das lojas. Depois, a situação se escancarou. A empresa acumulava dívidas de proporções gigantescas: débitos fiscais superiores a R$ 70 milhões, pendências trabalhistas e uma série de compromissos financeiros que ultrapassavam o valor do seu próprio patrimônio. Falta de capital de giro passou a ser rotina.

A instabilidade financeira era agravada por problemas de gestão e conflitos internos, especialmente disputas familiares sobre o rumo da companhia. Decisões estratégicas mal calculadas — como investimentos em regiões que não retornaram o esperado e a dificuldade de modernizar processos — tornaram o cenário ainda mais crítico.

Sem fôlego para se reerguer, o grupo começou a negociar sua sobrevivência. Em 1999, veio o desfecho: a rede foi arrendada pelo Grupo Pão de Açúcar, que assumiu as operações, converteu as lojas para suas bandeiras e, na prática, selou o fim da marca Paes Mendonça no varejo.

A antiga gigante não desapareceu apenas como empresa — sumiu também como identidade. Suas lojas foram rebatizadas, seus funcionários redistribuídos e sua memória se tornou parte da história do varejo brasileiro.

Ainda assim, o legado permanece. Paes Mendonça introduziu modernidade a um mercado até então artesanal, formou profissionais, impulsionou o varejo no Nordeste e marcou gerações. Sua ascensão e queda servem como alerta para o setor: nenhum império comercial resiste a dívidas altas, gestão frágil e expansão desordenada.

Hoje, o nome Paes Mendonça vive na lembrança de quem caminhou por suas lojas e testemunhou uma época em que o supermercado era mais do que um lugar de compras — era um símbolo de progresso.

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