Marta Suplicy, psicóloga e política nascida em 1945, construiu uma das trajetórias mais marcantes da vida pública brasileira. Primeira prefeita de São Paulo eleita pelo Partido dos Trabalhadores (PT), em 2000, ela deixou um legado de projetos que ainda hoje fazem parte da rotina da capital. Entre as principais marcas de sua gestão estão o Bilhete Único e os Centros Educacionais Unificados (CEUs).
Da Constituinte à Prefeitura
Antes de chegar ao comando da maior cidade do país, Marta já tinha experiência política. Foi deputada federal constituinte, entre 1987 e 1995, participando ativamente da elaboração da Constituição de 1988. Também consolidou sua imagem na televisão, como apresentadora de programas de comportamento e sexualidade, o que a aproximou de temas ligados à vida cotidiana e à defesa de direitos.
Em 2000, derrotou Paulo Maluf no segundo turno e assumiu a Prefeitura de São Paulo. A cidade enfrentava problemas crônicos de mobilidade, déficit habitacional e carência de serviços públicos nas periferias. Marta prometia mudanças.
Bilhete Único: revolução no transporte
Em 2004, no último ano de sua gestão, foi implantado o Bilhete Único, sistema que permitia ao usuário usar mais de um ônibus em um período de tempo pagando apenas uma tarifa. A medida facilitou o deslocamento, reduziu gastos para trabalhadores e estudantes e tornou-se modelo para outras cidades brasileiras.
“O Bilhete Único mudou a lógica do transporte público em São Paulo. Foi um divisor de águas para quem vive longe do centro”, avaliou à época o urbanista Cândido Malta Campos.
CEUs: educação e cultura nas periferias
Outro projeto emblemático foi a criação dos CEUs – Centros Educacionais Unificados. Instalações amplas, com escolas, bibliotecas, teatros, piscinas e quadras esportivas, foram erguidas em regiões carentes. O objetivo era levar educação, cultura e lazer de qualidade para bairros periféricos.
Os CEUs se tornaram referência nacional e até hoje são utilizados como exemplo de política pública voltada à inclusão social.
Outras ações
Além dos projetos mais lembrados, a gestão de Marta também investiu em corredores exclusivos de ônibus, urbanização de favelas e construção de moradias populares. No campo da cultura, incentivou programas comunitários e ampliou o acesso a atividades artísticas.
Apesar dos avanços, sua administração sofreu críticas por aumento de impostos e pela percepção de falhas na zeladoria da cidade. Em 2004, Marta tentou a reeleição, mas perdeu para José Serra (PSDB).
Carreira após a Prefeitura
Depois de deixar o cargo, Marta seguiu na política. Foi ministra do Turismo no governo Lula e ministra da Cultura no governo Dilma Rousseff. Em 2015, rompeu com o PT e filiou-se ao MDB, reforçando sua imagem de figura independente no cenário político.
Legado
Com altos e baixos, Marta Suplicy é lembrada como uma prefeita que priorizou inclusão social e deixou marcas duradouras. O Bilhete Único e os CEUs seguem presentes no dia a dia da população paulistana, símbolos de uma gestão que apostou na transformação da cidade por meio da mobilidade e da educação.

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