Muito além das pistas, o tricampeão mundial cultivou uma relação intensa com carros de rua — escolhidos não apenas pela performance, mas pela engenharia, inovação e prazer ao volante.
Paixão por engenharia e precisão
Ayrton Senna da Silva é lembrado como um dos maiores pilotos da história da Fórmula 1, mas sua paixão por automóveis não terminava quando o capacete era guardado. Fora das pistas, Senna mantinha uma garagem que refletia sua personalidade: exigente, técnica e avessa a excessos. Diferentemente de outros astros do automobilismo, ele não colecionava carros por ostentação, mas por admiração à engenharia e ao comportamento dinâmico.
Entre os modelos que marcaram sua vida, a Honda NSX ocupa lugar central. Desenvolvido no fim dos anos 1980, o superesportivo japonês contou com a participação direta de Senna em sua fase final de ajustes. Insatisfeito com a rigidez do chassi, ele solicitou modificações após testar o carro em Suzuka. O resultado foi um veículo mais equilibrado, que redefiniu o conceito de supercarros ao unir desempenho extremo e confiabilidade. Senna teve ao menos duas unidades do NSX, uma delas na clássica cor vermelha.
Outro carro fortemente associado ao piloto é o Honda Prelude. Discreto, confortável e tecnológico para a época, o modelo era usado por Senna em deslocamentos cotidianos no Brasil. O Prelude representava bem o lado racional do tricampeão: um carro eficiente, confiável e sem exageros, mas com bom desempenho e dirigibilidade refinada.
Ainda no universo Honda, Senna também teve exemplares do Honda Accord, especialmente durante sua permanência na Europa. Eram veículos funcionais, alinhados à imagem de um piloto que valorizava mecânica, durabilidade e eficiência acima do luxo ostensivo.
Apesar da forte ligação com a Honda, Senna também teve carros de outras marcas icônicas. Entre eles, um Mercedes-Benz 190E 2.3-16, esportivo alemão desenvolvido com participação da Cosworth. O modelo era conhecido pelo equilíbrio entre conforto e performance, características que agradavam profundamente ao piloto brasileiro.
Superesportivos, elegância e escolhas pessoais
Na fase em que defendia a McLaren, Ayrton Senna teve contato direto com alguns dos mais desejados carros do mundo, e isso se refletiu em sua garagem. Um dos mais emblemáticos foi o McLaren MP4/6 adaptado para testes, embora não fosse um carro de rua convencional. Ainda assim, reforça o quanto Senna estava sempre envolvido tecnicamente com máquinas de alta performance.
No universo dos esportivos de rua, Senna também teve um Porsche 911, símbolo máximo da engenharia alemã. O modelo era admirado pelo piloto pela precisão mecânica e pelo comportamento exigente, que “punia erros”, algo que Senna respeitava e valorizava como instrumento de aprendizado constante.
Outro nome frequentemente citado é o Ferrari 348 TB, que teria passado por sua garagem no início dos anos 1990. Apesar de nunca ter mantido uma relação próxima com a marca italiana, Senna admirava o DNA esportivo da Ferrari e não escondia sua curiosidade por modelos que representavam o ápice da performance automotiva da época.
Já no Brasil, além dos Honda, Senna também teve carros mais discretos, usados em sua rotina longe dos autódromos. Ele evitava chamar atenção e, sempre que possível, optava por veículos confortáveis e seguros. A escolha dos carros refletia seu estilo de vida reservado, focado no treinamento físico, na fé e na preparação mental.
A garagem de Ayrton Senna, assim como sua carreira, nunca foi guiada por vaidade. Cada carro representava uma extensão de sua busca pela perfeição técnica. Não se tratava de colecionismo, mas de conexão: máquinas que respondiam com precisão ao comando do motorista, exigindo respeito, concentração e sensibilidade.
Trinta anos após sua morte, os carros que fizeram parte da vida de Senna ajudam a compreender o homem por trás do mito. Um piloto que não se impressionava apenas pela velocidade, mas pela harmonia entre homem e máquina — dentro ou fora das pistas.



Nenhum comentário:
Postar um comentário