quarta-feira, 23 de setembro de 2026

DA AMAZÔNIA AO ALASCA: VAN DA VAN ENCARA A PAN-AMERICANA EM UMA JORNADA SOLO

 Vanessa Lourenço transforma uma van construída por ela mesma em casa, escritório e companheira de uma das maiores aventuras rodoviárias pelas Américas


Viajar pelas Américas já seria, por si só, uma aventura capaz de mudar uma vida. Fazer isso sozinha, dentro de um motorhome construído pelas próprias mãos e atravessando milhares de quilômetros entre diferentes países, transforma a viagem em uma verdadeira expedição.

É exatamente essa experiência que Vanessa Lourenço, conhecida como “Van da Van”, vem protagonizando.

Natural de Campinas, em São Paulo, a antropóloga decidiu colocar na estrada um projeto que começou muito antes de cruzar fronteiras. A própria Vanessa participou da transformação de uma van comprada no Pará em um motorhome, trabalhando em áreas como elétrica, hidráulica e marcenaria, mesmo sem experiência anterior nessas atividades.

O veículo deixou de ser apenas um meio de transporte. Passou a ser sua casa, seu espaço de trabalho e, principalmente, sua base para uma travessia que conecta diferentes culturas, paisagens e condições de estrada.

A primeira grande meta era o norte do continente.

O Alasca.

E essa meta foi alcançada.

UMA VIAGEM QUE COMEÇOU MUITO ANTES DA ESTRADA

Antes de colocar o motorhome na estrada, Vanessa passou anos conciliando sua rotina profissional com a construção do veículo.

O projeto avançava principalmente nos fins de semana, até que uma mudança de perspectiva fez com que ela decidisse parar de esperar pelo momento perfeito.

A pergunta passou a ser outra: por quanto tempo ainda seria possível adiar o sonho?

Foi então que a van ganhou estrada.

A jornada pelas Américas começou em território brasileiro e avançou progressivamente para outros países. Em abril de 2026, quando ainda estava na América Central, Vanessa já havia percorrido mais de 12 mil quilômetros sozinha. Naquele momento, seu objetivo declarado era chegar ao Alasca antes do inverno.

O percurso incluiu regiões de diferentes características geográficas e culturais, além de situações que exigiram planejamento, adaptação e muita autonomia.

Houve inclusive trechos em que o motorhome precisou ser transportado por navio, além de passagens por regiões isoladas e de acesso complicado.

Cada fronteira representava uma nova etapa.

Cada quilômetro acrescentava uma nova história.

O ALASCA COMO PRIMEIRA GRANDE CONQUISTA

Chegar ao Alasca significava completar a primeira grande metade simbólica do projeto.

Para Vanessa, porém, alcançar o extremo norte não representa o fim da viagem.

Muito pelo contrário.

A chegada ao Alasca abre agora uma nova fase: voltar para o sul do continente e seguir até Ushuaia, na Argentina.

É justamente nesse sentido que a aventura ganha uma dimensão ainda maior.

A proposta está relacionada à travessia da Rodovia Pan-Americana, sistema de estradas que conecta grande parte do continente americano em um dos mais impressionantes percursos rodoviários do planeta.

O trajeto não é uma única estrada contínua e perfeitamente delimitada em todos os países. Ele é formado por diferentes rodovias e trechos que, juntos, possibilitam a ligação terrestre entre regiões muito distantes das Américas.

Entre seus extremos mais conhecidos estão o Alasca, ao norte, e Ushuaia, na Terra do Fogo, ao sul.

Para quem vive a chamada vanlife, percorrer esse eixo continental representa muito mais do que acumular quilômetros no hodômetro.

É conhecer o continente em escala humana.

É atravessar fronteiras.

É mudar de clima.

É sair de paisagens tropicais para regiões montanhosas e, posteriormente, enfrentar ambientes cada vez mais frios e extremos.

DO NORTE AO FIM DO MUNDO

Agora, o sentido da viagem muda.

Se a primeira parte foi marcada pelo avanço rumo ao norte, a segunda será uma longa descida pelo continente.

O destino final está a milhares de quilômetros de distância.

Ushuaia, na Argentina.

Conhecida mundialmente pelo apelido de “Fim do Mundo”, a cidade está localizada na Terra do Fogo e é um dos destinos mais simbólicos para viajantes que percorrem a América do Sul por terra.

Para Vanessa, chegar até lá representará completar uma travessia de proporções continentais.

A estrada deverá levá-la novamente por diferentes países, culturas e paisagens.

O caminho de volta será, na realidade, uma nova viagem.

E talvez ainda mais desafiadora.

UMA CASA SOBRE QUATRO RODAS

Existe um detalhe que torna a aventura de Vanessa particularmente singular: ela não comprou simplesmente um motorhome pronto.

Ela participou da construção do próprio veículo.

A transformação envolveu diferentes áreas técnicas e exigiu aprendizado durante o processo. A experiência foi construída na prática, com a van sendo preparada para funcionar como uma pequena casa sobre rodas.

Dentro dela, estão os recursos necessários para transformar quilômetros de estrada em rotina.

Cozinhar, dormir, trabalhar, organizar equipamentos, planejar a próxima fronteira e cuidar do veículo fazem parte do cotidiano.

A liberdade proporcionada por esse estilo de viagem também vem acompanhada de responsabilidades.

Quando se está sozinha, cada decisão ganha importância.

Uma falha mecânica, uma mudança climática, uma estrada complicada ou uma fronteira podem alterar completamente o planejamento.

Por isso, a autonomia é uma das características fundamentais dessa jornada.

MUITO ALÉM DO TURISMO

A aventura de Van da Van também mostra uma maneira diferente de enxergar uma viagem.

Não se trata apenas de chegar rapidamente a um destino.

O percurso é parte essencial da experiência.

As estradas permitem conhecer cidades que normalmente ficariam fora dos roteiros tradicionais, observar mudanças na paisagem, conversar com moradores e experimentar diferentes culturas.

Ao longo da jornada, Vanessa também registra sua experiência nas redes sociais, compartilhando com o público os acontecimentos da viagem e os lugares encontrados pelo caminho.

Assim, quem acompanha a expedição pode conhecer parte das Américas através das imagens e relatos publicados diretamente da estrada.

UMA MULHER, UMA VAN E UM CONTINENTE

A jornada também chama atenção por ser realizada por uma mulher viajando sozinha.

Viagens de longa distância pelas Américas já foram realizadas anteriormente por casais, famílias e grupos de viajantes. A proposta de Vanessa acrescenta uma característica diferente: enfrentar esse percurso continental em autonomia, tendo como companhia permanente o próprio motorhome.

A estrada, nesse caso, deixa de ser apenas uma ligação entre dois pontos.

Ela passa a ser o próprio destino.

Cada parada oferece uma experiência.

Cada fronteira representa uma mudança.

Cada quilômetro aproxima ou distancia Vanessa de seus objetivos — primeiro o Alasca, agora Ushuaia.

O SEGUNDO CAPÍTULO DA EXPEDIÇÃO

A chegada ao Alasca encerra uma etapa, mas não encerra a história.

Agora começa o caminho de volta.

Do extremo norte das Américas, Vanessa Lourenço pretende conduzir sua van rumo ao sul, atravessando novamente o continente até alcançar a Terra do Fogo.

A imagem é quase cinematográfica: uma brasileira, sozinha, dentro de uma casa sobre rodas, deixando para trás as paisagens do Alasca e iniciando uma longa descida em direção ao extremo sul.

Entre esses dois pontos existe um continente inteiro.

Montanhas.

Florestas.

Desertos.

Grandes cidades.

Pequenas comunidades.

Fronteiras.

Estradas intermináveis.

E milhares de quilômetros.

O desafio agora é transformar toda essa distância em histórias.

O CARIMBO QUE REPRESENTA UMA CONQUISTA

Para quem acompanha a cultura das grandes viagens rodoviárias, os registros de passagem têm um significado especial.

São lembranças físicas de lugares que, muitas vezes, parecem impossíveis de conectar em uma única jornada.

No caso da aventura de Van da Van, a ideia de completar a travessia da Pan-Americana transforma cada parada em parte de uma coleção muito maior.

O Alasca representa o primeiro grande marco.

Ushuaia será o próximo.

Quando finalmente chegar à cidade argentina, a viagem terá conectado dois extremos do continente americano através de uma experiência construída passo a passo.

E, principalmente, quilômetro a quilômetro.

O VERDADEIRO DESTINO É O CAMINHO

Talvez a maior característica dessa aventura seja justamente não saber exatamente tudo o que acontecerá até o destino final.

Estradas mudam.

O clima muda.

Planos precisam ser adaptados.

Novas pessoas aparecem.

Novos lugares surgem.

E é justamente essa imprevisibilidade que faz da viagem uma experiência tão diferente de uma simples viagem turística.

Vanessa saiu de casa com um objetivo.

Construiu o próprio motorhome.

Atravessou fronteiras.

Percorreu milhares de quilômetros.

Chegou à América Central.

Seguiu para o norte.

E alcançou o Alasca.

Agora, coloca novamente a van na estrada.

Só que desta vez o ponteiro aponta para baixo no mapa.

Destino: Ushuaia.

DE ALASCA A USHUAIA

A segunda metade da aventura promete ser tão grandiosa quanto a primeira.

Se o Alasca marcou a conquista do extremo norte, Ushuaia poderá representar a chegada ao extremo sul da expedição.

Entre os dois pontos existe uma das maiores travessias rodoviárias que um viajante pode imaginar.

Vanessa Lourenço decidiu encarar esse desafio sozinha.

Sua van, construída com as próprias mãos, tornou-se sua companheira inseparável.

E a estrada, sua nova rotina.

No final, quando chegar ao extremo sul da América do Sul, provavelmente haverá muito mais do que um destino cumprido.

Haverá uma coleção de países.

Centenas de cidades.

Paisagens inesquecíveis.

Dificuldades superadas.

Pessoas encontradas pelo caminho.

E uma quantidade incontável de quilômetros.

Porque algumas viagens não são feitas simplesmente para chegar.

São feitas para descobrir até onde é possível ir.

E, para Van da Van, a estrada ainda está longe de terminar.

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