quinta-feira, 20 de agosto de 2026

DA CARROÇA À INDÚSTRIA

 A história da Hemmer começou com chucrute e ajudou a construir uma tradição gastronômica em Blumenau

Por trás de uma das marcas mais tradicionais da indústria alimentícia brasileira existe uma história que começou de maneira simples: uma pequena produção de chucrute, uma carroça e a determinação de um imigrante alemão estabelecido em Blumenau, Santa Catarina.

No início do século XX, a região de Blumenau ainda estava profundamente marcada pelos costumes, pela cultura e pelos hábitos alimentares dos imigrantes europeus. Entre as tradições trazidas pelos alemães estava o consumo de alimentos conservados, uma prática que ajudava a garantir comida durante períodos de menor produção agrícola.

Foi nesse ambiente que nasceu a trajetória da Hemmer.

A história começa com Heinrich Hemmer, natural de Hagen, na Alemanha. Ele chegou ao Brasil em 1886, aos 24 anos. Como muitos imigrantes de sua geração, Heinrich precisou construir sua vida praticamente do zero em uma terra distante de sua origem.

Depois de conhecer diferentes regiões do Sul do Brasil, estabeleceu-se em Badenfurt, localidade que fazia parte do município de Blumenau. Ali, começou uma trajetória profissional bastante diversificada.

Antes de se transformar em empresário do setor de alimentos, Heinrich exerceu diferentes ofícios. Trabalhou como professor de língua alemã, foi ferreiro, fabricou balanças decimais e também manteve um tradicional armazém de secos e molhados.

Essa diversidade de atividades revela uma característica importante daquele período: a necessidade de empreender em diferentes áreas para garantir a sobrevivência e o crescimento da família.

O CHUCRUTE QUE VIAJAVA DE CARROÇA

Em 1915, Heinrich Hemmer e sua esposa, Catarina Joenck, deram um passo que mudaria definitivamente a história da família.

O casal iniciou uma pequena indústria de conservas em Badenfurt.

O primeiro produto fabricado foi o chucrute, alimento tradicional da culinária alemã preparado a partir da fermentação do repolho. Para os imigrantes e seus descendentes, o produto carregava não apenas sabor, mas também memória, identidade e tradição.

Naquela época, porém, não havia caminhões refrigerados, grandes centros de distribuição ou redes de supermercados.

A produção era pequena e o transporte era feito de maneira simples.

O chucrute era colocado em carroças e levado até Blumenau para ser comercializado.

A imagem dessa carroça percorrendo as estradas da região ajuda a dimensionar a distância entre aquela pequena iniciativa familiar e a empresa que surgiria décadas depois.

Não havia uma grande fábrica. Não havia uma estrutura industrial sofisticada.

Havia trabalho, conhecimento transmitido pela tradição e a percepção de que os alimentos conservados poderiam conquistar espaço além das mesas das famílias de origem alemã.

DO REPOLHO A UMA VARIEDADE DE CONSERVAS

O sucesso inicial do chucrute abriu caminho para novos produtos.

Com o passar dos anos, a empresa começou a produzir também pepinos em conserva, ampliando seu mercado e diversificando a produção.

A conservação de alimentos tinha uma importância especial naquele período. Antes da popularização da refrigeração doméstica e das modernas cadeias de distribuição, técnicas como fermentação, salga e conservação em recipientes fechados eram fundamentais para aumentar a durabilidade dos alimentos.

A experiência adquirida com o chucrute e os pepinos permitiu que a empresa avançasse para outras possibilidades.

A produção passou a incluir diferentes vegetais e frutas, entre eles abacaxi, pêssego, cenoura e repolho roxo.

A pequena fábrica de Badenfurt começava, assim, a deixar de ser apenas uma iniciativa familiar ligada à culinária dos imigrantes alemães para se transformar em um negócio industrial.

UMA EMPRESA QUE CRESCEU JUNTO COM BLUMENAU

O desenvolvimento da Hemmer acompanhou uma transformação maior que acontecia em Blumenau.

A cidade, formada por uma forte presença de imigrantes europeus e seus descendentes, desenvolvia pouco a pouco uma economia diversificada, na qual pequenas oficinas, comércios e indústrias familiares desempenhavam papel fundamental.

A produção de alimentos fazia parte desse processo.

A Hemmer nasceu justamente nesse ambiente: uma empresa criada a partir de uma necessidade cotidiana, de um conhecimento tradicional e da capacidade de transformar uma receita familiar em produto comercial.

O que começou com chucrute produzido em pequena escala passou a incorporar novos alimentos, novas técnicas e uma estrutura cada vez mais organizada.

Em 1946, a empresa deu outro importante passo em sua trajetória ao ser transformada em Sociedade Anônima.

A mudança representava uma nova etapa administrativa e empresarial.

Aquela pequena indústria iniciada décadas antes por Heinrich e Catarina já havia atravessado diferentes momentos econômicos e sociais e começava uma nova fase de expansão.

MAIS DO QUE UMA MARCA

A trajetória da Hemmer também ajuda a contar uma parte da história da imigração alemã no Brasil.

O chucrute, primeiro produto da empresa, é um exemplo de como hábitos alimentares trazidos pelos imigrantes acabaram incorporados à cultura brasileira.

Em Santa Catarina, especialmente no Vale do Itajaí, a influência alemã pode ser percebida na arquitetura, nas festas, nos costumes, na língua e, naturalmente, na gastronomia.

A comida funcionou como uma espécie de ponte entre passado e presente.

Produtos que originalmente eram preparados para consumo doméstico passaram a ser comercializados e, posteriormente, industrializados em maior escala.

Foi assim que receitas e técnicas tradicionais conseguiram ultrapassar as fronteiras das famílias e chegar a consumidores de diferentes regiões.

DA PRODUÇÃO ARTESANAL À PRESENÇA NACIONAL

A transformação da Hemmer ao longo das décadas mostra como uma empresa pode crescer sem abandonar completamente a identidade que marcou sua origem.

O primeiro chucrute produzido em Badenfurt estava ligado à necessidade de preservar um alimento e manter viva uma tradição culinária.

Com o crescimento da empresa, essa experiência se transformou em conhecimento industrial.

Vieram novos produtos, novas formas de produção e uma estrutura empresarial capaz de atender mercados cada vez maiores.

O caminho percorrido desde 1915 é, portanto, muito mais do que a história de uma fabricante de conservas.

É a história de uma família de imigrantes, de uma cidade em desenvolvimento e de uma tradição gastronômica que encontrou no empreendedorismo uma maneira de sobreviver e se expandir.

UMA CARROÇA, UM REPOLHO E UMA IDEIA

Talvez a melhor maneira de compreender essa história seja voltar ao começo.

Imagine Blumenau há mais de um século.

Uma pequena produção em Badenfurt.

Repolhos transformados em chucrute.

E uma carroça seguindo pelas estradas em direção à cidade para vender o produto.

Era pouco diante do tamanho que a indústria alcançaria no futuro.

Mas era o começo.

A partir daquela produção artesanal, Heinrich Hemmer e Catarina Joenck construíram as bases de uma empresa que atravessaria gerações e se tornaria conhecida no mercado brasileiro.

A história da Hemmer mostra que grandes empresas nem sempre começam com grandes estruturas.

Às vezes, começam com uma receita conhecida, algumas ferramentas, muito trabalho e a coragem de transformar uma tradição em negócio.

De uma pequena indústria de chucrute em Badenfurt para uma marca reconhecida nacionalmente, a trajetória da Hemmer está intimamente ligada à história de Blumenau e à influência dos imigrantes alemães na formação cultural e gastronômica de Santa Catarina.

E tudo começou com um alimento simples: repolho transformado em chucrute e levado de carroça para ser vendido em Blumenau.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

PoPa Artesanal Hot-Dog: quando o cachorro-quente vira experiência gastronômica

 Hot dog gourmet, completamente artesanal e cheio de personalidade. Em São Paulo, onde a gastronomia encontra novas formas de surpreender, o PoPa Artesanal Hot-Dog aposta em uma proposta que transforma um dos lanches mais populares do mundo em uma verdadeira experiência gastronômica.

Localizado na Rua Padre João Manuel, 974, em Cerqueira César, o PoPa Artesanal Hot-Dog surge para quem acredita que cachorro-quente pode ser muito mais do que pão, salsicha e complementos. A proposta é valorizar cada etapa da preparação, com uma pegada artesanal e atenção aos detalhes.

O clássico que ganhou uma nova identidade

O cachorro-quente faz parte da memória afetiva de milhões de brasileiros. É aquele lanche democrático, presente nas ruas, nas festas, nos encontros de amigos e naqueles momentos em que tudo o que se deseja é comer algo saboroso e reconfortante.

Mas o conceito do PoPa vai além da simplicidade tradicional.

A ideia do hot dog gourmet completamente artesanal é justamente elevar esse clássico a outro patamar, trabalhando sabor, apresentação e qualidade como partes de uma mesma experiência.

No lugar de tratar o cachorro-quente apenas como um lanche rápido, a proposta é fazer com que cada mordida tenha identidade. O pão, os ingredientes, os recheios e os complementos passam a ter importância individual e, ao mesmo tempo, precisam funcionar juntos.

É essa combinação entre familiaridade e criatividade que torna a experiência interessante.

Artesanal do começo ao fim

A palavra “artesanal” não aparece por acaso no conceito da casa. Ela representa uma maneira diferente de enxergar a preparação do hot dog.

Em tempos de produção em massa e sabores cada vez mais padronizados, apostar no artesanal significa recuperar o cuidado com aquilo que chega à mesa. É pensar no produto como um conjunto de ingredientes que precisa conversar entre si.

O resultado é um cachorro-quente pensado para quem gosta de descobrir novos sabores sem abrir mão daquela sensação confortável de comer um bom hot dog.

A proposta também dialoga diretamente com uma tendência que ganhou força nos últimos anos: a transformação de comidas populares em produtos gastronômicos mais elaborados, sem perder sua essência.

O hambúrguer já passou por essa revolução. A pizza também. Agora, o cachorro-quente mostra que pode ocupar o mesmo espaço.

São Paulo como cenário perfeito

Não poderia existir lugar mais apropriado para uma proposta como essa.

São Paulo é uma cidade conhecida pela diversidade gastronômica e pela capacidade de reunir diferentes estilos, culturas e sabores em poucos quilômetros. Em bairros movimentados, restaurantes, bares, cafés e lanchonetes disputam a atenção de um público cada vez mais interessado em experiências.

Cerqueira César faz parte dessa atmosfera.

É nesse cenário urbano, dinâmico e sofisticado que o PoPa Artesanal Hot-Dog apresenta sua versão do clássico cachorro-quente.

A localização na Rua Padre João Manuel coloca a casa em uma região de grande circulação e em meio a uma das áreas mais conhecidas da gastronomia paulistana.

Para quem está passeando pela região, encontrar uma opção rápida não significa necessariamente abrir mão da qualidade. E é justamente aí que entra a proposta do PoPa.

Muito mais do que um lanche

Existe uma diferença importante entre simplesmente matar a fome e aproveitar uma experiência gastronômica.

O hot dog artesanal está inserido nessa segunda categoria.

Ele pode ser um lanche rápido, mas também pode ser o motivo de um encontro entre amigos, uma parada depois de um passeio pela cidade ou simplesmente aquela escolha para quem decidiu experimentar algo diferente.

A graça está justamente nessa versatilidade.

O cachorro-quente continua sendo democrático e descontraído, mas ganha uma apresentação mais elaborada e uma proposta gastronômica capaz de conquistar até quem normalmente não olha para esse clássico com expectativas muito altas.

No PoPa, a ideia é mostrar que ingredientes conhecidos podem ganhar novas possibilidades quando são preparados com criatividade.

O sabor da comida afetiva

A gastronomia contemporânea tem buscado cada vez mais uma conexão com a memória.

Pratos sofisticados podem ser interessantes, mas existe algo especial em uma comida que nos lembra momentos da vida.

O cachorro-quente tem esse poder.

Ele lembra infância, festas, noites de fim de semana, passeios, encontros e aquela sensação de escolher exatamente os ingredientes que vão completar o lanche.

O PoPa Artesanal Hot-Dog trabalha justamente nesse território: entre a nostalgia do cachorro-quente tradicional e a criatividade da gastronomia moderna.

É uma maneira de revisitar um clássico sem abandonar aquilo que o tornou tão querido.

Para descobrir um novo hot dog

Em uma cidade acostumada a novidades gastronômicas, chamar a atenção do público exige personalidade.

E o conceito do PoPa Artesanal Hot-Dog parte de uma ideia simples e poderosa: pegar algo que todo mundo conhece e fazer com que seja percebido de uma maneira diferente.

O resultado é uma proposta que combina informalidade, criatividade e gastronomia.

Porque cachorro-quente pode, sim, ser comida de rua, comida afetiva e também experiência gourmet.

E talvez seja justamente essa mistura que faça do PoPa uma parada interessante para quem gosta de descobrir novos sabores em São Paulo.

PO PA ARTESANAL HOT-DOG

Hot dog gourmet completamente artesanal

📍 Rua Padre João Manuel, 974 – Cerqueira César, São Paulo – SP
CEP 01411-000

Uma experiência para quem acredita que um bom cachorro-quente pode ser muito mais do que um simples lanche.

Por onde anda Sung Kang, o eterno Han de Velozes e Furiosos?

 Durante anos, Sung Kang ficou conhecido mundialmente por um personagem que conquistou uma legião de fãs: Han Lue, o misterioso, tranquilo e apaixonado por carros da franquia Velozes e Furiosos. Com seu jeito reservado, frases marcantes e uma relação quase inseparável com o universo automotivo, Han se tornou um dos personagens mais queridos da série.


Mas, afinal, por onde anda Sung Kang?

A resposta é curiosa: ele continua muito ligado aos carros — talvez mais do que nunca. Aos 54 anos, o ator encontrou uma maneira de transformar a experiência adquirida em Hollywood em novos projetos, especialmente histórias que têm como cenário a cultura automotiva.

E agora ele quer ocupar também o outro lado das câmeras.

Do volante para a direção

Sung Kang está de volta ao universo dos filmes de carros, mas desta vez com um controle muito maior sobre a história.

O ator escreveu, dirigiu, produziu e protagoniza Drifter, longa que mergulha no universo do drifting — modalidade automobilística conhecida pelas derrapagens controladas, pela técnica dos pilotos e por uma cultura que reúne velocidade, criatividade e comunidade.

A produção representa um momento especialmente importante na carreira de Kang.

Depois de interpretar durante anos um personagem que ajudou a transformar a cultura dos carros em fenômeno mundial, ele agora assume a responsabilidade de criar sua própria narrativa.

Em Drifter, o automóvel não aparece apenas como uma máquina de velocidade. O filme aborda a relação entre um homem, os carros e o sentimento de pertencimento encontrado dentro de uma comunidade.

É uma temática que conversa diretamente com a trajetória pessoal e profissional do ator.

A estreia do longa está prevista para o Festival Internacional de Cinema de Toronto, em setembro de 2026, colocando o projeto diante de um dos grandes públicos e mercados cinematográficos do mundo.

Mais do que retornar aos filmes de carros, Kang parece interessado em mostrar que existe uma vida inteira por trás do volante.

Han mudou sua carreira

Quando Sung Kang apareceu como Han, inicialmente em Better Luck Tomorrow e depois no universo de Velozes e Furiosos, dificilmente alguém poderia imaginar a dimensão que o personagem alcançaria.

Han tinha uma característica diferente dos protagonistas tradicionais dos filmes de ação. Ele não precisava ser o mais barulhento da sala. Seu comportamento tranquilo, seu estilo e sua filosofia de vida fizeram com que ele conquistasse espaço entre personagens muito mais explosivos.

E havia, naturalmente, os carros.

Han se tornou uma espécie de símbolo da cultura JDM — especialmente por sua associação com veículos japoneses modificados e pelo famoso Mazda RX-7 VeilSide que marcou sua participação na franquia.

O carro se tornou tão importante quanto o personagem.

A combinação entre Han, automóveis modificados e a estética da cultura tuning ajudou a transformar Sung Kang em uma figura conhecida também fora das salas de cinema.

Ele deixou de ser apenas um ator que interpretava um apaixonado por carros.

Passou a fazer parte da própria cultura automotiva.

Uma relação verdadeira com os automóveis

Existe uma diferença entre um ator interpretar alguém que gosta de carros e realmente desenvolver uma relação com esse universo.

No caso de Sung Kang, essa ligação ultrapassou as telas.

Ao longo dos anos, ele passou a participar de eventos automobilísticos, encontros de carros e iniciativas relacionadas à customização. Também se tornou uma presença conhecida entre entusiastas que acompanham a cultura de veículos modificados.

Essa proximidade ajudou a construir uma imagem que vai muito além de Han.

Kang entende que os carros representam mais do que potência, velocidade ou estética.

Existe uma comunidade em torno deles.

Existem histórias, amizades, criatividade, competição e identidade.

É exatamente esse universo que agora ganha espaço em Drifter.

O ator que virou contador de histórias

A nova fase de Sung Kang revela uma mudança importante em sua carreira.

Durante muito tempo, ele foi reconhecido principalmente como intérprete. Agora, assumir simultaneamente as funções de roteirista, diretor, produtor e protagonista demonstra uma vontade de controlar a história que deseja contar.

É uma evolução natural para um artista que passou décadas trabalhando diante das câmeras.

E existe uma certa ironia nisso tudo.

Sung Kang ficou famoso interpretando Han, um personagem que parecia ter nascido para aquele universo. Agora, anos depois, ele utiliza sua própria experiência para construir histórias que não dependem da franquia que o tornou famoso.

Drifter pode ser visto, portanto, como uma espécie de extensão de sua trajetória.

Não é simplesmente outro filme sobre carros.

É um projeto criado por alguém que conhece de perto a paixão, a estética e a comunidade que existem por trás deles.

E Han? Ele ainda pode voltar

Para os fãs de Velozes e Furiosos, porém, existe uma pergunta inevitável: o que aconteceu com Han?

A história do personagem já passou por algumas das maiores reviravoltas da franquia.

Han chegou a ser dado como morto, voltou às telas graças à cronologia não linear da série e acabou novamente integrado à história principal.

A relação entre Sung Kang e Han também se tornou uma das mais fortes entre ator e personagem dentro da franquia.

E, para alegria dos fãs, Kang continua associado ao próximo capítulo da saga, listado como Fast Forever, previsto para 2028.

Se a produção seguir adiante conforme o planejamento, a possibilidade de vermos novamente o ator no papel que marcou sua carreira mantém viva uma das histórias mais populares entre os admiradores da franquia.

Han, afinal, parece ser daqueles personagens que nunca ficam completamente para trás.

Muito além de Velozes e Furiosos

O mais interessante na trajetória de Sung Kang atualmente é justamente perceber que ele não está tentando fugir de Han.

Pelo contrário.

Ele parece estar usando tudo aquilo que o personagem lhe proporcionou para construir uma nova etapa profissional.

O sucesso de Velozes e Furiosos abriu portas. A paixão pelos carros criou conexões. E a experiência acumulada ao longo de décadas agora permite que Kang conte suas próprias histórias.

Aos 54 anos, ele está em uma posição diferente daquela que ocupava quando apareceu pela primeira vez como Han.

Já não precisa provar que pode interpretar um personagem marcante.

Agora pode experimentar, dirigir, produzir e escolher as histórias que quer colocar na tela.

Um novo capítulo

Sung Kang não desapareceu de Hollywood.

Na verdade, está vivendo uma fase bastante interessante da carreira.

Enquanto muitos atores ficam eternamente associados ao personagem que os consagrou, Kang encontrou uma maneira diferente de lidar com esse legado.

Han continua presente.

Os carros continuam presentes.

Mas agora existe algo novo: a possibilidade de Sung Kang ser reconhecido também como criador de histórias.

Com Drifter, ele retorna ao universo que ajudou a transformar sua imagem internacional, mas desta vez ocupando praticamente todas as posições importantes da produção.

É como se o ator tivesse completado um círculo.

Começou interpretando um personagem apaixonado por carros.

Tornou-se uma referência dentro dessa cultura.

E agora dirige um filme sobre ela.

Para quem cresceu acompanhando Han nas telas, a mensagem é clara: Sung Kang ainda está acelerando — só mudou o lugar de onde está conduzindo.

E, ao que tudo indica, ainda há muita estrada pela frente.

Now We Are Free: a canção cantada em uma língua que ninguém entende — e que emocionou o mundo inteiro

 Quando as primeiras notas de "Now We Are Free" ecoam, é difícil permanecer indiferente. A melodia desperta uma sensação de liberdade, saudade, esperança e despedida ao mesmo tempo. Curiosamente, boa parte dessa emoção nasce de algo inusitado: a música é cantada em uma língua que, na prática, não existe.

Poucas trilhas sonoras conseguiram ultrapassar o próprio filme e se tornar um fenômeno cultural como essa composição, criada para encerrar um dos maiores épicos do cinema moderno. Ela prova que a música consegue transmitir sentimentos profundos mesmo quando não compreendemos uma única palavra.

Uma despedida que entrou para a história

Lançada em 2000 para o filme Gladiador, a música foi composta por Hans Zimmer em parceria com a compositora australiana Lisa Gerrard.

Enquanto Zimmer escreveu a estrutura orquestral, Lisa Gerrard deu vida à parte vocal de uma maneira completamente diferente do convencional.

Ela não escreveu uma letra.

Ela simplesmente cantou.

Mas não em inglês, latim, italiano ou qualquer idioma conhecido.

Uma língua criada pela emoção

Lisa Gerrard utiliza aquilo que chama de "língua do coração".

Durante a gravação, ela improvisou sons, sílabas e fonemas sem seguir regras gramaticais. O resultado parece um idioma antigo, quase sagrado, mas na realidade é uma linguagem intuitiva criada no momento da interpretação.

Não existe tradução oficial porque não existem palavras reais.

Cada sílaba nasce apenas para transmitir emoção.

Segundo a própria cantora, quando canta dessa forma ela não pensa em frases, mas em sentimentos. Sua voz funciona como um instrumento musical, capaz de comunicar tristeza, paz, amor e esperança sem depender do significado das palavras.

Por que nosso cérebro entende uma música sem entender a letra?

A ciência oferece algumas pistas para explicar esse fenômeno.

Nosso cérebro interpreta diversos elementos da voz além das palavras:

intensidade;

ritmo;

pausas;

respiração;

timbre;

melodia.

Esses elementos carregam informações emocionais que conseguimos reconhecer naturalmente.

É exatamente por isso que conseguimos perceber quando alguém está feliz, triste, nervoso ou emocionado mesmo falando um idioma totalmente desconhecido.

Em "Now We Are Free", a ausência de palavras faz com que o ouvinte concentre toda sua atenção na emoção transmitida pela interpretação.

Cada pessoa acaba criando sua própria tradução.

A combinação perfeita entre voz e orquestra

Hans Zimmer construiu uma base orquestral grandiosa, misturando cordas, metais e percussão de forma crescente.

Sobre essa estrutura, a voz de Lisa Gerrard entra quase como uma entidade espiritual.

Não parece uma cantora interpretando uma canção.

Parece uma alma falando diretamente ao espectador.

Essa combinação explica por que a música continua sendo utilizada em cerimônias, homenagens, casamentos, vídeos motivacionais e momentos de despedida mais de duas décadas depois de seu lançamento.

Muito além de Gladiador

Embora tenha nascido para o encerramento de Gladiador, "Now We Are Free" ganhou vida própria.

Ela passou a ser executada em concertos sinfônicos pelo mundo inteiro, tornou-se referência em trilhas sonoras e influenciou diversos compositores que buscaram reproduzir essa mesma sensação de espiritualidade e transcendência.

Mesmo quem nunca assistiu ao filme costuma reconhecer imediatamente sua melodia.

É uma obra que atravessou gerações.

Quando a comunicação acontece sem palavras

Existe uma lição poderosa escondida nessa música.

Muitas pessoas acreditam que comunicar bem significa usar um vocabulário sofisticado ou escolher sempre as palavras perfeitas.

Mas "Now We Are Free" demonstra exatamente o contrário.

Antes das palavras vem a emoção.

Nossa expressão facial, nosso olhar, o tom da voz, a pausa certa e a autenticidade da mensagem costumam comunicar muito mais do que frases cuidadosamente elaboradas.

É por isso que alguns discursos simples mudam vidas, enquanto apresentações tecnicamente impecáveis podem passar despercebidas.

No fim, as pessoas raramente se lembram de cada palavra que ouviram.

Elas se lembram, acima de tudo, daquilo que sentiram.

Talvez seja justamente esse o segredo de "Now We Are Free": ninguém entende o idioma, mas milhões de pessoas entendem perfeitamente a emoção.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

GLÓRIA MENEZES: UMA VIDA DE GLÓRIAS, UM LEGADO PARA SEMPRE

 A despedida de uma das maiores atrizes da televisão brasileira

Por mais de seis décadas, Glória Menezes ajudou a construir a história da dramaturgia nacional. Nesta terça-feira, 18 de agosto, o Brasil se despediu de uma de suas grandes damas. Aos 91 anos, a atriz morreu em casa, no Rio de Janeiro.

A televisão brasileira perdeu uma de suas maiores referências. Glória Menezes morreu nesta terça-feira, aos 91 anos, encerrando uma trajetória artística que atravessou gerações e se confunde com a própria história da televisão no Brasil. A informação foi confirmada à CNN Brasil pela assessoria da atriz. Segundo informações divulgadas, ela morreu em casa, no Rio de Janeiro, por causas naturais.

Durante mais de 60 anos de carreira, Glória interpretou dezenas de personagens, transitou pelo teatro, cinema e televisão e conquistou um lugar definitivo na memória afetiva dos brasileiros.

Não por acaso, tornou-se conhecida como uma das grandes damas da teledramaturgia. Seu talento, sua elegância e sua capacidade de transformar personagens em figuras inesquecíveis fizeram dela uma referência para diferentes gerações de atores.

UMA PIONEIRA DA TELEVISÃO

Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, Glória Menezes recebeu o nome de Nilcedes Soares de Magalhães. Ainda criança, mudou-se com a família para São Paulo, onde começou a desenvolver sua ligação com as artes.

Foi no teatro que deu os primeiros passos profissionais. Depois, chegou à televisão em uma época em que o veículo ainda dava seus primeiros passos no Brasil.

Em 1959, participou de “Um Lugar ao Sol”, da TV Tupi. Poucos anos depois, viveria um dos momentos mais importantes de sua carreira — e da própria história da televisão brasileira.

Em 1963, ao lado de Tarcísio Meira, protagonizou “2-5499 Ocupado”, considerada a primeira novela diária produzida no país. A produção, exibida pela TV Excelsior, marcou uma transformação na maneira como o público brasileiro passou a acompanhar histórias pela televisão.

Glória estava, portanto, no início de uma revolução.

E ajudaria a construir aquilo que, décadas depois, se tornaria uma das maiores indústrias culturais do Brasil: a telenovela.

GLÓRIA E TARCÍSIO: UMA HISTÓRIA QUE ULTRAPASSOU A TELEVISÃO

A carreira de Glória Menezes também ficou profundamente ligada à de Tarcísio Meira.

Os dois formaram um dos casais mais emblemáticos da televisão brasileira, tanto diante das câmeras quanto na vida pessoal. Foram parceiros em inúmeras produções e permaneceram juntos por 59 anos, até a morte de Tarcísio, em 2021.

A parceria artística começou ainda nos primeiros anos da televisão e se transformou em uma das histórias de amor mais conhecidas do meio artístico brasileiro.

Na televisão, os dois estiveram juntos em produções como “Sangue e Areia”, “Irmãos Coragem”, “O Semideus” e “Cavalo de Aço”, entre muitas outras.

Em 1988, chegaram a protagonizar uma produção que levava os próprios nomes no título: “Tarcísio & Glória”, série dirigida por Daniel Filho.

Mas reduzir Glória à parceria com Tarcísio seria injusto.

Ela construiu uma carreira própria, marcada por personagens completamente diferentes entre si e por uma impressionante capacidade de renovação.

PERSONAGENS QUE FICARAM NA MEMÓRIA DO BRASIL

DE HEROÍNAS A VILÃS, GLÓRIA DOMINOU DIFERENTES GÊNEROS

Ao longo da carreira, Glória Menezes interpretou mulheres fortes, frágeis, românticas, engraçadas, sofisticadas e também personagens de personalidade controversa.

Na TV Globo, onde estreou em “Sangue e Areia”, em 1967, sua trajetória ganhou ainda mais projeção. A atriz participou de mais de 40 produções da emissora.

Um de seus grandes momentos veio em “Irmãos Coragem”, novela de 1970 escrita por Janete Clair. Glória interpretou Maria de Lara Barros Coragem e conquistou definitivamente o público brasileiro.

Nas décadas seguintes, mostrou que também tinha enorme talento para a comédia e para personagens mais populares.

Em “Jogo da Vida”, “Guerra dos Sexos” e “Brega & Chique”, explorou seu lado cômico.

Mas foi em “Rainha da Sucata”, em 1990, que surpreendeu novamente o público ao interpretar Laurinha Figueroa, uma personagem que se tornou uma das vilãs mais lembradas da televisão brasileira.

Vieram ainda trabalhos marcantes em “Deus Nos Acuda”, “A Próxima Vítima”, “Torre de Babel”, “O Beijo do Vampiro”, “Senhora do Destino” e “A Favorita”.

Sua última novela foi “Totalmente Demais”, exibida entre 2015 e 2016, na qual interpretou Stelinha, mãe do personagem vivido por Fábio Assunção.

Depois, passou a fazer aparições cada vez mais discretas, mantendo-se distante dos holofotes.

CINEMA, TEATRO E UMA CARREIRA COMPLETA

Embora tenha se tornado um dos maiores nomes da televisão, Glória nunca foi apenas uma atriz de novelas.

Sua carreira também passou pelo cinema. Em 1962, participou de “O Pagador de Promessas”, filme dirigido por Anselmo Duarte que entrou para a história do cinema brasileiro ao conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

No teatro, iniciou sua formação e construiu uma trajetória respeitada antes mesmo de se tornar um rosto conhecido nacionalmente.

Essa versatilidade explica parte da longevidade de sua carreira. Glória não dependia de um único meio ou de um único tipo de personagem.

Ela pertencia àquela geração de artistas que ajudaram a estabelecer os fundamentos da dramaturgia brasileira.

UMA ESTRELA QUE NÃO PRECISAVA DE HOLOFOTES

Nos últimos anos, Glória viveu de maneira mais reservada, próxima da família. Depois da morte de Tarcísio Meira, em 2021, passou a ter uma vida ainda mais discreta.

Sua última atuação em novela foi em “Totalmente Demais”, mas sua presença continuou viva nas reprises, nas plataformas digitais, nas homenagens e, principalmente, na lembrança do público.

Em 2025, ao completar 91 anos, Glória ainda era lembrada por sua contribuição à televisão e por personagens que permaneciam presentes no imaginário brasileiro.

Hoje, sua partida encerra fisicamente uma trajetória. Mas não encerra sua história.

O BRASIL SE DESPEDE DE GLÓRIA

Glória Menezes pertence a uma geração de artistas que não apenas trabalharam na televisão — eles ajudaram a inventar a televisão brasileira.

Quando as novelas ainda estavam descobrindo seu formato, ela estava lá.

Quando o público começou a transformar atores em grandes estrelas nacionais, ela estava lá.

Quando a dramaturgia brasileira passou a conquistar milhões de espectadores diariamente, ela também estava lá.

Sua carreira atravessou mudanças tecnológicas, transformações culturais e diferentes gerações de autores, diretores e atores.

E Glória permaneceu.

Com elegância, talento e uma capacidade rara de fazer o público acreditar em cada personagem.

Hoje, aos 91 anos, ela deixa os palcos e as telas.

Mas deixa também algo muito maior: uma coleção de personagens, histórias e emoções que continuarão sendo revisitadas por quem assistiu à televisão brasileira nas últimas seis décadas.

Glória Menezes se despede da vida.
A personagem que ela escreveu na história da cultura brasileira, porém, jamais terá um último capítulo.

Glória Menezes
1934 — 2026

Uma vida dedicada à arte. Uma carreira dedicada ao Brasil. Um legado para sempre.