quinta-feira, 5 de novembro de 2026

OS PREFEITOS DE SÃO PAULO E AS PIORES AVALIAÇÕES DE POPULARIDADE: O QUE DIZEM AS PESQUISAS?

 Rejeição, crises políticas, promessas não cumpridas e disputas eleitorais ajudam a explicar por que algumas administrações municipais entraram para o debate público como exemplos de desgaste político. Mas existe uma diferença fundamental entre ser considerado um dos piores prefeitos e, de fato, registrar a pior aprovação da história.


Popularidade em queda: quando as pesquisas se tornam um retrato da gestão

Administrar a cidade de São Paulo é uma das tarefas mais complexas da política brasileira. Com milhões de habitantes, uma economia de dimensões gigantescas e desafios que vão do transporte público à habitação, passando pela saúde, segurança urbana, educação e zeladoria, a capital paulista impõe aos seus prefeitos uma cobrança permanente. Nesse cenário, a popularidade de um governante pode mudar rapidamente, sobretudo quando as promessas de campanha encontram dificuldades para se transformar em resultados concretos.

Ao longo das últimas décadas, diferentes prefeitos paulistanos enfrentaram períodos de forte rejeição popular. Alguns ficaram associados a crises políticas e denúncias de corrupção; outros sofreram com dificuldades de execução de políticas públicas, conflitos com setores da sociedade e decisões que contrariaram expectativas de seus eleitores. A comparação entre essas administrações, porém, exige cuidado: pesquisas realizadas em anos diferentes utilizaram metodologias, perguntas e critérios distintos, e uma avaliação negativa em determinado momento não significa necessariamente que aquele prefeito tenha registrado a pior aprovação de toda a história da cidade.

Para compreender esse fenômeno, é necessário separar três indicadores que frequentemente aparecem misturados no debate político. A aprovação mede a parcela dos entrevistados que avalia positivamente uma administração, conforme a pergunta formulada pelo instituto. A reprovação ou avaliação negativa reúne aqueles que classificam a gestão de maneira desfavorável. Já a rejeição eleitoral pode se referir à parcela do eleitorado que declara não votar em determinado candidato. Embora relacionados, esses números não são equivalentes.

Também é importante distinguir a avaliação de um governo da avaliação pessoal de seu titular. Um prefeito pode enfrentar desgaste por causa de uma crise econômica, de problemas herdados de administrações anteriores ou de acontecimentos que escapam ao seu controle direto. Por outro lado, uma gestão pode manter indicadores econômicos razoáveis e, mesmo assim, sofrer rejeição em razão de decisões impopulares, falhas administrativas ou quebra de compromissos assumidos durante a campanha.

Na capital paulista, nomes como Celso Pitta, Fernando Haddad e João Doria aparecem com frequência nas discussões sobre popularidade e desempenho administrativo. Cada um enfrentou circunstâncias particulares, mas os três ajudam a demonstrar como a confiança da população pode se deteriorar e como os números das pesquisas acabam se tornando instrumentos de disputa política.

Celso Pitta: uma administração marcada por crises e escândalos

Eleito em 1996 para governar São Paulo entre 1997 e 2000, Celso Pitta assumiu a prefeitura após vencer uma disputa eleitoral na qual contou com o apoio político de Paulo Maluf, seu antecessor. Sua chegada ao cargo representava a continuidade de um grupo político que havia mantido forte presença na administração municipal. Entretanto, o mandato acabou marcado por crises que comprometeram profundamente a imagem do prefeito.

Durante sua gestão, São Paulo enfrentou dificuldades financeiras, conflitos administrativos e problemas na relação entre o governo municipal e diferentes setores da sociedade. A administração tornou-se alvo de denúncias e investigações relacionadas à corrupção, incluindo o escândalo conhecido como Máfia dos Fiscais, envolvendo agentes municipais acusados de cobrar propinas para permitir irregularidades em estabelecimentos comerciais e obras. O caso ganhou enorme repercussão e alimentou a percepção de que mecanismos de fiscalização e controle da prefeitura precisavam de mudanças profundas.

Outro episódio de grande repercussão foi o chamado escândalo dos precatórios, relacionado a operações financeiras envolvendo títulos judiciais e suspeitas de irregularidades. A controvérsia integrou um conjunto mais amplo de questionamentos sobre a condução das finanças públicas e a atuação de integrantes da administração municipal. É importante, contudo, distinguir as acusações, as investigações e as responsabilidades individuais comprovadas em cada processo, sem atribuir automaticamente ao prefeito todas as condutas investigadas.

A deterioração da imagem pública de Pitta ocorreu em um ambiente de crescente desconfiança política. As denúncias receberam ampla cobertura da imprensa, enquanto a população acompanhava uma sucessão de controvérsias que enfraqueciam a credibilidade do governo. Em uma cidade na qual a administração precisa responder diariamente a problemas de mobilidade, infraestrutura, saúde e serviços públicos, a percepção de desorganização política pode ampliar ainda mais o desgaste.

Celso Pitta tornou-se, assim, uma das figuras mais associadas às crises administrativas da história recente de São Paulo. Sua passagem pela prefeitura é frequentemente lembrada quando se discutem corrupção municipal, fiscalização de contratos e a importância dos mecanismos de transparência. Ainda assim, para classificá-lo numericamente como o prefeito de menor aprovação de todos os tempos, seria necessário apresentar uma série histórica comparável, com os percentuais, as datas e as metodologias das pesquisas correspondentes.

O caso Pitta também deixou uma lição política importante: a confiança pública é um patrimônio difícil de reconstruir quando uma administração passa a ser identificada, de maneira recorrente, com denúncias e suspeitas. Mesmo quando os processos apresentam diferentes desfechos jurídicos, o desgaste provocado pela sucessão de escândalos pode permanecer na memória coletiva por muitos anos.

Fernando Haddad: desgaste político em meio às manifestações e às disputas urbanas

Fernando Haddad governou São Paulo de 2013 a 2016, após vencer José Serra no segundo turno das eleições municipais de 2012. Sua administração começou em um período de grandes expectativas e enfrentou, poucos meses depois, uma das maiores ondas de mobilização popular da história recente do país: as manifestações de junho de 2013.

Os protestos começaram com a contestação dos aumentos nas tarifas do transporte público, mas rapidamente incorporaram reivindicações mais amplas relacionadas à qualidade dos serviços públicos, aos gastos governamentais, à representação política e à insatisfação com as instituições. A prefeitura de São Paulo esteve diretamente envolvida no debate sobre as tarifas de ônibus, ao lado do governo estadual, responsável pelo sistema de transporte sobre trilhos e por outros serviços metropolitanos.

A decisão de rever os reajustes das tarifas, tomada em conjunto com o governo estadual, demonstrou a força das manifestações e a dificuldade dos governantes em administrar uma crise que ultrapassava os limites de uma única cidade. Haddad passou a enfrentar um ambiente político mais hostil, no qual as redes sociais, a cobertura jornalística e a mobilização popular ampliavam a velocidade com que decisões administrativas eram questionadas.

Além do transporte, a gestão enfrentou controvérsias sobre a política de mobilidade urbana, a implantação de faixas exclusivas para ônibus, a expansão das ciclovias, a redução de velocidades em vias importantes e as medidas de reorganização do espaço urbano. Defensores dessas iniciativas argumentavam que elas buscavam priorizar o transporte coletivo, reduzir acidentes e oferecer alternativas ao automóvel particular. Críticos apontavam dificuldades de implementação, impactos sobre o trânsito e problemas de comunicação com os moradores e comerciantes afetados.

A avaliação da administração também foi influenciada pelas expectativas em áreas como saúde, habitação e manutenção urbana. A execução de metas anunciadas durante a campanha tornou-se tema recorrente de críticas da oposição, enquanto apoiadores destacavam políticas de mobilidade e iniciativas de inclusão social. Como ocorre em grandes cidades, o resultado percebido pela população variava de acordo com a região, o serviço analisado e as prioridades de cada grupo de moradores.

Haddad terminou o mandato em 2016 e disputou a reeleição, mas foi derrotado por João Doria ainda no primeiro turno. O resultado expressou uma mudança significativa no cenário eleitoral paulistano, embora não possa ser explicado exclusivamente pelas pesquisas de aprovação ou por uma única política pública.

Sua gestão continua sendo objeto de avaliações divergentes. Para alguns, representou uma tentativa de reorganizar prioridades urbanas e ampliar o espaço destinado ao transporte coletivo e aos pedestres. Para outros, foi marcada por falhas de execução, dificuldades de zeladoria e metas que não teriam sido cumpridas como prometido. Afirmar que Haddad foi o pior prefeito da história, entretanto, é uma avaliação política, não uma conclusão que possa ser estabelecida sem critérios objetivos e dados históricos comparáveis.

João Doria: a promessa de permanecer e a decisão de sair

João Doria foi eleito prefeito de São Paulo em 2016, após uma campanha marcada pela promessa de eficiência administrativa, renovação política e dedicação integral à cidade. Empresário e apresentador de televisão, ele construiu sua candidatura com a imagem de gestor capaz de aplicar à administração pública métodos associados à iniciativa privada. A vitória no primeiro turno foi interpretada como uma demonstração de força política e de insatisfação de parte do eleitorado com a administração anterior.

Entretanto, a relação com a população passou a enfrentar dificuldades ainda no primeiro ano de governo. Entre os fatores de desgaste estavam as controvérsias em torno de programas municipais, as críticas à execução de serviços urbanos e as divergências sobre iniciativas de reorganização da cidade. A política de combate à pichação e a proposta de utilização de alimentos próximos do vencimento em programas de segurança alimentar, por exemplo, provocaram debates intensos sobre prioridades, comunicação e métodos de gestão.

As pesquisas de avaliação realizadas durante o mandato registraram críticas significativas à administração. Levantamentos divulgados pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ibope, atual Ipsos, constituem referências importantes para analisar a percepção dos paulistanos sobre os serviços públicos e o governo municipal. Para estabelecer com precisão o percentual de avaliação ruim ou péssima atribuído a Doria ao final de seu primeiro ano, porém, é necessário consultar o levantamento original e verificar a data de campo, a amostra e a formulação exata da pergunta. Os percentuais não devem ser tratados como equivalentes entre pesquisas diferentes.

O episódio que mais marcou sua relação com o eleitorado foi a decisão de deixar a prefeitura em abril de 2018 para disputar o governo do estado de São Paulo. Doria havia sido eleito para um mandato municipal de quatro anos, mas permaneceu no cargo por aproximadamente 15 meses antes de renunciar, sendo sucedido pelo vice-prefeito Bruno Covas.

A decisão provocou críticas de adversários e de eleitores que esperavam que o prefeito cumprisse integralmente o compromisso assumido durante a campanha. Para os críticos, a saída precoce demonstrava que o projeto municipal havia sido utilizado como etapa de uma estratégia eleitoral mais ampla. Seus apoiadores, por outro lado, consideravam legítima a candidatura ao governo estadual e defendiam os resultados de sua passagem pela prefeitura.

O caso ilustra um aspecto fundamental da política: a avaliação de um governante não depende somente de obras entregues ou de indicadores administrativos. A confiança também está relacionada à coerência entre discurso e comportamento. Quando um candidato promete permanecer no cargo e depois decide disputar outra eleição, parte do eleitorado pode interpretar a mudança como quebra de compromisso, mesmo que existam argumentos políticos para justificá-la.

Ricardo Nunes: orçamento recorde, zeladoria e cobrança por resultados

A administração de Ricardo Nunes também passou a ocupar espaço importante nas discussões sobre a qualidade dos governos municipais de São Paulo. Vice-prefeito eleito em 2020, Nunes assumiu definitivamente a prefeitura em maio de 2021, após a morte de Bruno Covas. Posteriormente, conquistou um mandato próprio nas eleições municipais de 2024.

Entre os principais temas de debate sobre sua gestão estão a execução do orçamento municipal, a manutenção das vias públicas, a drenagem urbana, a situação das pessoas em situação de rua, a contratação de serviços e a qualidade do atendimento oferecido à população. A dimensão do orçamento da capital torna especialmente intensa a cobrança por resultados: para os moradores, não basta que a prefeitura disponha de recursos expressivos; é necessário que o dinheiro se transforme em serviços acessíveis, obras concluídas e melhorias perceptíveis no cotidiano.

Adversários políticos, entre eles Guilherme Boulos e Tabata Amaral durante a disputa eleitoral de 2024, apresentaram críticas à administração e questionaram prioridades, contratos e resultados em diferentes áreas. A oposição também colocou em debate a contratação de serviços emergenciais e os mecanismos de fiscalização dos gastos públicos. Essas críticas fazem parte da disputa democrática, mas precisam ser examinadas à luz de documentos orçamentários, auditorias, processos administrativos e investigações específicas antes que se possa concluir pela existência de irregularidades.

A avaliação de uma gestão municipal exige distinguir o volume de recursos autorizados, o valor efetivamente empenhado, os pagamentos realizados e os resultados concretos das políticas públicas. Um orçamento elevado não significa automaticamente que todos os recursos foram executados, assim como a existência de contratos sem licitação não comprova, por si só, uma ilegalidade: a legislação prevê hipóteses específicas para contratações diretas, sujeitas a requisitos e controles.

A situação das pessoas em situação de rua também se tornou um dos pontos mais sensíveis do debate. O problema envolve assistência social, saúde mental, dependência química, moradia, geração de renda e articulação entre diferentes níveis de governo. A prefeitura tem responsabilidades relevantes, mas a avaliação de suas políticas deve considerar tanto a dimensão do problema quanto os resultados obtidos pelos programas implantados.

Assim como ocorreu com seus antecessores, a administração de Nunes é avaliada de maneira diferente por grupos políticos e setores da população. Para determinar se sua aprovação está entre as menores da história paulistana, seria necessário comparar pesquisas realizadas em períodos equivalentes, utilizando perguntas e metodologias semelhantes. Críticas de adversários, repercussões nas redes sociais e resultados eleitorais são elementos importantes para compreender o ambiente político, mas não substituem uma série histórica de pesquisas de opinião.

Luiza Erundina e Marta Suplicy: as mulheres que também enfrentaram resistência

A história das prefeitas de São Paulo acrescenta outra dimensão à discussão sobre popularidade e avaliação administrativa. Luiza Erundina governou a cidade entre 1989 e 1992, enquanto Marta Suplicy esteve à frente da prefeitura de 2001 a 2004. Ambas enfrentaram conflitos políticos, dificuldades orçamentárias e críticas relacionadas às prioridades de seus governos, mas deixaram legados que continuam presentes no debate sobre políticas sociais e urbanas.

Luiza Erundina foi eleita pelo Partido dos Trabalhadores em 1988, tornando-se a primeira mulher a governar a capital paulista. Sua administração enfrentou uma conjuntura econômica difícil, marcada pela inflação elevada e por conflitos com setores empresariais, políticos e sindicais. O governo buscou ampliar políticas sociais e iniciativas de habitação popular, com atenção especial à população de baixa renda.

A gestão também enfrentou dificuldades para conciliar a ampliação dos serviços públicos com as limitações financeiras do município. As decisões administrativas provocaram debates sobre prioridades, capacidade de execução e relação com diferentes segmentos da sociedade. Para seus apoiadores, Erundina representou uma experiência de governo comprometida com a inclusão social; para seus críticos, algumas iniciativas encontraram obstáculos de gestão e produziram resultados inferiores às expectativas.

Marta Suplicy, por sua vez, governou São Paulo entre 2001 e 2004. Sua administração ficou associada à expansão de programas sociais, à criação dos Centros Educacionais Unificados, conhecidos como CEUs, e à implantação do Bilhete Único, que facilitou a integração tarifária no transporte coletivo municipal. Essas iniciativas se tornaram referências importantes no debate sobre educação pública, mobilidade urbana e acesso aos serviços da cidade.

O Bilhete Único, implantado em 2004, permitiu integrar viagens de ônibus dentro de um intervalo de tempo mediante o pagamento de uma tarifa, conforme as regras do sistema. A medida alterou a experiência de deslocamento de muitos passageiros e passou a integrar o conjunto de políticas públicas mais lembradas daquele período. Os CEUs, por sua vez, foram concebidos como equipamentos que reúnem atividades educacionais, culturais, esportivas e de convivência comunitária.

Apesar desses projetos, Marta também enfrentou oposição política e questionamentos sobre despesas públicas, execução de obras e prioridades administrativas. Sua derrota na tentativa de reeleição, em 2004, demonstrou que a existência de políticas de grande repercussão não garante automaticamente a continuidade de um governo.

É importante esclarecer que Erundina e Marta foram as duas mulheres eleitas prefeitas de São Paulo até aquele período histórico, mas isso não significa que tenham sido as únicas mulheres a exercer funções de chefia no Executivo municipal em qualquer circunstância. Além disso, a comparação de suas aprovações com as de prefeitos de outras décadas exige cuidado, pois as pesquisas disponíveis, os contextos econômicos e os critérios de avaliação variam significativamente.

Afinal, quem foi o pior prefeito da história de São Paulo?

A pergunta desperta interesse porque combina memória política, experiência cotidiana e disputa eleitoral. Entretanto, não existe uma resposta definitiva sem que sejam estabelecidos critérios objetivos. A pior avaliação de popularidade em uma pesquisa específica não é necessariamente sinônimo da pior administração, assim como um prefeito que termina o mandato com aprovação relativamente elevada pode ter deixado problemas estruturais importantes.

Para construir um ranking historicamente confiável, seria necessário reunir pesquisas de institutos reconhecidos, identificar os menores índices de aprovação registrados por cada prefeito e verificar a metodologia utilizada. Também seria necessário separar avaliações feitas durante o mandato, pesquisas realizadas às vésperas das eleições e levantamentos de avaliação retrospectiva. Comparar diretamente percentuais obtidos por perguntas diferentes pode produzir conclusões equivocadas.

Outro critério possível seria analisar indicadores administrativos: cumprimento de metas, execução orçamentária, qualidade dos serviços, investimentos em infraestrutura, evolução de indicadores sociais, transparência e resultados de auditorias. Esses dados permitiriam uma análise mais ampla, embora também exigissem ponderação, pois os prefeitos governaram em períodos diferentes e enfrentaram condições econômicas e institucionais distintas.

A trajetória de Celso Pitta demonstra como escândalos e crises de credibilidade podem marcar profundamente uma administração. A de Fernando Haddad revela os efeitos de grandes mobilizações populares e de decisões urbanas controversas. João Doria exemplifica como uma mudança de planos políticos pode comprometer a confiança construída durante uma campanha. Ricardo Nunes, por sua vez, mostra como orçamento, zeladoria, assistência social e fiscalização de contratos permanecem no centro das cobranças dirigidas à prefeitura. Já Erundina e Marta ilustram como governos contestados podem, simultaneamente, deixar políticas públicas reconhecidas por diferentes setores da sociedade.

No fim, a pergunta sobre quem foi o pior prefeito de São Paulo não deve ser respondida apenas com base em frases de efeito, acusações partidárias ou números retirados de seu contexto. A avaliação mais consistente depende de evidências verificáveis, comparações justas e análise dos resultados concretos.

A popularidade pode subir ou cair em poucos meses. O legado administrativo, porém, costuma ser avaliado durante décadas. É por isso que pesquisas de opinião são importantes: elas revelam como a população percebe seus governantes em determinado momento, mas precisam ser interpretadas junto com os fatos, os resultados e as circunstâncias de cada gestão.

Mais do que descobrir quem teve a pior aprovação, o desafio é entender por que a confiança dos paulistanos se perdeu em determinados governos — e quais lições essas experiências deixam para o futuro da maior cidade do Brasil.

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Tragédia da Gameleira: 55 anos de uma das maiores catástrofes da construção civil brasileira

 O desabamento de uma estrutura de concreto no canteiro de obras do Parque da Gameleira, em Belo Horizonte, em 4 de fevereiro de 1971, matou dezenas de trabalhadores e deixou marcas profundas na história de Minas Gerais. Uma tragédia cercada por alertas ignorados, falhas na execução da obra e uma longa batalha das famílias por justiça e indenização.


Na hora do almoço de 4 de fevereiro de 1971, Belo Horizonte foi palco de uma das maiores tragédias da história da construção civil brasileira. Uma gigantesca estrutura de concreto armado desabou repentinamente no canteiro de obras do Palácio das Exposições, localizado no Parque da Gameleira, soterrando centenas de trabalhadores que participavam da construção do empreendimento.

A estrutura, estimada em aproximadamente 10 mil toneladas, veio abaixo de uma só vez. O impacto foi devastador. Operários foram atingidos pelos blocos de concreto, ferragens e demais materiais da construção. Muitos morreram imediatamente, enquanto outros ficaram presos sob os escombros, aguardando o trabalho das equipes de resgate.

As estimativas sobre o número de vítimas variam conforme os registros históricos. Algumas fontes apontam aproximadamente 65 mortos, enquanto outras contabilizam 69 trabalhadores mortos. Dezenas de pessoas também ficaram feridas. Mais de 500 operários haviam registrado presença naquele dia, o que demonstra a dimensão humana da tragédia.

O acidente não representou apenas o desmoronamento de uma construção. Foi o fim abrupto de dezenas de vidas, a destruição de famílias inteiras e o início de uma longa discussão sobre responsabilidade, segurança do trabalho e fiscalização de grandes obras públicas no Brasil.

Uma obra grandiosa que terminou em desastre

O Palácio das Exposições da Gameleira era um projeto de grande importância arquitetônica e urbanística para Belo Horizonte. A concepção arquitetônica era de Oscar Niemeyer, um dos mais reconhecidos arquitetos brasileiros, responsável por obras que marcaram a arquitetura moderna nacional e internacional.

O cálculo estrutural estava a cargo do engenheiro Joaquim Cardozo, profissional que também havia trabalhado em importantes projetos arquitetônicos de Niemeyer. A execução da construção era responsabilidade da empresa Sergen, durante o governo de Israel Pinheiro em Minas Gerais.

A proposta era construir um espaço amplo e moderno, destinado à realização de exposições, feiras e grandes eventos. A estrutura de concreto armado deveria representar mais um exemplo da capacidade técnica da engenharia brasileira.

Entretanto, aquilo que deveria ser motivo de orgulho para a cidade acabou se transformando em cenário de uma catástrofe.

As investigações posteriores procuraram esclarecer como uma estrutura daquela dimensão poderia desabar antes mesmo de a obra ser concluída. A análise das condições do canteiro, dos procedimentos de construção e dos materiais utilizados revelou problemas importantes na execução dos serviços.

Os sinais de alerta que não foram levados a sério

Um dos aspectos mais dramáticos da Tragédia da Gameleira está nos relatos de trabalhadores que teriam percebido sinais de que alguma coisa não estava funcionando corretamente.

Operários relataram estalos, rachaduras e movimentações na estrutura. Eram sinais que deveriam ter provocado a interrupção imediata dos trabalhos e uma avaliação técnica rigorosa. No entanto, os alertas não resultaram nas providências necessárias para impedir o desastre.

As perícias apontaram problemas relacionados à execução da obra. Entre os fatores investigados estavam a retirada prematura das escoras que sustentavam a estrutura, o concreto ainda sem resistência suficiente para suportar as cargas previstas e a utilização de materiais que não atenderiam integralmente às especificações técnicas.

Também surgiram questionamentos sobre a velocidade com que a construção estava sendo realizada e a pressão para que o empreendimento fosse concluído antes do encerramento do mandato do governador Israel Pinheiro.

É importante distinguir a concepção arquitetônica e os cálculos estruturais dos procedimentos adotados durante a execução. As conclusões periciais apontaram falhas na construção, e não necessariamente um erro no projeto original.

O episódio tornou-se um exemplo histórico dos riscos de se priorizar prazos e interesses administrativos em detrimento da segurança dos trabalhadores e do cumprimento das normas técnicas.

A batalha das famílias por justiça

Depois do desabamento, além da dor provocada pela perda de pais, filhos, irmãos e maridos, as famílias das vítimas precisaram enfrentar outro desafio: conseguir responsabilização e reparação pelos danos sofridos.

A investigação criminal não resultou em punições relevantes. O processo acabou arquivado, deixando uma sensação de impunidade entre familiares e sobreviventes.

Na esfera civil, a situação também foi marcada pela demora. Durante anos, parentes das vítimas buscaram reconhecimento da responsabilidade do poder público e indenizações pelos prejuízos provocados pela tragédia.

Em muitos casos, a luta judicial atravessou décadas. Famílias que já haviam perdido seus provedores precisaram conviver com processos longos, dificuldades burocráticas e a espera por decisões que reconhecessem seus direitos.

Um dos marcos dessa trajetória ocorreu em 2016, quando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a responsabilidade do Estado de Minas Gerais no caso, reforçando a obrigação de reparação civil relacionada ao acidente.

A decisão representou um avanço importante para as famílias, embora não tenha apagado o sofrimento nem resolvido automaticamente todas as dificuldades enfrentadas pelos envolvidos.

Para muitos parentes, a indenização não era apenas uma questão financeira. Representava também o reconhecimento de que aquelas mortes não poderiam ser tratadas como simples fatalidades ou consequências inevitáveis de uma obra de engenharia.

Tragédia da Gameleira: 55 anos de uma das maiores catástrofes da construção civil brasileira

O desabamento de uma estrutura de concreto no canteiro de obras do Parque da Gameleira, em Belo Horizonte, em 4 de fevereiro de 1971, matou dezenas de trabalhadores e deixou marcas profundas na história de Minas Gerais. Uma tragédia cercada por alertas ignorados, falhas na execução da obra e uma longa batalha das famílias por justiça e indenização.

Na hora do almoço de 4 de fevereiro de 1971, Belo Horizonte foi palco de uma das maiores tragédias da história da construção civil brasileira. Uma gigantesca estrutura de concreto armado desabou repentinamente no canteiro de obras do Palácio das Exposições, localizado no Parque da Gameleira, soterrando centenas de trabalhadores que participavam da construção do empreendimento.

A estrutura, estimada em aproximadamente 10 mil toneladas, veio abaixo de uma só vez. O impacto foi devastador. Operários foram atingidos pelos blocos de concreto, ferragens e demais materiais da construção. Muitos morreram imediatamente, enquanto outros ficaram presos sob os escombros, aguardando o trabalho das equipes de resgate.

As estimativas sobre o número de vítimas variam conforme os registros históricos. O Conselho Nacional de Justiça e registros judiciais mencionam 64 trabalhadores mortos, enquanto outras fontes apontam 65 ou até 69 vítimas fatais. Dezenas de pessoas também ficaram feridas. Mais de 500 operários haviam registrado presença naquele dia, o que demonstra a dimensão humana da tragédia.

O acidente não representou apenas o desmoronamento de uma construção. Foi o fim abrupto de dezenas de vidas, a destruição de famílias inteiras e o início de uma longa discussão sobre responsabilidade, segurança do trabalho e fiscalização de grandes obras públicas no Brasil.

Uma obra grandiosa que terminou em desastre

O Palácio das Exposições da Gameleira era um projeto de grande importância arquitetônica e urbanística para Belo Horizonte. A concepção arquitetônica era de Oscar Niemeyer, um dos mais reconhecidos arquitetos brasileiros, responsável por obras que marcaram a arquitetura moderna nacional e internacional.

O cálculo estrutural estava a cargo do engenheiro Joaquim Cardozo, profissional que também havia trabalhado em importantes projetos arquitetônicos de Niemeyer. A execução da construção era responsabilidade da empresa Sergen, durante o governo de Israel Pinheiro em Minas Gerais.

A proposta era construir um espaço amplo e moderno, destinado à realização de exposições, feiras e grandes eventos. A estrutura de concreto armado deveria representar mais um exemplo da capacidade técnica da engenharia brasileira.

Entretanto, aquilo que deveria ser motivo de orgulho para a cidade acabou se transformando em cenário de uma catástrofe.

As investigações posteriores procuraram esclarecer como uma estrutura daquela dimensão poderia desabar antes mesmo de a obra ser concluída. A análise das condições do canteiro, dos procedimentos de construção e dos materiais utilizados revelou problemas importantes na execução dos serviços.

Os sinais de alerta que não foram levados a sério

Um dos aspectos mais dramáticos da Tragédia da Gameleira está nos relatos de trabalhadores que teriam percebido sinais de que alguma coisa não estava funcionando corretamente.

Operários relataram estalos, rachaduras e movimentações na estrutura. Eram sinais que deveriam ter provocado a interrupção imediata dos trabalhos e uma avaliação técnica rigorosa. No entanto, os alertas não resultaram nas providências necessárias para impedir o desastre.

As perícias e os registros judiciais apontaram problemas relacionados à execução da obra. Entre os fatores investigados estavam a retirada prematura das escoras que sustentavam a estrutura, o concreto ainda sem resistência suficiente para suportar as cargas previstas e questionamentos sobre os materiais empregados.

Também surgiram questionamentos sobre a velocidade com que a construção estava sendo realizada e a pressão para que o empreendimento fosse concluído antes do encerramento do mandato do governador Israel Pinheiro.

É importante distinguir a concepção arquitetônica e os cálculos estruturais dos procedimentos adotados durante a execução. As conclusões e discussões técnicas sobre o acidente apontaram problemas na construção, sem que isso permita atribuir automaticamente ao projeto original a responsabilidade pelo desabamento.

O episódio tornou-se um exemplo histórico dos riscos de se priorizar prazos e interesses administrativos em detrimento da segurança dos trabalhadores e do cumprimento das normas técnicas.

A batalha das famílias por justiça

Depois do desabamento, além da dor provocada pela perda de pais, filhos, irmãos e maridos, as famílias das vítimas precisaram enfrentar outro desafio: conseguir responsabilização e reparação pelos danos sofridos.

A investigação criminal não resultou em punições relevantes. A decisão criminal foi publicada em 1975, mas o episódio permaneceu cercado por questionamentos sobre a responsabilização dos envolvidos.

Na esfera civil, a situação também foi marcada pela demora. Uma ação indenizatória foi ajuizada em 1984, mais de uma década depois do acidente. Em 1998, o governo mineiro aprovou a Lei Estadual nº 12.994, que estabeleceu indenizações para as vítimas e seus familiares.

A legislação previa pagamentos de R$ 5 mil a R$ 10 mil para casos de lesões graves ou permanentes e R$ 15 mil nos casos de morte, valores estabelecidos naquele período.

Em 2004, uma decisão judicial determinou o pagamento de indenizações a familiares e sobreviventes. Dois anos depois, em 2006, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais também condenou o Estado, a construtora Sergen e o órgão responsável pela fiscalização da obra a reparar os danos.

A discussão chegou ao Superior Tribunal de Justiça, que examinou questões relacionadas à responsabilidade civil, à prescrição e aos valores das indenizações. O reconhecimento da responsabilidade do poder público e dos responsáveis pela construção representou um avanço importante, embora não tenha apagado o sofrimento nem resolvido automaticamente todas as dificuldades enfrentadas pelas famílias.

Para muitos parentes, a indenização não era apenas uma questão financeira. Representava também o reconhecimento de que aquelas mortes não poderiam ser tratadas como simples fatalidades ou consequências inevitáveis de uma obra de engenharia.

O que restou da tragédia?

Mais de cinco décadas depois, o cenário da tragédia passou por profundas transformações. O espaço onde ocorreu o desabamento está associado atualmente ao complexo de exposições do Expominas, em Belo Horizonte.

A região tornou-se novamente um importante ponto de realização de feiras, congressos e eventos empresariais. Milhares de pessoas circulam pelo local sem necessariamente conhecer a história dos trabalhadores que perderam a vida naquele mesmo espaço.

Em 2021, quando a tragédia completou 50 anos, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais concedeu ao processo judicial relacionado ao caso o selo Tema Relevante, permitindo que os autos fossem preservados e disponibilizados para consulta de pesquisadores, jornalistas e interessados.

A iniciativa foi importante para manter viva a memória documental de um episódio que marcou profundamente a história da capital mineira.

Uma tragédia que não pode ser esquecida

A Tragédia da Gameleira precisa ser lembrada não apenas pelo tamanho da estrutura que desabou ou pelo número de trabalhadores mortos, mas principalmente pelas vidas interrompidas e pelas famílias que tiveram de conviver com décadas de sofrimento e incerteza.

O episódio deixou uma lição que continua atual: nenhuma obra, por grandiosa ou importante que seja, pode estar acima da segurança humana.

A pressa, a negligência, a falta de fiscalização e o desrespeito aos procedimentos técnicos podem transformar projetos de desenvolvimento em cenários de destruição. Os trabalhadores que estavam naquele canteiro de obras não eram apenas números em relatórios ou estatísticas de acidentes. Eram pessoas que saíram de casa para trabalhar e não tiveram a oportunidade de voltar.

A Gameleira também mostra como a memória de grandes tragédias pode desaparecer com o passar das gerações, especialmente quando suas histórias não são devidamente contadas.

Hoje, 55 anos depois, recordar o 4 de fevereiro de 1971 é prestar homenagem aos trabalhadores mortos, aos sobreviventes e às famílias que nunca desistiram de buscar reconhecimento.

Uma história conhecida em Minas Gerais, mas ainda pouco lembrada em muitas partes do Brasil.

Porque o desenvolvimento de um país não pode ser construído sobre o esquecimento de quem perdeu a vida trabalhando.

Nota editorial: Para precisão histórica, mantive a divergência entre os números de vítimas. O CNJ registra 64 mortos, enquanto documentos judiciais mencionam estimativas de 69. Também ajustei a cronologia das indenizações: houve decisões importantes em 2004 e 2006, além da legislação estadual de 1998. ANOREG/BR +3

DO ZOOLÓGICO AO JOGO DO BICHO: A HISTÓRIA DE UMA APOSTA QUE VIROU TRADIÇÃO NO BRASIL

 Criado no século XIX para salvar financeiramente um zoológico do Rio de Janeiro, o jogo do bicho atravessou governos, proibições e gerações. O que começou como uma estratégia para atrair visitantes acabou se transformando em uma das modalidades de aposta mais populares e controversas do país.


Pouca gente conhece a verdadeira origem do jogo do bicho. Muito antes de se espalhar pelas ruas brasileiras, com seus tradicionais apontadores, talões e tabelas de animais, a modalidade nasceu de uma ideia para salvar financeiramente um jardim zoológico no Rio de Janeiro.

A história começa em Vila Isabel, na então capital do Império, com um empresário chamado João Batista Viana Drummond, conhecido como Barão de Drummond. Em 1888, ele inaugurou um empreendimento que se tornaria pioneiro no país: o primeiro zoológico brasileiro.

O parque foi construído em uma área de Vila Isabel e rapidamente passou a ser uma atração para os moradores da cidade. A proposta era oferecer um espaço de lazer, contato com a natureza e exposição de animais de diferentes espécies.

Entretanto, manter um zoológico não era uma tarefa simples. A alimentação dos animais, os cuidados com os recintos, a manutenção das instalações e o pagamento dos funcionários exigiam recursos constantes.

Inicialmente, o empreendimento contava com apoio financeiro do governo imperial. Com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, esse auxílio foi interrompido, deixando o estabelecimento diante de dificuldades financeiras.

Foi nesse cenário que surgiu uma ideia que mudaria a história das apostas populares no Brasil.

A CRIAÇÃO DE UM JOGO COM 25 ANIMAIS

Em 1890, o zoológico obteve autorização municipal para realizar sorteios como forma de atrair visitantes e arrecadar dinheiro.

A estratégia idealizada pelo Barão de Drummond era relativamente simples. Foram escolhidos 25 animais, cada um associado a um número. As figuras eram utilizadas nos ingressos vendidos ao público.

O visitante comprava sua entrada e recebia uma estampa correspondente a um dos animais. O bicho premiado ficava escondido em uma caixa, suspensa nas proximidades da entrada do zoológico.

No final do dia, a caixa era aberta e revelava qual animal havia sido escolhido. Quem possuísse o ingresso com a figura correspondente recebia um prêmio equivalente a 20 vezes o valor pago pela entrada.

A novidade despertou a curiosidade dos cariocas. Além de visitar os animais, as pessoas passaram a frequentar o parque na expectativa de ganhar o prêmio.

A associação entre números e animais foi o elemento que tornou a brincadeira especialmente popular. Em vez de simplesmente escolher um número, o participante passou a torcer por um bicho, criando uma linguagem que atravessaria gerações.

Há também referências históricas que atribuem parte da inspiração do sistema a Manuel Ismael Zevada, associado a um jogo de flores que teria funcionado na Rua do Ouvidor, no centro do Rio de Janeiro. A influência é mencionada em relatos sobre a origem da modalidade, embora os detalhes dessa contribuição não sejam inteiramente consensuais.

3 DE JULHO DE 1892: NASCIA O JOGO DO BICHO

O primeiro sorteio da história do jogo do bicho aconteceu em um domingo, 3 de julho de 1892. O animal escolhido naquela ocasião foi o avestruz, que passou a ocupar o primeiro lugar na tabela.

A novidade foi um sucesso. Os bondes que seguiam para Vila Isabel ficaram movimentados, e o zoológico recebeu visitantes interessados não apenas em conhecer os animais, mas também em participar do sorteio.

A notícia se espalhou rapidamente pela cidade. Os bilhetes começaram a circular fora dos limites do parque, chegando aos estabelecimentos comerciais e às ruas do centro.

O que havia sido criado como um mecanismo de arrecadação para um zoológico começou a ganhar vida própria.

Comerciantes perceberam o potencial da novidade e passaram a organizar apostas independentes, sem necessariamente depender da entrada no parque. Assim, o jogo deixou de ser apenas uma atração turística e começou a se transformar em uma atividade comercial.

A simplicidade das regras ajudou na expansão. Bastava conhecer os animais, seus números e os resultados divulgados. Mesmo quem não frequentava o zoológico podia participar.

Aos poucos, o jogo do bicho deixou de ser uma brincadeira localizada em Vila Isabel e passou a fazer parte do cotidiano carioca.

A PROIBIÇÃO E A SOBREVIVÊNCIA NAS RUAS

O crescimento do jogo começou a incomodar as autoridades. Em 1895, a Prefeitura do Rio de Janeiro rompeu o contrato que permitia a exploração do zoológico pelo Barão de Drummond e proibiu a realização dos sorteios naquele estabelecimento.

A medida, porém, não conseguiu acabar com a novidade. O jogo já havia ultrapassado os limites do parque e conquistado espaço entre diferentes camadas da população.

Ao longo das décadas seguintes, novas medidas foram adotadas para tentar impedir sua exploração. Em 1910, o poder público reforçou as restrições aos jogos de azar. Em 1941, o Decreto-Lei nº 3.688, conhecido como Lei das Contravenções Penais, estabeleceu expressamente, em seu artigo 58, punições para quem explorasse ou realizasse o jogo do bicho.

Em 1944, o Decreto-Lei nº 6.259 também tratou especificamente da modalidade. Dois anos depois, em 1946, o Decreto-Lei nº 9.215 proibiu a exploração de jogos de azar em todo o território nacional.

Mesmo diante das proibições, o jogo continuou funcionando clandestinamente. Os antigos bilhetes deram lugar a talões, anotações, bancas e redes de apontadores espalhadas pelas cidades.

A modalidade desenvolveu uma estrutura própria, com responsáveis pela coleta das apostas, administradores e pessoas encarregadas de distribuir os resultados.

A popularidade permaneceu justamente pela simplicidade: o apostador escolhe um animal ou uma combinação numérica e aguarda o resultado. A tabela original dos 25 bichos continuou sendo a base de identificação dos grupos.

O ZOOLÓGICO DESAPARECEU, MAS SUA CRIAÇÃO PERMANECEU

Enquanto o jogo conquistava as ruas, o zoológico que lhe deu origem enfrentava dificuldades cada vez maiores.

Depois da morte do Barão de Drummond, em 1897, o empreendimento passou por diferentes administrações e tentativas de recuperação. Houve investimentos em atrações, atividades esportivas e melhorias na estrutura, mas o parque não conseguiu recuperar sua antiga importância.

O zoológico encerrou suas atividades em 1949, embora já estivesse em decadência havia vários anos. O terreno histórico de Vila Isabel acabou sendo transformado em área pública de lazer.

Atualmente, o espaço é conhecido como Parque Recanto do Trovador, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro. O local preserva parte da memória de um empreendimento que marcou a história da cidade e deu origem a uma das mais conhecidas modalidades de aposta popular do Brasil.

É curioso pensar que uma iniciativa criada para manter animais em exposição acabou produzindo uma tradição que sobreviveu ao próprio zoológico.

OS 25 BICHOS E UMA TABELA QUE ATRAVESSOU GERAÇÕES

Uma das características mais interessantes do jogo é a permanência de sua organização numérica.

São 25 grupos, cada um representado por um animal, com quatro dezenas correspondentes. A tabela começa com o avestruz, grupo 1, que reúne as dezenas 01, 02, 03 e 04, e termina com a vaca, grupo 25, correspondente às dezenas 97, 98, 99 e 00.

Entre eles estão animais que se tornaram conhecidos até mesmo por quem nunca participou de uma aposta: águia, burro, borboleta, cachorro, cabra, carneiro, camelo, cobra, elefante, galo, gato, jacaré, leão, macaco, porco, pavão, peru, touro, tigre, urso e veado.

A tabela tornou-se parte da cultura popular brasileira. Os nomes dos animais passaram a aparecer em conversas cotidianas, expressões populares, músicas, histórias e até no imaginário de diferentes gerações.

O avestruz, que inaugurou o primeiro sorteio em 1892, continua ocupando o grupo número 1.

2026: ENTRE A TRADIÇÃO POPULAR E A DISCUSSÃO SOBRE A LEGALIZAÇÃO

Mais de 130 anos depois da primeira extração, o jogo do bicho continua sendo praticado em diversas regiões brasileiras, apesar de sua classificação como contravenção penal.

A discussão sobre sua legalização voltou ao Congresso Nacional por meio do Projeto de Lei nº 2.234/2022, que prevê a regulamentação de cassinos, bingos, apostas em corridas de cavalos e do próprio jogo do bicho.

A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado em junho de 2024, mas ainda depende de votação no Plenário. Em dezembro de 2025, os senadores rejeitaram um pedido de urgência, mantendo a tramitação ordinária. Até a consulta realizada para esta matéria, o projeto continuava sem aprovação definitiva.

Os defensores da proposta argumentam que a regulamentação poderia criar mecanismos de fiscalização, arrecadação de impostos e geração de empregos. Já os críticos apontam preocupações com o vício em jogos, a lavagem de dinheiro e a dificuldade de fiscalizar esse mercado.

Também é importante esclarecer que a existência de loterias estaduais, como na Paraíba, não significa que o tradicional jogo do bicho esteja automaticamente legalizado naquele estado. A exploração dessa modalidade continua submetida à legislação federal.

O debate permanece aberto e envolve questões econômicas, sociais, jurídicas e de segurança pública.

DE UMA CAIXA DE MADEIRA A UMA HISTÓRIA DE MAIS DE UM SÉCULO

A história do jogo do bicho é um retrato curioso de como uma ideia simples pode ultrapassar completamente sua finalidade original.

Em 1892, o Barão de Drummond queria atrair visitantes para seu zoológico e encontrou uma maneira criativa de aumentar a arrecadação. Não poderia imaginar que aquela brincadeira, envolvendo 25 figuras de animais e uma caixa de madeira pendurada perto do portão, se transformaria em um fenômeno nacional.

O zoológico fechou, o Barão morreu, as leis mudaram e diferentes governos tentaram impedir a atividade. Mesmo assim, os 25 animais permaneceram na memória popular.

E tudo começou com um avestruz.

Naquele domingo de julho de 1892, 23 pessoas receberam o prêmio do primeiro sorteio. Mais de um século depois, o animal continua no topo da tabela, lembrando que uma das tradições mais conhecidas do Brasil nasceu não em uma casa de apostas, mas na entrada de um jardim zoológico do Rio de Janeiro.

Fontes para conferência editorial:

* [Biblioteca Nacional – Brasiliana Fotográfica: a origem do jogo do bicho](https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=34903&utm_source=chatgpt.com).

* [Revista Pesquisa FAPESP – Acertei no milhar!](https://revistapesquisa.fapesp.br/acertei-no-milhar/?utm_source=chatgpt.com).

* [Prefeitura do Rio – História do Recanto do Trovador](https://conservacao.prefeitura.rio/voce-sabia/recanto-do-trovador/?utm_source=chatgpt.com).


* [Senado Federal – PL 2.234/2022 e situação da tramitação](https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/154401?utm_source=chatgpt.com).

Nota editorial: a data de encerramento do zoológico aparece com divergências em registros históricos; a Prefeitura do Rio informa fechamento definitivo em 1940, enquanto outras referências mencionam 1949. O texto adota 1949 como referência tradicional, mas recomenda conferir essa cronologia antes da publicação.

JOSEF MENGELE: O MÉDICO NAZISTA QUE FUGIU DA JUSTIÇA E MORREU NO BRASIL

 A história de Josef Mengele é um dos capítulos mais sombrios do período posterior à Segunda Guerra Mundial. Médico alemão e integrante da SS, organização paramilitar do regime nazista, ele ficou conhecido pelo apelido de “Anjo da Morte” devido à sua atuação no campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau, onde participou da seleção de prisioneiros e realizou experiências médicas cruéis, sobretudo em pessoas vulneráveis, incluindo crianças e gêmeos. Responsável por atos associados às atrocidades cometidas pelo regime de Adolf Hitler, Mengele terminou a vida sem ser levado a julgamento, apesar dos esforços internacionais para localizá-lo e responsabilizá-lo.


O destino desse criminoso nazista também está ligado à história da América do Sul. Depois da derrota da Alemanha em 1945, Mengele conseguiu escapar da captura, deixou a Europa e passou por diferentes países até se estabelecer clandestinamente no Brasil. Durante anos, viveu sob identidades falsas e contou com redes de apoio que facilitaram sua permanência longe das autoridades. Sua morte, em 1979, ocorreu no litoral paulista, mas sua identidade só foi confirmada oficialmente anos depois, quando investigações internacionais e exames forenses permitiram esclarecer quem era o homem enterrado sob outro nome.

A trajetória de Mengele revela as dificuldades enfrentadas pelos países aliados para localizar criminosos nazistas depois da guerra, assim como as falhas dos mecanismos de perseguição e responsabilização existentes naquele período. Seu caso tornou-se símbolo da impunidade que marcou a vida de alguns dos responsáveis pelos crimes do Holocausto.

AUSCHWITZ E AS EXPERIÊNCIAS QUE MARCARAM A HISTÓRIA

Josef Mengele nasceu em 16 de março de 1911, na cidade de Günzburg, na Baviera, Alemanha. Proveniente de uma família de industriais, estudou medicina e antropologia e obteve formação acadêmica antes de se aproximar do movimento nazista. Ingressou no Partido Nazista em 1937 e, no ano seguinte, tornou-se membro da SS. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu em unidades militares alemãs e, após ser ferido, foi enviado para Auschwitz, em 1943.

O campo de Auschwitz-Birkenau, localizado na Polônia ocupada pelos nazistas, tornou-se um dos principais centros do sistema de perseguição, deportação, trabalho forçado e assassinato em massa criado pelo regime de Hitler. Mais de um milhão de pessoas foram assassinadas naquele complexo, a maioria judeus. Também foram perseguidos e mortos ciganos, prisioneiros de guerra soviéticos, poloneses e pessoas de outros grupos classificados como inimigos pelo regime nazista.

Foi nesse ambiente que Mengele ganhou notoriedade por sua participação nas seleções de prisioneiros que chegavam ao campo. Ao avaliar os deportados, médicos e oficiais da SS determinavam quem seria encaminhado ao trabalho forçado e quem seria enviado diretamente para a morte. Crianças pequenas, idosos, pessoas doentes e outros prisioneiros considerados incapazes de trabalhar frequentemente eram condenados à morte nas câmaras de gás.

Mengele também se interessava por estudos de genética, hereditariedade e características físicas. Utilizando sua posição no campo, conduziu experiências em prisioneiros sem consentimento, submetendo-os a procedimentos dolorosos, abusivos e, em muitos casos, fatais. Os gêmeos, inclusive crianças, despertavam particular interesse em suas pesquisas, que não respeitavam princípios éticos nem a dignidade humana.

As práticas realizadas sob sua supervisão não devem ser confundidas com pesquisas médicas legítimas. Tratava-se de experimentação coercitiva, praticada em pessoas privadas de liberdade e submetidas à violência sistemática do sistema concentracionário. Os sobreviventes carregaram consequências físicas e psicológicas por toda a vida, enquanto inúmeras vítimas morreram durante os procedimentos ou foram assassinadas após as experiências.

O apelido “Anjo da Morte” passou a ser associado a Mengele por sua atuação nas seleções e por sua participação nos crimes cometidos em Auschwitz. A expressão, embora amplamente conhecida, não deve obscurecer a estrutura que tornou esses atos possíveis: o regime nazista organizou uma política de perseguição racial, deportação e extermínio que envolveu autoridades, militares, funcionários e instituições.

Em janeiro de 1945, diante do avanço das tropas soviéticas, os nazistas começaram a evacuar Auschwitz e outros campos. Mengele deixou o local antes da chegada do Exército Vermelho. A Alemanha nazista capitulou em maio daquele ano, mas a derrota militar não significou que todos os responsáveis pelos crimes fossem imediatamente encontrados ou julgados.

A FUGA PARA A AMÉRICA DO SUL: ARGENTINA, PARAGUAI E BRASIL

Com o fim da guerra, Mengele conseguiu escapar das autoridades e permaneceu durante algum tempo na Alemanha, trabalhando sob uma identidade falsa. A situação mudou quando as investigações sobre os crimes cometidos nos campos de concentração avançaram e seu nome passou a ser associado às atrocidades de Auschwitz. Com apoio financeiro da família, ele deixou a Europa em 1949 e embarcou para a Argentina, utilizando documentos que lhe permitiram iniciar uma nova vida longe das autoridades que o procuravam.

Naquele período, a América do Sul recebeu diversos europeus que fugiam das consequências da guerra, entre eles criminosos nazistas que tentavam evitar a responsabilização por seus atos. As rotas de fuga variavam, e alguns conseguiram se beneficiar de redes de contatos, documentos falsos e dificuldades na comunicação entre as autoridades de diferentes países.

Na Argentina, Mengele viveu durante anos relativamente protegido pelo anonimato. Em 1956, chegou a obter documentos argentinos em seu próprio nome, acreditando que poderia deixar de esconder sua identidade. Entretanto, a pressão judicial aumentou, e as autoridades da Alemanha Ocidental passaram a buscar sua prisão. Em 1959, foi emitido um mandado de captura, e a possibilidade de extradição tornou sua permanência no país mais arriscada.

Mengele mudou-se então para o Paraguai, onde obteve cidadania em 1959. A situação se tornou ainda mais delicada em 1960, quando agentes israelenses capturaram Adolf Eichmann na Argentina. Eichmann, um dos principais organizadores da deportação de judeus para os campos de extermínio, foi levado a julgamento em Israel. A operação demonstrou que antigos dirigentes nazistas poderiam ser encontrados mesmo muitos anos depois do fim do conflito.

Temendo ser o próximo alvo, Mengele deixou o Paraguai e seguiu para o Brasil. A partir de 1960, passou a viver na região de São Paulo, alternando períodos em propriedades rurais e outros locais onde conseguia manter uma rotina discreta. Contou com a ajuda de pessoas que lhe ofereceram abrigo e apoio, enquanto procurava evitar qualquer exposição que pudesse revelar seu verdadeiro nome.

A permanência de Mengele no Brasil durou quase duas décadas. Embora sua localização fosse objeto de suspeitas e investigações internacionais, as autoridades não conseguiram prendê-lo. Sua história demonstra como a combinação de recursos financeiros, redes de proteção e dificuldades investigativas permitiu que um dos criminosos nazistas mais procurados do mundo permanecesse escondido durante décadas.

A MORTE EM BERTIOGA E O FIM DO MISTÉRIO

Em 7 de fevereiro de 1979, Josef Mengele sofreu um acidente vascular cerebral enquanto nadava em uma área de lazer próxima a Bertioga, no litoral de São Paulo. Durante o episódio, afogou-se e morreu aos 67 anos. Naquele momento, sua morte não se tornou imediatamente conhecida pelas autoridades internacionais que ainda tentavam localizá-lo.

O corpo foi enterrado em Embu, na região metropolitana de São Paulo, sob o nome falso de Wolfgang Gerhard. Para o mundo, Mengele continuava sendo um fugitivo cujo paradeiro era desconhecido. A falta de confirmação oficial alimentou anos de especulações sobre a possibilidade de ele ainda estar vivo, escondido em algum lugar da América do Sul ou em outro continente.

A investigação ganhou novo impulso em 1985. Informações encontradas durante diligências na Alemanha indicaram que Mengele poderia ter morrido no Brasil e que seus restos mortais estavam enterrados em um cemitério paulista. As autoridades brasileiras localizaram a sepultura e realizaram a exumação em junho daquele ano.

Especialistas forenses brasileiros, alemães e norte-americanos participaram da análise dos restos mortais. A avaliação de características anatômicas, do esqueleto e da arcada dentária forneceu evidências decisivas para a identificação. Em 1992, exames de DNA confirmaram a conclusão de que os restos mortais pertenciam a Josef Mengele. O caso, que durante décadas alimentou dúvidas e teorias, finalmente teve sua principal questão esclarecida.

A confirmação, porém, não significou justiça criminal. Mengele havia morrido seis anos antes da localização de sua sepultura, e a descoberta não poderia substituí-lo em um tribunal. Diferentemente de outros responsáveis por crimes nazistas que foram julgados após a guerra, ele jamais precisou responder pessoalmente pelas acusações diante de um juiz.

O episódio também mostrou a importância da cooperação internacional e do desenvolvimento das técnicas de identificação forense. Sem a investigação conjunta e a análise científica, a identidade do homem enterrado sob um nome falso poderia ter permanecido incerta por muito mais tempo.

UM LEGADO DE IMPUNIDADE E UMA LIÇÃO PARA A HISTÓRIA

A trajetória de Josef Mengele não pode ser compreendida apenas como a história de um fugitivo que escapou da Europa e morreu no Brasil. Ela está diretamente relacionada ao Holocausto, ao funcionamento do sistema nazista e às dificuldades enfrentadas pela comunidade internacional para responsabilizar todos os envolvidos nos crimes de guerra e contra a humanidade.

Durante décadas, sobreviventes e familiares das vítimas conviveram com a ausência de um julgamento que pudesse expor plenamente os atos de Mengele e estabelecer sua responsabilidade diante da Justiça. A possibilidade de que ele tivesse conseguido reconstruir a própria vida enquanto permanecia impune representava uma fonte de angústia para aqueles que sofreram sob o regime nazista.

A história também evidencia que a formação acadêmica e o conhecimento científico não garantem, por si só, uma conduta ética. Mengele era um médico com formação universitária, mas utilizou sua posição para participar de um sistema que desumanizava pessoas e submetia prisioneiros a procedimentos cruéis. O caso tornou-se um alerta permanente sobre os perigos de colocar a ciência a serviço do racismo, da perseguição e de ideologias que negam a dignidade humana.

A memória de Auschwitz permanece essencial para compreender o alcance dos crimes nazistas. Preservar documentos, ouvir sobreviventes, investigar responsabilidades e ensinar às novas gerações o que ocorreu durante o Holocausto são medidas fundamentais para enfrentar o negacionismo e impedir que as vítimas sejam esquecidas.

Josef Mengele morreu sem ser julgado. Fugiu da Alemanha, viveu na Argentina e no Paraguai e passou seus últimos anos escondido no Brasil. Sua identidade foi confirmada somente depois de sua morte, por meio de uma investigação que atravessou fronteiras e exigiu anos de trabalho.

O desfecho de sua história permanece como um dos exemplos mais conhecidos da dificuldade de levar criminosos nazistas à Justiça após a Segunda Guerra Mundial. A morte encerrou a busca física por Mengele, mas não eliminou a responsabilidade histórica por seus atos. Seu nome continua associado às atrocidades de Auschwitz e à lembrança de que a impunidade de um perpetrador jamais deve apagar o sofrimento das vítimas.

**Fontes históricas para consulta:** Enciclopédia do Holocausto do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos e relatório do Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre a identificação de Josef Mengele.