sábado, 4 de julho de 2026

LEONEL BRIZOLA: 22 ANOS DE SAUDADE DE UM DOS MAIORES LÍDERES POLÍTICOS DO BRASIL

 Em 21 de junho de 2026, completaram-se 22 anos da morte de Leonel Brizola, um dos personagens mais marcantes da história política brasileira. Dono de uma trajetória intensa, marcada por grandes conquistas, enfrentamentos e forte defesa da democracia, Brizola deixou um legado que continua presente no debate político nacional.


Nascido em 22 de janeiro de 1922, em Carazinho, no Rio Grande do Sul, Brizola cresceu em uma família humilde e, desde cedo, desenvolveu interesse pelas questões sociais. Formado em Engenharia, ingressou na política inspirado pelas ideias trabalhistas de Getúlio Vargas e João Goulart, tornando-se um dos principais representantes desse movimento.

Sua ascensão política foi rápida. Foi prefeito de Porto Alegre, deputado estadual, deputado federal e, em 1958, foi eleito governador do Rio Grande do Sul. Durante sua gestão, promoveu uma ampla expansão da rede pública de ensino por meio da construção de milhares de escolas primárias, conhecidas popularmente como "Brizoletas". O objetivo era combater o analfabetismo e garantir que crianças de regiões rurais também tivessem acesso à educação.

Mas foi em 1961 que Brizola entrou definitivamente para a história. Após a renúncia de Jânio Quadros, setores militares tentaram impedir a posse do vice-presidente João Goulart. Como governador gaúcho, Brizola liderou a histórica Campanha da Legalidade, mobilizando militares, políticos e a população em defesa da Constituição. Utilizando a Rádio Guaíba e a chamada Rede da Legalidade, fez pronunciamentos diários que incentivaram a resistência democrática. A mobilização foi decisiva para garantir a posse de Goulart e evitar um conflito de grandes proporções.

Com o golpe militar de 1964, Brizola tornou-se um dos principais opositores do novo regime. Cassado, teve seus direitos políticos suspensos e foi obrigado a deixar o país. Viveu no Uruguai, nos Estados Unidos e em Portugal durante cerca de quinze anos de exílio, mantendo intensa atuação política e denunciando internacionalmente a ditadura brasileira.

O RETORNO AO BRASIL E OS CIEPs

Com a anistia política em 1979, Brizola voltou ao Brasil e reorganizou o movimento trabalhista. Após uma disputa pelo controle da antiga legenda trabalhista, fundou o Partido Democrático Trabalhista, legenda que comandaria por toda a vida.

Em 1982, foi eleito governador do Rio de Janeiro, tornando-se o único político brasileiro eleito pelo voto popular para governar dois estados diferentes.

Sua principal marca no governo fluminense foi a implantação dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), idealizados em parceria com o antropólogo e educador Darcy Ribeiro e projetados pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Os Cieps ofereciam ensino em tempo integral, alimentação, atendimento médico, atividades culturais e esportivas, buscando transformar a escola em um espaço completo de formação para crianças e adolescentes.

Embora o projeto tenha recebido críticas por seu alto custo e enfrentado dificuldades de continuidade em governos posteriores, tornou-se uma das iniciativas educacionais mais conhecidas da história do país e influenciou programas semelhantes em diversas regiões brasileiras.

Brizola também disputou duas eleições presidenciais, em 1989 e 1994. Na primeira, ficou em terceiro lugar, por pequena diferença de votos, em uma das campanhas mais disputadas da história democrática recente.

Conhecido pelo discurso firme, pela personalidade combativa e pela defesa intransigente da soberania nacional, da educação pública e dos direitos sociais, Brizola construiu admiradores e adversários ao longo de sua carreira, mas sempre ocupou posição de destaque no cenário político brasileiro.

Leonel Brizola faleceu em 21 de junho de 2004, aos 82 anos, no Rio de Janeiro, vítima de complicações cardíacas. Sua morte marcou o fim de uma das trajetórias mais influentes da política nacional.

Mais de duas décadas depois, seu nome permanece associado à luta pela democracia, ao fortalecimento da educação pública e ao trabalhismo brasileiro. Independentemente das posições políticas, sua atuação continua sendo estudada por historiadores e cientistas políticos como parte fundamental da história contemporânea do Brasil, mantendo vivo o legado de um líder que marcou gerações e ajudou a moldar os rumos do país.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Saudades Eternas de Nuna

 Há textos que parecem impossíveis de escrever. Não por falta de palavras, mas porque cada frase carrega um pedaço da alma. Este é um deles.


Demorei muito para conseguir colocar tudo isso no papel. Durante dias tentei escrever, apagava, começava novamente, desistia. A dor era maior que qualquer palavra. Mas, ao mesmo tempo, havia algo dentro de mim dizendo que eu precisava contar essa história.

Talvez como forma de homenagear quem fez parte da minha vida. Talvez para aliviar um pouco o peso que carrego no peito. Ou simplesmente porque algumas lembranças merecem ser eternizadas.

Tudo começou muitos anos atrás.

Entre 2018 e 2021 vivemos uma história cheia de momentos inesquecíveis. Como todo relacionamento, tivemos dias maravilhosos, dias difíceis, alegrias, decepções, discussões, reconciliações e muito aprendizado.

É natural.

Duas pessoas de personalidade forte inevitavelmente discordam. Ambos éramos cabeça-dura. Brigávamos, discutíamos, mas também construíamos sonhos, dividíamos responsabilidades e criávamos memórias que jamais poderão ser apagadas pelo tempo.

Foi durante esse período que a Nuna entrou em nossas vidas. (2020)

No início, foi você quem a adotou. Depois, de alguma forma, ela deixou de ser apenas sua e passou a ser nossa. Tornou-se parte da família.

Pouco tempo depois, veio também a Gorda.

Nossa casa ganhou mais vida, mais alegria e mais amor.

Os dias passaram a ter outra rotina. Acordar, cuidar delas, brincar, observar suas manias, rir das travessuras e perceber como cada uma possuía uma personalidade completamente diferente.

A Nuna sempre foi especial.

Inteligente.

Observadora.

Muito ligada às pessoas que conhecia.

Ao mesmo tempo, extremamente desconfiada com quem não fazia parte do seu convívio.

Quando meu mudei para Campina Grande, elas foram junto comigo.

Era impensável deixá-las.

Levei a Nuna.

Levei a Gorda.

Elas enfrentaram comigo uma nova cidade, uma nova casa e uma nova rotina.

Depois veio o retorno para Natal.

Mais uma vez, as duas vieram comigo.

Elas nunca foram um peso.

Sempre foram companhia.

Família.

Durante todos esses anos, procurei cuidar delas da melhor maneira possível.

Veterinário.
Vacinas.

Alimentação.

Carinho.

Atenção.

Tudo aquilo que estava ao meu alcance.

Lembro perfeitamente do dia da castração da Nuna.

Você esteve ao lado dela.

Foi leva-la e buscá-la na clínica.

Ficou preocupada ao vê-la ainda sob efeito da anestesia.

Ela andava cambaleando pela casa, completamente sem equilíbrio, parecendo uma pessoa embriagada.

Foi impossível não rir daquela cena, mesmo sabendo que fazia parte da recuperação.

São lembranças simples e engraçadas.

Mas que hoje têm um valor imenso.

Com o passar do tempo, comecei a perceber algumas mudanças no comportamento da Nuna.

Ela sempre teve um jeito diferente.

Nunca gostou muito de visitas.

Pessoas desconhecidas dentro de casa a deixavam extremamente incomodada.

Era territorial.

Protetora.

Algumas vezes demonstrava agressividade.

Mas nada que parecesse completamente fora do normal.

Até que chegou o dia 13 de junho de 2026.

Jamais esquecerei essa data.

Naquela tarde, uma profissional veio realizar uma limpeza no apartamento.

Tudo aconteceu normalmente.

A Nuna permaneceu inquieta durante boa parte do tempo, como costumava acontecer quando havia pessoas estranhas em casa.

Perto da hora de a moça ir embora, porém, algo mudou completamente.

Foi como se ela tivesse se transformado.

Nunca havia visto aquele comportamento daquela forma.

Ela corria desesperadamente de um lado para o outro.

Rosnava.

Estava extremamente agitada.

Tentei conversar.

Fazer carinho.

Acalmar.

Chamá-la pelo nome.

Nada funcionava.

Recebi vários arranhões tentando impedir que ela se machucasse ou machucasse alguém.

Não me importava comigo.

Minha única preocupação era protegê-la.

A Gorda parecia sem entender o que estava acontecendo.

O ambiente inteiro havia mudado.

Era um momento de completo desespero.

Infelizmente existia uma única janela sem proteção.

A janela da cozinha.

Em um movimento muito rápido, tentando escapar daquele estado de agitação, a Nuna perdeu o equilíbrio.

Não conseguiu alcançar o corredor.

Não conseguiu voltar.

Caiu do sexto andar.

Tudo aconteceu em poucos segundos.

Mas aqueles segundos parecem durar até hoje dentro da minha memória.

Foi perto do primeiro jogo do Brasil, Copa do Mundo.

Enquanto muita gente comemorava o futebol, meu mundo simplesmente desabava.

Entrei em choque.

Não conseguia acreditar.

Nada fazia sentido.

Desci desesperado.

E encontrei a cena que jamais sairá da minha cabeça.

Ver a Nuna sem vida foi uma das experiências mais dolorosas que já vivi.

Nenhuma palavra consegue explicar aquele momento.

É uma imagem que permanece gravada na alma.

Uma dor silenciosa.

Profunda.

Inexplicável.

Muitas pessoas enxergam apenas um animal de estimação.

Quem nunca teve esse vínculo dificilmente compreenderá.

Mas quem ama sabe.

Eles não são apenas animais.

São filhos.

São companheiros.

São parte da família.

Cada canto da casa passou a lembrar a Nuna.

O lugar onde ela dormia.

Onde esperava pela comida.

Onde tomava sol.

Onde corria quando eu chegava.

Durante anos fui recebido por ela na porta.

Ela vinha correndo.

Miava.

Pedia carinho.

Era como se dissesse:

"Você voltou."

Hoje abro a porta.

E o silêncio responde.

A ausência pesa.

Machuca.

A Gorda também sentiu.

Ela sempre foi muito ligada à Nuna.

E depois daquele dia passou a ficar ainda mais próxima de eu.

Hoje ela praticamente não desgruda.

Segue meus passos pela casa.

Deita ao meu lado.

Parece perceber que ambos estamos tentando aprender a viver com essa ausência.

É como se estivéssemos consolando um ao outro.

Ela perdeu uma companheira.

Eu perdi uma filha.

Desde o dia 13 de junho 2026, sábado, minha vida mudou completamente.

Perdi parte da alegria.

Perdi parte da rotina.

Perdi um pedaço importante do meu coração.

Ainda assim, preciso continuar.

Porque a Gorda continua aqui.

Ela precisa de eu.

E eu preciso dela.

Prometi para mim mesmo que terei ainda mais cuidado.

Proteção redobrada.

Mais atenção.

Mais carinho.

Ela merece.

Talvez um dia, quando Deus preparar meu coração, eu possa abrir espaço para adotar um novo irmão ou uma nova irmã para fazer companhia à Gorda.

Não para substituir a Nuna.
Porque isso é impossível.

Cada animal possui sua própria personalidade.

Seu próprio jeito.

Seu próprio espaço dentro do nosso coração.

Ninguém substitui ninguém.

O amor apenas encontra espaço para crescer novamente.

Escrevo tudo isso também porque senti que precisava compartilhar essa notícia com você, Roberta.

Você esteve presente em momentos importantes da vida da Nuna.

Mesmo que os caminhos tenham seguido direções diferentes e que o tempo tenha afastado nossas vidas, achei que era justo contar o que aconteceu.

Não por obrigação.

Mas por respeito à história que todos nós vivemos.

Talvez você nunca mais tenha perguntado por ela.

Talvez a vida tenha seguido outro rumo.

Tudo bem.

Ainda assim, achei que você deveria saber.

Não escrevo procurando respostas.

Nem justificativas.

Muito menos culpa.

Escrevo apenas porque algumas histórias precisam ser encerradas com verdade.

Nos últimos dias tenho tido sonhos repetitivos.

Como se algo insistisse para que eu contasse essa história.

Talvez seja apenas meu coração tentando encontrar paz.

Talvez seja Deus mostrando que guardar tudo isso apenas dentro de mim estava tornando a dor ainda maior.

Hoje consigo lembrar da Nuna, chorando.

Mas também sorrindo.

Lembro das brincadeiras.

Das corridas pela casa.

Das travessuras.

Do jeito único de olhar.

Das manias.

Do carinho.

Da companhia silenciosa em tantos momentos da minha vida.

Nada disso será apagado.

A saudade continuará existindo.

Mas também permanecerá a gratidão.

Obrigado, Nuna.

Obrigado Roberta.

Obrigado por cada dia.

Por cada momento.

Por cada demonstração de carinho.

Você fez parte da minha vida de uma forma que poucas pessoas conseguiram.

Hoje acredito que Deus está no comando de todas as coisas.

Mesmo quando não entendemos seus planos.

Mesmo quando a dor parece maior que nossa capacidade de suportá-la.

Tenho fé de que um dia toda lágrima encontrará consolo.

E gosto de imaginar a Nuna correndo livre, saudável e feliz, como uma estrela brilhando no céu.

Enquanto isso, aqui na Terra, continuo ao lado da Gorda.

Meu grude.

Minha companheira.

Aquela que continua me seguindo por onde vou.

Ela me lembra diariamente que o amor permanece.

Que a vida continua.

E que cuidar de quem ficou também é uma forma de honrar quem partiu.

Nuna jamais será esquecida.

Ela viverá em cada lembrança.

Em cada fotografia.

Em cada canto da casa.

E, principalmente, dentro do meu coração.

Saudades eternas de Nuna.

Que Deus continue guiando nossos caminhos.

E que Sua paz seja maior do que toda dor.

MERCADO KINJO YAMATO

 O segredo gastronômico que resiste ao tempo no coração de São Paulo

Enquanto milhares de turistas lotam os pontos mais famosos da capital paulista, existe um lugar que permanece quase como um segredo bem guardado pelos moradores da cidade. Escondido entre ruas históricas do Centro, o Mercado Kinjo Yamato oferece uma experiência completamente diferente dos roteiros tradicionais.

Localizado na Rua da Cantareira, 377, ao lado do tradicional Mercado Municipal de São Paulo, o Kinjo Yamato foi inaugurado em 1936 e carrega o título de primeiro mercado municipal da cidade. Ao longo das décadas, tornou-se referência para chefs de cozinha, comerciantes, descendentes de japoneses e apaixonados pela boa gastronomia.

Logo na entrada, o visitante percebe que não se trata de um mercado comum. Os corredores misturam aromas de especiarias orientais, frutos do mar fresquíssimos, ervas, temperos importados e ingredientes difíceis de encontrar em supermercados tradicionais.

É possível encontrar caranguejos vivos, camarões, ostras, cogumelos orientais, algas, peixes especiais, além de molhos, chás e temperos vindos de diferentes partes do mundo.

Mas o passeio vai muito além das compras.

Entre uma banca e outra surgem pequenas lanchonetes e restaurantes que conquistaram fama justamente pela simplicidade e pela qualidade. Pastéis preparados na hora dividem espaço com shawarma, pratos da culinária japonesa, comida chinesa e receitas típicas de diversas culturas que fazem parte da história paulistana.

Diferentemente dos grandes polos gastronômicos da cidade, o ambiente preserva um clima familiar. Muitos comerciantes trabalham ali há décadas e conhecem seus clientes pelo nome. Cada banca guarda histórias transmitidas entre gerações, formando um patrimônio cultural tão importante quanto os próprios produtos vendidos.
Uma viagem gastronômica sem sair de São Paulo

Visitar o Mercado Kinjo Yamato é caminhar por diferentes países em poucos metros de corredor. A influência da imigração japonesa se mistura às tradições árabes, chinesas, coreanas e brasileiras, criando uma combinação única de sabores.

Para quem gosta de cozinhar, o mercado é um verdadeiro paraíso. Ingredientes raros, utensílios orientais e produtos frescos fazem do local um destino obrigatório para profissionais da gastronomia e cozinheiros amadores.

Ao mesmo tempo, quem apenas deseja comer bem encontra refeições saborosas por preços acessíveis, longe das filas e do movimento intenso dos pontos turísticos mais famosos.

O Kinjo Yamato representa uma São Paulo autêntica: multicultural, acolhedora e surpreendente. É um daqueles lugares que mostram que a maior riqueza da cidade está justamente nos detalhes, nas histórias de seus comerciantes e na diversidade de sabores reunidos sob o mesmo teto.

Mais do que um mercado, ele é um retrato vivo da identidade paulistana — um espaço onde tradição, cultura e gastronomia continuam caminhando lado a lado há quase um século.

Serviço

Local: Mercado Kinjo Yamato
Endereço: Rua da Cantareira, 377 – Centro Histórico de São Paulo.
Dica: Reserve algumas horas para explorar cada corredor, conversar com os comerciantes e experimentar diferentes pratos. A verdadeira essência do mercado está justamente na experiência de descobrir sabores inesperados a cada passo.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Ponte Rio Negro: uma obra grandiosa cercada por controvérsias

 Ligando as cidades de Manaus e Iranduba, a Ponte Jornalista Phelippe Daou, popularmente conhecida como Ponte Rio Negro, é uma das maiores obras de engenharia da Região Norte e um dos principais símbolos da integração do Amazonas.


Inaugurada em 24 de outubro de 2011, a ponte possui 3.595 metros de extensão, tornando-se a maior ponte estaiada do Brasil sobre águas fluviais na época de sua inauguração. Ela reduziu drasticamente o tempo de deslocamento entre Manaus e os municípios da margem direita do Rio Negro, substituindo a antiga travessia feita exclusivamente por balsas.

O empreendimento representou um importante avanço para o desenvolvimento econômico da região, facilitando o transporte de pessoas, mercadorias e o crescimento urbano de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão.

No entanto, a grandiosidade da obra também foi acompanhada por uma série de polêmicas.

Bilhão investido e suspeitas de irregularidades

A construção teve custo aproximado de R$ 1,099 bilhão, valor considerado elevado para a época. Posteriormente, órgãos de controle passaram a investigar possíveis irregularidades envolvendo contratos, pagamentos e execução da obra.

As apurações conduzidas por órgãos como o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e o Tribunal de Contas da União apontaram suspeitas de:

superfaturamento;

corrupção;

lavagem de dinheiro;

fraudes em contratos públicos;

pagamento de propinas durante a execução da obra.


Diversas investigações fizeram parte das fases da Operação Lava Jato, que revelou um amplo esquema de corrupção envolvendo grandes empreiteiras e obras públicas em todo o país.

Embora várias pessoas tenham sido investigadas e denunciadas, diferentes processos ainda seguiram tramitando na Justiça ao longo dos anos.

Problemas ambientais também geraram condenação

Além das investigações sobre os custos da construção, a Ponte Rio Negro também esteve no centro de uma disputa ambiental.

A Justiça Federal concluiu que houve falhas no processo de licenciamento ambiental, entendendo que estudos e exigências legais não foram plenamente cumpridos durante a implantação do empreendimento.

Em razão dessas irregularidades, o Estado do Amazonas foi condenado ao pagamento de indenizações por danos materiais e danos morais coletivos, destinadas à reparação dos impactos ambientais causados pela obra.

Um marco da engenharia brasileira

Mesmo cercada por controvérsias, a Ponte Jornalista Phelippe Daou permanece como uma das mais importantes obras de infraestrutura da Amazônia.

Ela transformou a mobilidade regional, impulsionou o desenvolvimento econômico e reduziu o isolamento de diversos municípios. Ao mesmo tempo, tornou-se um exemplo de como grandes projetos públicos precisam ser acompanhados por rigor na fiscalização, transparência na aplicação dos recursos e respeito às normas ambientais.

Hoje, a Ponte Rio Negro continua sendo um dos principais cartões-postais do Amazonas e um símbolo das oportunidades — e também dos desafios — envolvidos na execução de grandes obras públicas no Brasil.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Zélia Cardoso de Mello: A Mulher por Trás do Plano Collor

 A primeira mulher a comandar a economia brasileira

Quando Fernando Collor de Mello assumiu a Presidência da República em março de 1990, o Brasil enfrentava uma das maiores crises econômicas de sua história. A inflação estava fora de controle, corroendo salários e tornando impossível qualquer planejamento financeiro para famílias e empresas.

Para liderar o combate a essa crise, Collor escolheu uma economista que rapidamente se tornaria uma das figuras mais conhecidas e controversas do país: Zélia Maria Cardoso de Mello.

Aos 36 anos, ela assumiu o recém-criado Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, tornando-se a principal responsável pela elaboração e implementação do chamado Plano Collor, oficialmente denominado Plano Brasil Novo.

O desafio de conter a hiperinflação

No final da década de 1980, o Brasil convivia com índices de inflação que ultrapassavam 80% ao mês. Os preços mudavam diariamente e a população via seu poder de compra desaparecer em questão de semanas.

Diante desse cenário, a equipe econômica liderada por Zélia Cardoso de Mello apresentou um plano radical. O objetivo era reduzir drasticamente a quantidade de dinheiro em circulação para frear a escalada dos preços.

Em 16 de março de 1990, apenas um dia após a posse presidencial, o governo anunciou um conjunto de medidas que surpreendeu todo o país.

O polêmico bloqueio das poupanças

A medida mais marcante do Plano Collor foi o bloqueio temporário dos depósitos bancários e das cadernetas de poupança acima de determinado valor.

Milhões de brasileiros acordaram sem acesso à maior parte de suas economias. O dinheiro ficaria retido pelo governo durante um período determinado, sendo devolvido posteriormente com correção monetária.

A decisão gerou enorme impacto social e econômico. Empresas enfrentaram dificuldades para operar, consumidores reduziram gastos e muitos cidadãos sentiram-se lesados pela perda temporária do acesso aos seus recursos.

Embora a inflação tenha apresentado queda inicial, os resultados não se sustentaram ao longo do tempo. Meses depois, os índices voltaram a subir, exigindo novas intervenções econômicas.

Uma figura admirada e criticada

Durante sua passagem pelo governo, Zélia tornou-se uma personalidade nacional. Sua imagem aparecia diariamente nos jornais, revistas e telejornais.

Para alguns, ela representava coragem e determinação ao enfrentar uma crise econômica sem precedentes. Para outros, simbolizava uma política econômica que causou sofrimento a milhões de brasileiros.

Independentemente das opiniões, sua atuação marcou profundamente a história econômica do país.

Saída do governo e legado

Em maio de 1991, após pouco mais de um ano à frente do ministério, Zélia Cardoso de Mello deixou o cargo. Seu sucessor herdou uma economia que continuava enfrentando desafios significativos.

Mais de três décadas depois, o Plano Collor ainda é lembrado como uma das medidas econômicas mais drásticas já adotadas no Brasil. O episódio permanece como objeto de estudo para economistas, historiadores e cientistas políticos.

A trajetória de Zélia Cardoso de Mello demonstra como decisões econômicas podem impactar diretamente a vida de milhões de pessoas. Seu nome permanece associado a um dos períodos mais intensos e controversos da história econômica brasileira, simbolizando os desafios enfrentados pelo país na busca pela estabilidade monetária.

Ficha Rápida

Nome: Zélia Maria Cardoso de Mello

Cargo: Ministra da Economia, Fazenda e Planejamento

Período: Março de 1990 a maio de 1991

Presidente: Fernando Collor de Mello

Principal ação: Criação e implementação do Plano Collor (Plano Brasil Novo)