segunda-feira, 20 de julho de 2026

Freddie Mercury, o Rock e a Lição que Todo Empreendedor Precisa Aprender Sobre Dinheiro

 Quando o palco era dele, mas o dinheiro era de muitos

No Dia Internacional do Rock, é impossível não lembrar de Freddie Mercury, um dos maiores artistas de todos os tempos. Dono de uma voz incomparável e de uma presença de palco inesquecível, ele transformou o Queen em uma das bandas mais lucrativas da história da música.

Milhões de discos vendidos, turnês lotadas e contratos milionários faziam parte da rotina da banda. No entanto, durante muitos anos, uma parte significativa da receita gerada por esse sucesso ficava espalhada entre gravadoras, distribuidoras, empresários, agentes e diversos intermediários da indústria fonográfica.

Naquela época, o mercado musical funcionava de forma extremamente centralizada. O artista criava, gravava e se apresentava, mas o controle da distribuição, da comercialização e da maior parte da operação financeira estava nas mãos de terceiros. Com contratos complexos e pouca transparência, muitos músicos só descobriam anos depois quanto realmente haviam recebido por seu trabalho.

Embora Freddie Mercury tenha acumulado uma grande fortuna ao longo da carreira, sua trajetória simboliza uma realidade comum no mundo dos negócios: quem não acompanha de perto seus números corre o risco de perder parte importante da própria receita.

Essa é uma lição que continua extremamente atual.

O novo palco dos negócios

Hoje, a realidade é diferente, mas o problema continua semelhante.

Empresas de todos os tamanhos recebem pagamentos por cartões, PIX, boletos, links de pagamento, marketplaces e plataformas digitais. Cada transação pode envolver adquirentes, subadquirentes, gateways, bancos e processadores.

Na prática, cada um desses participantes pode representar taxas, tarifas e divisões de receita que nem sempre são totalmente compreendidas pelo empreendedor.

Muitos empresários analisam apenas o valor que entrou na conta e deixam de observar custos como:

- Taxas de processamento;
- Tarifas de antecipação de recebíveis;
- Custos de split de pagamento;
- Comissões de marketplaces;
- Descontos operacionais;
- Taxas administrativas.

Quando esses valores passam despercebidos, pequenas perdas diárias podem representar milhares — ou até milhões — de reais ao longo do tempo.

Assim como aconteceu na indústria da música, o problema nem sempre é o valor faturado, mas quanto realmente sobra depois que todos os intermediários recebem sua parte.

Controle financeiro é poder

A principal lição que a história do rock oferece aos empreendedores é simples: faturar muito não significa lucrar muito.

Negócios saudáveis acompanham indicadores, conciliam recebimentos, analisam contratos e entendem exatamente quanto custa cada venda realizada.

Quem domina sua operação financeira toma decisões melhores, negocia taxas mais competitivas, escolhe parceiros mais eficientes e aumenta sua margem de lucro sem necessariamente vender mais.

No fim das contas, a maior estrela não é quem aparece no palco, mas quem conhece profundamente os bastidores do próprio negócio.

Freddie Mercury eternizou sua voz na história da música. Sua trajetória também nos lembra que talento precisa caminhar ao lado de gestão.

Porque, seja em um grande show ou em uma empresa, quem não controla o fluxo do dinheiro pode acabar trabalhando para enriquecer os intermediários.

No mundo dos negócios, a melhor performance é aquela em que o sucesso aparece não apenas no faturamento, mas também no resultado final.

Futurecom 2026: O Futuro da Economia Digital Começa Agora

 Maior evento de conectividade e tecnologia da América Latina amplia seu foco e coloca a inteligência artificial, a infraestrutura digital e a inovação no centro dos debates.

A transformação digital deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade estratégica em praticamente todos os setores da economia. Empresas, governos e consumidores vivem uma nova realidade impulsionada pela inteligência artificial, computação em nuvem, redes de alta velocidade e pela crescente demanda por conectividade. É nesse cenário que a Futurecom 2026 chega com um novo posicionamento e uma proposta ainda mais abrangente.

Com o conceito "Conectividade sem limites. Inovação sem fronteiras. O futuro da economia digital é agora", o evento reforça seu papel como principal ponto de encontro entre empresas, especialistas, executivos, autoridades públicas e líderes do mercado de tecnologia da América Latina.

Muito além das telecomunicações, a Futurecom consolidou-se como um ambiente onde são discutidas as principais tendências capazes de transformar a economia e a sociedade. Em sua edição de 2026, o foco será ampliado para temas que moldam o presente e definirão o futuro dos negócios.

Entre os assuntos em destaque estão a Inteligência Artificial Generativa, automação de processos, computação em nuvem, redes 5G e futuras tecnologias de conectividade, data centers, infraestrutura digital, Internet das Coisas (IoT), cidades inteligentes, cibersegurança, proteção de dados, transformação digital da indústria, agronegócio, saúde, educação, varejo, energia e serviços financeiros.

A expectativa é reunir milhares de visitantes e centenas de empresas nacionais e internacionais que apresentarão soluções inovadoras, equipamentos, softwares e plataformas voltadas para acelerar a digitalização das organizações.

Além da área de exposição, a programação contará com uma extensa agenda de palestras, fóruns, painéis e debates reunindo alguns dos maiores especialistas do Brasil e do exterior. Executivos das principais operadoras de telecomunicações, empresas de tecnologia, startups, universidades e órgãos governamentais discutirão os desafios da infraestrutura digital e os impactos da inteligência artificial na produtividade, na competitividade e na geração de novos modelos de negócio.

Outro destaque será a crescente integração entre telecomunicações e setores tradicionais da economia. Hoje, agricultura, indústria, logística, saúde e mobilidade dependem cada vez mais de redes inteligentes, análise de dados em tempo real e sistemas conectados para aumentar eficiência e reduzir custos.

Nesse contexto, a conectividade deixa de ser apenas um serviço para se tornar a base da economia digital.

A cibersegurança também ocupará posição de destaque. Com o aumento dos ataques virtuais e da circulação de dados em larga escala, proteger informações tornou-se prioridade para empresas públicas e privadas. Especialistas apresentarão soluções para prevenção de ataques, gestão de riscos, proteção de infraestrutura crítica e conformidade com legislações de privacidade.

Para startups e empresas inovadoras, a Futurecom representa uma oportunidade única de networking, geração de negócios e acesso a investidores. O ambiente favorece parcerias estratégicas e aproxima empreendedores de grandes corporações interessadas em soluções disruptivas.

Mais do que acompanhar tendências, a Futurecom tornou-se um espaço onde elas são criadas.

Ao reunir tecnologia, inovação, conectividade e negócios em um único ambiente, o evento reafirma sua importância para o desenvolvimento da economia digital brasileira e latino-americana, contribuindo para acelerar a transformação de diversos segmentos produtivos.

ANOTE NA AGENDA

Futurecom 2026

Data: 6 a 8 de outubro de 2026

Horário: das 10h às 20h

Local: São Paulo Expo

Endereço: Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 – Vila Água Funda – São Paulo (SP)

Para profissionais de tecnologia, empresários, gestores públicos, investidores e estudantes, a Futurecom 2026 promete ser mais do que uma feira de negócios. Será um espaço para compreender como a conectividade e a inovação continuarão moldando o futuro da sociedade e da economia nos próximos anos.

domingo, 19 de julho de 2026

O Trem da Morte Voltou a Operar Entre Brasil e Bolívia

 Conheça a lendária ferrovia que atravessa a fronteira e encanta mochileiros do mundo inteiro


O nome assusta à primeira vista: Trem da Morte. Para quem nunca ouviu falar, parece até cenário de um filme de aventura. Mas a realidade é bem diferente.

Após um período de interrupções, o famoso trem que liga a cidade brasileira de Corumbá (MS) à região oriental da Bolívia voltou a operar, reacendendo o interesse de viajantes que desejam explorar o país vizinho de maneira econômica, autêntica e cheia de história.
Muito além de um simples meio de transporte, a viagem é considerada uma experiência cultural, permitindo ao passageiro conhecer paisagens, costumes e cidades pouco exploradas pelos roteiros turísticos tradicionais.

De onde surgiu o nome "Trem da Morte"?

Apesar da fama, o apelido não está relacionado a acidentes ferroviários.

A origem do nome remonta às décadas de 1930 e 1940, quando a ferrovia era utilizada para transportar pacientes acometidos por doenças tropicais, principalmente malária e febre amarela, para hospitais na região de Santa Cruz de la Sierra.

Muitos viajantes embarcavam já em estado grave, o que levou a população local a apelidar o percurso de "Tren de la Muerte".

Com o passar dos anos, o nome permaneceu, embora hoje a viagem seja considerada segura e utilizada diariamente por moradores, comerciantes e turistas.

Uma aventura sobre trilhos

A ferrovia faz parte da chamada Ferrovia Oriental da Bolívia, conectando Puerto Quijarro, cidade boliviana na fronteira com Corumbá, até Santa Cruz de la Sierra, um dos principais centros econômicos do país.

Durante o trajeto, o trem percorre centenas de quilômetros atravessando florestas, áreas alagadas, pequenas comunidades e extensas paisagens do Pantanal e do Chaco boliviano.

Ao longo do caminho, vendedores entram nos vagões oferecendo empanadas, salteñas, frutas, refrigerantes e pratos típicos da culinária boliviana, proporcionando uma verdadeira imersão na cultura local.

Para muitos mochileiros, essa convivência espontânea com moradores da região é um dos pontos altos da viagem.

Porta de entrada para um mochilão pela América do Sul

O Trem da Morte tornou-se um clássico entre brasileiros que desejam conhecer a Bolívia gastando pouco.

A partir de Santa Cruz de la Sierra, é possível seguir viagem para diversos destinos famosos, como:

- Sucre, a capital constitucional da Bolívia.
- Cochabamba, conhecida por sua rica gastronomia.
- La Paz, uma das capitais mais altas do mundo.
- O Salar de Uyuni, maior deserto de sal do planeta.
- Lago Titicaca, compartilhado entre Bolívia e Peru.
- San Pedro de Atacama, no Chile, acessível por rotas terrestres.

Por isso, muitos viajantes iniciam ali um grande roteiro que pode incluir ainda Peru, Chile e Argentina.

Planejamento faz toda a diferença

Embora seja uma alternativa econômica, viajar pela Bolívia exige organização.

É importante verificar antecipadamente os horários dos trens, comprar passagens com antecedência durante a alta temporada e levar documentos válidos para a travessia da fronteira.

Também é recomendável portar dinheiro em espécie para pequenas despesas e manter atenção aos horários, já que atrasos podem ocorrer dependendo das condições operacionais da ferrovia.

Quem pretende seguir para regiões de grande altitude, como La Paz ou Uyuni, deve ainda reservar alguns dias para adaptação ao clima e à altitude.

Uma viagem que vale pela experiência

Em uma época em que aviões conectam cidades em poucas horas, o Trem da Morte oferece justamente o contrário: uma viagem lenta, contemplativa e cheia de histórias.

Cada estação revela um pouco da cultura boliviana, enquanto a paisagem muda lentamente pela janela, proporcionando uma experiência difícil de encontrar em outros meios de transporte.

O retorno da operação da ferrovia representa uma excelente notícia para o turismo regional e para milhares de aventureiros que sonham em explorar a América do Sul de forma diferente.

No fim das contas, o famoso Trem da Morte continua provando que, apesar do nome marcante, sua verdadeira identidade é a de um dos trajetos ferroviários mais fascinantes do continente — uma viagem onde a aventura, a cultura e a história caminham lado a lado sobre os trilhos.

Robert Smith – A alma eterna do The Cure

 Nascimento: 21 de abril de 1959

Blackpool, Inglaterra

O poeta da melancolia que conquistou o mundo

Poucos artistas conseguiram transformar emoções em música com tanta autenticidade quanto Robert Smith. Dono de uma voz inconfundível, um estilo visual marcante e uma sensibilidade rara para compor, ele fez do The Cure uma das bandas mais importantes da história do rock alternativo.

Desde o fim dos anos 1970, Smith provou que era possível falar sobre amor, solidão, esperança e fragilidade humana sem abrir mão da força do rock. Sua influência ultrapassou gerações, inspirando músicos dos mais diversos estilos e consolidando seu nome como um dos grandes compositores da música contemporânea.

O nascimento do The Cure

Em 1978, Robert Smith fundou o The Cure, em Crawley, no sul da Inglaterra. O grupo surgiu em meio à explosão do pós-punk britânico, mas rapidamente encontrou uma identidade própria.

Enquanto muitas bandas apostavam apenas na agressividade do punk, Smith preferiu explorar atmosferas sombrias, guitarras cheias de efeitos e letras profundamente emocionais.

Seu visual também se tornou uma marca registrada: cabelos desgrenhados, maquiagem borrada ao redor dos olhos, batom vermelho e roupas escuras. O estilo acabou influenciando toda uma geração ligada ao movimento gótico, embora o próprio Robert Smith nunca tenha gostado de ser rotulado.

Ao longo dos anos, o The Cure mostrou uma impressionante capacidade de se reinventar, alternando discos introspectivos com álbuns repletos de canções alegres e dançantes.

Canções que atravessaram décadas

A discografia do The Cure reúne músicas que se tornaram clássicos absolutos da música mundial.

Entre elas estão:

- Boys Don't Cry
- A Forest
- Just Like Heaven
- Lovesong
- Lullaby
- Pictures of You
- Close to Me
- Friday I'm in Love

Cada uma dessas canções revela uma faceta diferente da criatividade de Robert Smith. Algumas mergulham na introspecção e na saudade; outras celebram o amor, a esperança e a felicidade. Essa diversidade ajudou a ampliar o público da banda, conquistando fãs muito além do universo do rock alternativo.

Muito além da tristeza

Durante décadas, o The Cure foi frequentemente associado à melancolia. No entanto, Robert Smith sempre fez questão de esclarecer que sua música nunca teve como objetivo promover a tristeza.

Para ele, compor significa retratar a complexidade dos sentimentos humanos.

Suas letras abordam perdas, sonhos, relacionamentos, medo, paixão, lembranças e momentos de felicidade com a mesma intensidade. Essa honestidade emocional é justamente um dos motivos pelos quais suas músicas permanecem atuais mesmo após mais de quarenta anos.

Em vez de esconder as emoções, Robert Smith fez delas sua principal fonte de inspiração.

Uma das mais belas histórias de amor do rock

Enquanto muitas estrelas do rock viveram relacionamentos turbulentos, Robert Smith construiu uma história completamente diferente.

Ele conheceu Mary Poole ainda na adolescência, quando ambos estudavam na escola. O namoro resistiu ao sucesso mundial, às longas turnês e às mudanças provocadas pela fama.

O casal oficializou a união em 1988 e permanece junto até hoje, tornando-se uma das relações mais duradouras da história do rock.

Como presente de casamento, Robert escreveu Lovesong, lançada em 1989. A música rapidamente se transformou em um dos maiores sucessos da carreira do The Cure e continua emocionando fãs em todo o mundo por sua simplicidade e sinceridade.

Um legado que continua vivo

Após mais de quatro décadas de carreira, Robert Smith permanece à frente do The Cure, realizando turnês e lançando novos trabalhos sem perder sua identidade artística.

Sua influência pode ser percebida em bandas de rock alternativo, indie, shoegaze, metal, pop e até música eletrônica. Artistas de diferentes gerações reconhecem sua importância como compositor e intérprete.

Em 2019, o The Cure recebeu uma das maiores homenagens da indústria musical ao ser incluído no Rock and Roll Hall of Fame, reconhecimento reservado aos artistas que transformaram a história da música.

Mais do que um cantor ou guitarrista, Robert Smith tornou-se símbolo da liberdade criativa. Ele mostrou que vulnerabilidade também é força e que sentimentos profundos podem dar origem a obras capazes de atravessar gerações.

Suas canções continuam emocionando milhões de pessoas porque falam de algo universal: o amor, a saudade, o tempo, a esperança e a beleza de ser humano.

Robert Smith não apenas escreveu músicas inesquecíveis. Ele deu voz às emoções que muitos nunca conseguiram colocar em palavras, tornando-se uma das figuras mais respeitadas e admiradas da história do rock.

O POUSO QUE PAROU FORTALEZA

 Como um Airbus A300 da Varig transformou uma noite de 1989 em um dos maiores episódios da aviação brasileira sem deixar uma única vítima

Na noite de 26 de junho de 1989, o Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, tornou-se o centro das atenções do Brasil. Em uma época em que não existiam redes sociais, aplicativos de rastreamento de voos ou mensagens instantâneas, a notícia de que um avião da Varig faria um pouso de emergência espalhou-se rapidamente pela cidade.

Centenas de pessoas dirigiram-se ao aeroporto para acompanhar um momento que parecia saído de um filme. Entre os curiosos estavam famílias inteiras, apaixonados por aviação, jornalistas e moradores de Fortaleza. Muitos jamais esqueceriam aquela noite.

A aeronave era um Airbus A300B4, matrícula PP-VND, um dos modernos jatos da frota da Varig, que enfrentava uma situação rara: o trem de pouso dianteiro não havia baixado nem travado corretamente, impossibilitando um pouso convencional.

Horas de tensão sobre Fortaleza

Após identificar o problema, a tripulação iniciou todos os procedimentos previstos para esse tipo de emergência.

Diversas tentativas foram realizadas para liberar mecanicamente o trem de pouso dianteiro, mas nenhuma obteve sucesso.

Como o avião estava pesado devido à grande quantidade de combustível a bordo, a decisão foi permanecer voando em órbitas sobre a região de Fortaleza durante várias horas. O objetivo era reduzir o peso da aeronave, queimando combustível para diminuir os riscos de incêndio e aumentar as chances de um pouso seguro.

Enquanto o Airbus circulava no céu cearense, equipes de emergência mobilizavam-se em solo.

Viaturas do Corpo de Bombeiros, ambulâncias, equipes médicas e veículos de combate a incêndio posicionaram-se ao longo da pista do Aeroporto Pinto Martins, preparados para agir imediatamente caso fosse necessário.

Um aeroporto tomado pela expectativa

Mesmo sem internet, celulares ou transmissões em tempo real, a notícia espalhou-se rapidamente.

O tradicional "boca a boca", os noticiários das rádios e as emissoras de televisão fizeram com que uma multidão se dirigisse ao aeroporto.

Os estacionamentos ficaram lotados e muitas pessoas ocuparam áreas próximas às pistas para acompanhar o pouso.

Era uma mistura de curiosidade, apreensão e torcida. Desconhecidos conversavam como velhos amigos, todos unidos pela esperança de que a tripulação conseguisse trazer o avião ao solo em segurança.

Quem esteve presente lembra do silêncio que tomou conta do local nos minutos que antecederam a aproximação final.

A habilidade da tripulação

Quando chegou o momento decisivo, os pilotos executaram um procedimento extremamente delicado.

O Airbus aproximou-se normalmente utilizando apenas o trem de pouso principal. Após o toque inicial na pista, os pilotos mantiveram o nariz da aeronave elevado durante o maior tempo possível, aproveitando a sustentação aerodinâmica para reduzir a velocidade.

Somente quando já não havia mais como manter a aeronave nessa posição, a parte dianteira desceu lentamente até tocar a pista.

O atrito entre a fuselagem e o asfalto produziu faíscas, mas, graças ao trabalho preciso da tripulação e à atuação das equipes de emergência, o avião permaneceu sob controle durante toda a desaceleração.

A aeronave parou completamente sem que houvesse incêndio.

Todos os passageiros e tripulantes deixaram o avião em segurança.

Um final feliz

O pouso foi recebido com aplausos tanto dentro quanto fora da aeronave.

Para quem acompanhava do aeroporto, foi um momento inesquecível.

A tensão deu lugar ao alívio, e a habilidade demonstrada pelos pilotos da Varig foi amplamente elogiada.

O episódio tornou-se um exemplo clássico de gerenciamento de emergência na aviação brasileira, mostrando como treinamento, disciplina e trabalho em equipe podem transformar uma situação extremamente perigosa em uma operação bem-sucedida.

Um capítulo marcante da história da Varig

Durante décadas, a Varig foi reconhecida internacionalmente pelo elevado padrão técnico de suas tripulações.

Casos como o do Airbus PP-VND reforçaram essa reputação.

Embora incidentes envolvendo falhas no trem de pouso sejam raros, eles exigem sangue frio, planejamento e absoluto cumprimento dos procedimentos operacionais.

O pouso realizado em Fortaleza passou a integrar a memória da aviação nacional justamente por demonstrar o preparo dos profissionais brasileiros diante de uma situação crítica.

A lembrança permanece viva

Mais de três décadas depois, muitas pessoas ainda recordam exatamente onde estavam naquela noite de junho de 1989.

Para os moradores de Fortaleza, foi um daqueles acontecimentos que ficaram gravados na memória coletiva.

Não houve vítimas, nem destruição, apenas uma grande demonstração de competência, profissionalismo e coragem.

Em uma época sem vídeos virais, sem transmissões ao vivo e sem redes sociais, aquela história atravessou gerações apenas pelo relato de quem a presenciou.

Hoje, o pouso de emergência do Airbus A300 PP-VND permanece como um dos episódios mais emblemáticos da história da aviação brasileira, lembrando que, mesmo diante das situações mais difíceis, a preparação e o treinamento podem fazer toda a diferença entre a tragédia e um final feliz.> Nota editorial: Há registros de que o incidente ocorreu em 26 de junho de 1989 com o Airbus A300 PP-VND da Varig no Aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza. Alguns detalhes, como o tempo exato em órbita e os procedimentos específicos adotados, variam entre relatos de testemunhas e fontes históricas. A matéria acima preserva os fatos amplamente conhecidos e contextualiza o episódio em formato jornalístico.

Aleksandar Mandic: O Visionário que Enxergou a Internet Antes de Quase Todo Mundo

 Sem diploma universitário, ele ajudou a construir a internet comercial brasileira e apostou no futuro quando poucos acreditavam que ele existia.

Muito antes dos smartphones, das redes sociais, do streaming e da inteligência artificial, um técnico em eletrônica trabalhava em casa, cercado por computadores, modems e linhas telefônicas. Enquanto a maioria dos brasileiros sequer imaginava o que era a internet, Aleksandar Mandic já acreditava que ela transformaria o mundo.
Sua trajetória foge do roteiro tradicional dos grandes empreendedores. Filho de imigrantes, Mandic nunca concluiu um curso universitário. Em vez disso, construiu seu conhecimento na prática, impulsionado pela curiosidade e pela vontade de explorar novas tecnologias.

Após trabalhar cerca de 18 anos na Siemens, decidiu deixar a estabilidade para apostar em um mercado praticamente inexistente no Brasil. Na sala de sua própria casa, instalou computadores ligados por linhas telefônicas e criou o Mandic BBS (Bulletin Board System), um dos mais importantes sistemas de comunicação eletrônica do país antes da popularização da internet comercial.

Naquela época, os usuários acessavam o sistema por meio de modems, utilizando a linha telefônica para trocar mensagens, compartilhar arquivos e participar de comunidades virtuais. Era uma experiência lenta para os padrões atuais, mas revolucionária para o início da década de 1990.

Quando a internet começou a chegar ao Brasil, Mandic percebeu rapidamente que o futuro não estava apenas na conexão, mas na comunicação entre pessoas.

Em 1995, lançou o Mandic Mail, um dos primeiros serviços brasileiros de e-mail comercial disponível ao público em geral. Em um período em que possuir um endereço eletrônico ainda era privilégio de universidades e grandes empresas, ele ofereceu aos brasileiros a oportunidade de criar uma identidade digital própria.

Anos antes do surgimento de serviços como Gmail, milhões de pessoas já experimentavam o correio eletrônico graças a iniciativas pioneiras como a de Mandic.

Mas talvez sua decisão mais brilhante tenha ocorrido no final da década.

Em 1999, quando o mercado de tecnologia vivia a euforia das empresas de internet, Mandic vendeu sua companhia para um grupo argentino. Pouco tempo depois, em 2000, a chamada bolha das empresas "pontocom" entrou em colapso. Empresas de tecnologia perderam bilhões de dólares em valor de mercado, investidores amargaram prejuízos históricos e gigantes da internet viram suas ações despencarem.

Mandic havia saído no momento certo.

Mais do que sorte, sua trajetória revela uma habilidade rara: perceber tendências antes que elas se tornassem evidentes para o restante do mercado.

Décadas depois, o mundo vive uma nova revolução tecnológica, desta vez liderada pela inteligência artificial. Curiosamente, a matéria-prima desses sistemas são justamente dados produzidos por pessoas: textos, mensagens, e-mails, documentos e conversas digitais.

São informações muito semelhantes às que circulavam pelos antigos BBS e pelos primeiros serviços de correio eletrônico criados por pioneiros como Mandic.

Embora naquela época ninguém falasse em aprendizado de máquina, algoritmos ou modelos generativos, ele já compreendia que o verdadeiro valor da tecnologia não estava apenas nas máquinas, mas na conexão entre as pessoas e nas informações que elas produziam.

Seu legado ultrapassa o sucesso empresarial.

Aleksandar Mandic ajudou a formar uma geração inteira de usuários da internet brasileira, incentivou a cultura digital e mostrou que inovação nem sempre nasce em grandes laboratórios ou universidades. Muitas vezes, ela surge em uma sala de casa, movida por curiosidade, coragem e disposição para apostar no desconhecido.

Sua história é uma lembrança de que as grandes transformações começam quando alguém consegue enxergar possibilidades onde quase todos veem apenas incertezas. Muito antes da inteligência artificial dominar as manchetes, Mandic já demonstrava que compreender o comportamento das pessoas e antecipar o futuro pode ser a tecnologia mais poderosa de todas.

sábado, 18 de julho de 2026

Quando a tecnologia evita o acidente

 O dia em que o TCAS entrou em ação e mostrou por que voar continua sendo um dos meios de transporte mais seguros do mundo

À primeira vista, as manchetes chamavam a atenção: dois aviões comerciais, um da Iberia e outro da Air Europa, precisaram realizar manobras coordenadas sobre o Oceano Atlântico após um alerta do sistema anticolisão. Para muitos leitores, a impressão foi de que as aeronaves estiveram a poucos segundos de uma colisão.

Na realidade, ocorreu exatamente o contrário.

O episódio demonstrou a eficiência dos modernos sistemas de segurança que equipam a aviação comercial. O protagonista da história foi o TCAS (Traffic Collision Avoidance System), um equipamento desenvolvido para detectar possíveis conflitos entre aeronaves e orientar os pilotos antes que qualquer situação se torne perigosa.

O TCAS trabalha de forma independente do controle de tráfego aéreo. Utilizando os transponders instalados nas aeronaves, ele monitora continuamente altitude, velocidade e posição dos aviões que estão nas proximidades.

Quando identifica que duas aeronaves podem se aproximar além do limite considerado seguro, o sistema emite inicialmente um alerta de atenção. Caso a aproximação continue, entra em ação o chamado Resolution Advisory (RA), fornecendo instruções precisas aos pilotos.

Nesse momento, uma aeronave recebe a ordem para subir, enquanto a outra é orientada a descer. As instruções são coordenadas automaticamente para que ambas executem movimentos complementares, aumentando rapidamente a distância vertical entre elas.

Foi exatamente esse procedimento que ocorreu no incidente envolvendo os voos da Iberia e da Air Europa. Os pilotos seguiram rigorosamente as orientações do sistema, a separação segura foi restabelecida em poucos segundos e o voo prosseguiu normalmente.

O episódio não representa uma falha da aviação, mas sim uma demonstração de que os sistemas de proteção funcionam exatamente como foram projetados.

Segurança construída em várias camadas

Ao contrário do que muitos imaginam, a segurança da aviação não depende apenas da habilidade dos pilotos.

Ela é baseada em um conceito conhecido como múltiplas barreiras de proteção. Isso significa que diversos sistemas independentes trabalham simultaneamente para evitar que um pequeno erro evolua para um acidente.

Entre essas camadas estão:

- Controladores de tráfego aéreo monitorando continuamente os voos;
- Equipamentos de navegação por satélite e radares;
- Procedimentos operacionais rigorosos;
- Treinamento constante das tripulações;
- Sistemas automáticos, como o TCAS.

Mesmo que uma dessas barreiras apresente algum problema, outras continuam protegendo a operação.

É justamente essa filosofia que faz da aviação comercial um dos meios de transporte mais seguros já desenvolvidos.

Sempre que um alerta do TCAS é emitido, ele deve ser obedecido imediatamente, mesmo que as instruções sejam diferentes das orientações do controle de tráfego aéreo. Após a manobra, pilotos e controladores coordenam o retorno à rota planejada.

Milhões de passageiros voam diariamente em todo o mundo, e ocorrências como essa mostram que os sistemas de segurança permanecem atentos durante todo o voo.

Embora manchetes alarmistas frequentemente utilizem expressões como "quase colisão", especialistas lembram que esses eventos são, na verdade, evidências de um sistema funcionando corretamente.

O incidente entre Iberia e Air Europa reforça uma das maiores conquistas da engenharia aeronáutica moderna: antecipar riscos antes que eles se tornem problemas reais.

Quando o passageiro sequer percebe que algo aconteceu, significa que tecnologia, treinamento e procedimentos cumpriram sua missão com sucesso.

Em um setor onde cada detalhe é cuidadosamente planejado, o verdadeiro destaque não é o alerta emitido, mas o fato de que todas as camadas de segurança trabalharam em perfeita sintonia para garantir que os voos continuassem seguros até seus destinos.

O dia em que a faixa presidencial não foi entregue

 A tensão entre João Figueiredo e José Sarney marcou o fim do regime militar e o início da Nova República

O Brasil vivia um dos momentos mais delicados de sua história. Depois de 21 anos de regime militar, a população aguardava ansiosamente a posse do primeiro governo civil eleito de forma indireta desde 1964. Mas, nos bastidores do poder, o clima era de desconfiança, ressentimento e incerteza.

Em 15 de março de 1985, a história reservou um roteiro inesperado. O presidente eleito, Tancredo Neves, adoeceu gravemente na véspera da posse e foi submetido a uma cirurgia de emergência em Brasília. Sem condições de assumir o cargo, coube ao vice-presidente eleito, José Sarney, prestar juramento e assumir interinamente a Presidência da República.

Enquanto o país acompanhava apreensivo as notícias sobre a saúde de Tancredo, outro episódio entrava para a história política brasileira.

O então presidente João Baptista Figueiredo, último general a comandar o país durante o regime militar, recusou-se a participar da cerimônia de transmissão do cargo.

A decisão não era apenas protocolar. Figueiredo nunca escondeu sua insatisfação com José Sarney. Antigo integrante da ARENA e posteriormente do PDS — partidos que sustentavam o governo militar —, Sarney rompeu com a base governista durante a campanha das Diretas Já e passou a integrar a Aliança Democrática, tornando-se vice na chapa de Tancredo Neves.

Para Figueiredo, essa mudança representava uma traição política.

Em diversas ocasiões, deixou claro que não entregaria pessoalmente a faixa presidencial ao novo governo. E cumpriu sua palavra.

No dia da posse, o presidente deixou discretamente o Palácio do Planalto por uma saída lateral, sem participar da cerimônia e sem cumprimentar José Sarney.

Era um gesto carregado de simbolismo.

O fim silencioso de uma era

A ausência de João Figueiredo rompeu uma tradição republicana que simboliza a continuidade institucional do Estado brasileiro. Sem o presidente que deixava o cargo, não houve a tradicional passagem da faixa presidencial.

Na prática, a posse ocorreu normalmente, obedecendo às normas constitucionais, mas sem um dos atos mais emblemáticos da democracia: a transmissão formal do poder entre o governante que sai e aquele que assume.

Pouco depois, a situação tornou-se ainda mais dramática. Tancredo Neves jamais tomaria posse oficialmente. Após semanas de internação e diversas cirurgias, morreu em 21 de abril de 1985, aos 75 anos.

Com isso, José Sarney foi efetivado como presidente da República, tornando-se o primeiro civil a governar o Brasil após o fim do regime militar.

Seu governo enfrentou enormes desafios. A inflação disparava, a economia atravessava grave crise e a jovem democracia ainda convivia com forte influência de setores militares e intensa polarização política. Mesmo assim, foi durante sua gestão que o país viveu um dos momentos mais importantes da redemocratização: a promulgação da Constituição de 1988, conhecida como a "Constituição Cidadã", que restabeleceu direitos fundamentais e consolidou o regime democrático.

João Figueiredo, por sua vez, afastou-se completamente da vida pública após deixar o cargo. Manteve uma postura crítica em relação ao novo governo e raramente concedeu entrevistas. Faleceu em 1999, levando consigo a imagem de ter sido o último presidente do ciclo militar iniciado em 1964.

A recusa em entregar a faixa presidencial permanece como um dos episódios mais marcantes da transição democrática brasileira. Mais do que um gesto de descontentamento pessoal, ela simbolizou as dificuldades de encerrar um período de exceção e iniciar uma nova etapa da história nacional.

Hoje, quatro décadas depois, aquele momento continua sendo lembrado como um retrato das tensões que cercaram o nascimento da Nova República e da importância das instituições para garantir uma transição pacífica do poder, mesmo em meio a profundas divergências políticas.

Citroën C6: A Mais Sofisticada "Lasanha Francesa" do Brasil?

 Luxuoso, tecnológico e cheio de personalidade, o sedã francês virou objeto de desejo entre os apaixonados por carros diferentes — e um desafio para quem encara sua manutenção.

Há automóveis que conquistam pela potência. Outros pelo design ou pela tradição da marca. E existe o Citroën C6, um carro que reúne tudo isso e ainda acrescenta uma boa dose de ousadia. Lançado em 2005 e vendido no Brasil em pequenas quantidades, o sedã executivo da fabricante francesa até hoje chama atenção por onde passa.

Seu visual foge completamente dos padrões. Linhas elegantes, traseira com vidro côncavo, frente marcante e uma silhueta que parece ter sido desenhada anos à frente de seu tempo. Não por acaso, o C6 foi escolhido como carro oficial da Presidência da França durante muitos anos, transportando chefes de Estado e autoridades.

Debaixo do capô, o modelo oferecido no Brasil traz um refinado motor V6 3.0 litros, capaz de entregar cerca de 211 cavalos de potência, trabalhando em conjunto com um câmbio automático de seis marchas. O desempenho é suave e silencioso, privilegiando o conforto em vez da esportividade.

Mas o verdadeiro espetáculo está na lista de equipamentos.

O C6 impressiona até os dias atuais com uma quantidade de tecnologias que muitos carros modernos ainda não oferecem. A famosa suspensão hidropneumática Hydractive III+ adapta automaticamente a altura e a rigidez conforme as condições da estrada, proporcionando uma sensação de rodar quase flutuando sobre o asfalto.

Entre os equipamentos estão faróis de xenônio direcionais, que acompanham o movimento do volante; head-up display, projetando velocidade e informações no para-brisa; bancos dianteiros e traseiros com regulagens elétricas e aquecimento; sistema de som premium; ar-condicionado digital de quatro zonas; sensores de estacionamento; cortinas elétricas e um acabamento interno que combina couro legítimo, madeira e superfícies revestidas em material soft-touch.

Mesmo quase vinte anos após seu lançamento, entrar em um C6 ainda transmite a sensação de estar em um automóvel de categoria superior.

Entretanto, todo esse requinte tem um preço.

O apelido de "lasanha francesa", bastante conhecido entre os entusiastas do mercado de usados, faz referência aos veículos sofisticados que podem ser comprados por valores relativamente baixos, mas que exigem manutenção especializada e peças nem sempre fáceis de encontrar.

No caso do Citroën C6, a suspensão hidropneumática, os diversos módulos eletrônicos, sensores e componentes exclusivos podem transformar um simples reparo em uma conta de muitos milhares de reais. Como poucas unidades foram vendidas no Brasil, várias peças precisam ser importadas, aumentando custos e tempo de espera.

Apesar disso, quem conhece o modelo costuma afirmar que, quando bem cuidado e com histórico de manutenção adequado, o C6 pode ser extremamente confiável e proporcionar uma experiência de condução difícil de encontrar em qualquer outro automóvel da mesma faixa de preço.

Segundo a Tabela FIPE, um exemplar do ano 2008 gira em torno de R$ 92 mil, valor que desperta a curiosidade de muitos compradores. Afinal, por esse preço é possível adquirir um sedã médio bem mais novo, ou apostar em um verdadeiro carro de luxo europeu repleto de equipamentos exclusivos.

É justamente aí que mora o dilema.

Comprar um Citroën C6 não é apenas adquirir um automóvel. É aceitar um estilo de vida automotivo voltado para quem aprecia engenharia diferenciada, design fora do comum e conforto absoluto, sabendo que a manutenção exigirá planejamento, conhecimento e uma boa reserva financeira.

Para alguns, trata-se de uma das maiores barganhas do mercado de clássicos modernos. Para outros, é uma aventura mecânica da qual preferem manter distância.

No fim das contas, o Citroën C6 continua sendo exatamente aquilo que sempre foi: um carro que desperta emoções. Seja pela elegância, pela tecnologia ou pela fama de "lasanha francesa", ele permanece como um dos sedãs mais fascinantes e incompreendidos já produzidos pela indústria automobilística.