quarta-feira, 26 de agosto de 2026

INÉDITO: TERCEIRA VIA GANHA FÔLEGO? AUGUSTO CURY DISPARA NAS BUSCAS APÓS DEBATE DA BAND

 Crescimento superior a 1.000% nas pesquisas pelo nome do candidato coloca o escritor e presidenciável do Avante no centro das atenções e abre uma nova discussão na corrida eleitoral de 2026

A eleição presidencial de 2026 ganhou um novo elemento de discussão após o primeiro debate realizado pela Band. O nome de Augusto Cury (Avante), que até então aparecia de maneira mais discreta no cenário eleitoral, registrou uma forte explosão de interesse na internet depois de sua participação no confronto realizado no último domingo (23).

Segundo dados divulgados com base no Google Trends, as buscas pelo nome de Cury cresceram mais de 1.000% nas horas seguintes ao debate. O movimento chamou atenção justamente por ocorrer em um momento no qual a disputa presidencial continua fortemente marcada pela polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

O número, por si só, não representa intenção de voto. Mas revela algo importante para qualquer candidatura: Augusto Cury conseguiu despertar a curiosidade de uma parcela significativa do eleitorado.

E esse pode ser o primeiro passo para transformar um nome até então menos conhecido eleitoralmente em uma candidatura capaz de ocupar espaço no debate nacional.

UM DEBATE FORA DO PADRÃO

O encontro da Band acabou sendo marcado justamente pelas ausências. Lula e Flávio Bolsonaro não participaram, enquanto Romeu Zema também deixou o debate. Com isso, apenas Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury estiveram no palco.

A ausência dos dois líderes da disputa provocou críticas e alterou completamente a dinâmica do confronto.

Cury chegou a anunciar, antes do início do programa, que não participaria do debate em protesto contra a ausência de Lula e Flávio. Pouco depois, entretanto, mudou de posição após conversar com o jornalista Fernando Mitre e decidiu participar.

A atitude acabou dando ao candidato uma exposição adicional.

No palco, Cury procurou se apresentar como uma alternativa ao ambiente de confronto permanente que domina a política brasileira. Em diferentes momentos, criticou a agressividade do debate político e defendeu a necessidade de reconstruir o diálogo democrático.

Para um candidato que tenta transformar uma trajetória consolidada como escritor em capital político, o momento foi particularmente importante.

DE ESCRITOR A PRESIDENCIÁVEL

Conhecido nacionalmente por seus livros e por sua atuação como psiquiatra, Augusto Cury entrou oficialmente na corrida presidencial depois que o Avante confirmou sua candidatura no início de agosto.

Sua campanha tenta justamente transformar a imagem construída ao longo de décadas fora da política em uma proposta de governo.

Entre as ideias apresentadas pelo candidato está a defesa de mudanças no sistema político brasileiro, incluindo a adoção do semipresidencialismo. A proposta prevê uma divisão maior de responsabilidades entre o presidente e um primeiro-ministro.

Durante o debate, Cury também apresentou propostas relacionadas à economia, educação, segurança pública, relações internacionais e combate à corrupção. Entre suas declarações esteve a defesa de que crimes de corrupção sejam tratados com maior rigor e tenham julgamento em prazo máximo de seis meses.

A estratégia parece clara: apresentar-se como alguém que chega à política trazendo uma experiência construída fora dos tradicionais grupos políticos.

O EFEITO DAS REDES SOCIAIS

O crescimento superior a 1.000% nas buscas é, talvez, o dado mais simbólico do momento.

Em poucas horas, milhares de pessoas passaram a procurar informações sobre quem é Augusto Cury, sua trajetória, suas propostas e sua candidatura.

Nas redes sociais, também começaram a aparecer manifestações de internautas discutindo o desempenho do candidato e comparando sua postura com a dos demais presidenciáveis.

É importante, porém, fazer uma distinção: aumento nas buscas não significa automaticamente aumento nas intenções de voto.

Uma pessoa pode procurar o nome de um candidato por curiosidade, por discordar de suas ideias ou simplesmente porque ele passou a ser assunto nas redes sociais.

Ainda assim, em uma campanha eleitoral cada vez mais dependente da comunicação digital, conseguir transformar uma participação em debate em milhares de pesquisas espontâneas é um ativo político relevante.

A TERCEIRA VIA PODE RENASCER?

É justamente aqui que começa a principal pergunta.

A chamada terceira via já tentou, em diferentes eleições, romper a tradicional divisão entre os dois polos políticos predominantes. Em 2026, porém, o cenário continua bastante concentrado nos nomes de Lula e Flávio Bolsonaro.

Levantamento recente do Datafolha citado pela imprensa mostra Lula e Flávio na liderança, enquanto os demais candidatos aparecem em patamares significativamente menores. Augusto Cury ainda está distante dos primeiros colocados.

Por isso, seria precipitado afirmar que a explosão das buscas já representa uma virada eleitoral.

Mas também seria um erro ignorar o fenômeno.

O eleitor que procura informações sobre um candidato está, pelo menos naquele momento, demonstrando interesse em conhecê-lo. E transformar curiosidade em conhecimento, conhecimento em simpatia e simpatia em voto é justamente uma das grandes batalhas de uma campanha presidencial.

Cury agora precisa dar o próximo passo.

O DESAFIO É TRANSFORMAR CURIOSIDADE EM VOTO

O grande teste para Augusto Cury começa depois do debate.

O candidato terá de manter a exposição, ampliar sua presença nas redes sociais, apresentar propostas de maneira clara e convencer o eleitor de que sua candidatura representa algo além de uma reação momentânea à polarização.

Sua principal vantagem pode estar justamente na trajetória construída antes da política.

Seu nome já é conhecido por milhões de brasileiros, mas essa fama foi construída principalmente no mercado editorial e na área de desenvolvimento humano. O desafio consiste em transferir esse reconhecimento para o terreno eleitoral.

A pergunta que fica é simples:

o eleitor que pesquisou Augusto Cury na internet vai apenas descobrir quem ele é ou começará a considerá-lo uma opção para presidente?

Essa resposta ainda não existe.

O que existe, por enquanto, é um sinal que chamou atenção: depois de um debate esvaziado pela ausência dos principais líderes, Augusto Cury conseguiu transformar sua participação em um dos assuntos que mais despertaram curiosidade na internet.

E, em uma eleição na qual a atenção do eleitor vale ouro, talvez esse seja exatamente o tipo de oportunidade que uma candidatura de terceira via precisava.

Agora, os próximos levantamentos eleitorais dirão se a onda digital foi apenas um fenômeno passageiro ou o início de uma mudança mais profunda no cenário de 2026.

LITO SOUSA

 O homem que fez o Brasil perder o medo de voar

De mecânico de aeronaves a um dos maiores divulgadores da aviação no país, Lito Sousa transformou conhecimento técnico em confiança — e ensinou milhões de brasileiros a olhar para o céu sem medo.

Durante décadas, o avião foi, para muita gente, sinônimo de ansiedade. O barulho dos motores, uma turbulência, uma mudança de altitude ou até mesmo aquela sensação de que a aeronave estava “caindo” eram suficientes para transformar uma viagem em um verdadeiro teste de coragem.

Foi nesse território dominado pelo medo que surgiu uma das vozes mais conhecidas da aviação brasileira: Lito Sousa.

Mecânico de aeronaves, piloto, especialista em segurança e criador do canal Aviões e Músicas, Lito encontrou uma maneira simples de explicar um universo que, durante muito tempo, parecia inacessível ao passageiro comum.

Sua missão era quase pedagógica: mostrar que conhecer o avião é uma das melhores formas de deixar de temê-lo.

E funcionou.

Ao longo dos anos, sua linguagem direta, tranquila e bem-humorada conquistou milhões de pessoas. Mais do que falar sobre aviões, Lito passou a conversar com passageiros assustados, respondendo às perguntas que muitos tinham vergonha de fazer.

“Por que o avião balança?”

“E se um motor parar?”

“Por que a asa não quebra?”

“O que acontece quando um raio atinge a aeronave?”

Perguntas simples para quem trabalha na aviação, mas enormes para quem está sentado na poltrona 23A, olhando pela janela e tentando controlar a ansiedade.

UMA VIDA DENTRO DOS HANGARES

Antes de se tornar conhecido na internet, Lito passou décadas longe dos holofotes.

Nascido em 1967, ele inicialmente sonhava em trabalhar com navios. As dificuldades financeiras, porém, mudaram o caminho. No ensino técnico, encontrou a manutenção de aeronaves e acabou descobrindo uma nova paixão.

A partir daí, sua vida passou a girar em torno dos aviões.

Lito construiu uma carreira de mais de três décadas no setor, trabalhando como mecânico e ocupando funções ligadas à manutenção, operação e segurança. Passou por empresas e ambientes importantes da aviação, incluindo Varig e United Airlines.

Era o tipo de profissional que conhecia o avião por dentro.

Enquanto o passageiro enxergava apenas uma máquina enorme prestes a decolar, Lito conhecia sistemas, motores, procedimentos, manutenção e, principalmente, os mecanismos de segurança existentes por trás de cada voo.

Essa experiência seria fundamental para sua segunda — e talvez mais conhecida — carreira.

AVIÕES E MÚSICAS

Em 2004, Lito criou o blog Aviões e Músicas. A proposta nasceu da vontade de compartilhar informações que normalmente ficavam restritas aos profissionais da aviação. Mais tarde, o projeto chegou ao YouTube e ganhou uma dimensão que ninguém poderia imaginar.

O segredo estava justamente em não transformar a aviação em algo complicado.

Lito falava com o passageiro.

Explicava sem excesso de termos técnicos. Usava exemplos do cotidiano. Contava histórias. Mostrava imagens e, principalmente, respondia às dúvidas de quem tinha medo.

O canal se tornou uma verdadeira sala de aula sobre aviação.

Em 2026, Aviões e Músicas já ultrapassava 3,6 milhões de inscritos no YouTube, consolidando Lito como uma das principais referências brasileiras na divulgação de conhecimento sobre o setor aéreo.

Mas os números contam apenas uma parte dessa história.

A outra está nas pessoas que conseguiram embarcar depois de anos evitando aviões.

QUANDO A TURBULÊNCIA DEIXOU DE SER UM MONSTRO

Talvez o maior legado de Lito não esteja em explicar como funciona um motor ou como é realizada uma manutenção.

Está em transformar medo em conhecimento.

A turbulência é um dos melhores exemplos.

Para quem tem fobia de avião, uma turbulência pode parecer uma emergência. O corpo sente o movimento, a aeronave balança e imediatamente surge a sensação de perigo.

Lito ajudou a explicar que turbulência faz parte da realidade da aviação e que o movimento percebido pelo passageiro não significa, por si só, que a aeronave esteja em risco.

Essa diferença entre sensação e realidade tornou-se uma das ferramentas utilizadas por ele para ajudar pessoas a enfrentar o medo.

Sua metodologia chegou a milhares de passageiros. O próprio canal afirma que seu trabalho já ajudou mais de 5 mil pessoas a superar o medo de voar.

E histórias de pessoas que conseguiram finalmente viajar de avião passaram a fazer parte de sua trajetória.

Entre elas estão celebridades brasileiras que relataram publicamente como os conteúdos e orientações de Lito ajudaram a enfrentar a fobia.

DO HANGAR PARA A CABINE

A relação de Lito com a aviação não ficou limitada ao chão.

Depois de décadas trabalhando tecnicamente com aeronaves, ele também se tornou piloto privado. Em 2021, realizou o primeiro voo solo, completando uma espécie de ciclo que começou ainda nos hangares.

O homem que passou a vida explicando para outras pessoas como os aviões voam também passou a experimentar a sensação de estar aos comandos de uma aeronave.

Era uma demonstração simbólica de sua relação com a profissão.

Lito não falava sobre aviação apenas porque gostava de aviões.

Ele conhecia o assunto por experiência.

UM PROFESSOR QUE NÃO ESTAVA NA SALA DE AULA

Existe uma característica que ajuda a explicar o sucesso de Lito: ele nunca tratou o passageiro como alguém ignorante.

Ao contrário.

Ele entendia que o medo frequentemente nasce da falta de informação.

Quando uma pessoa não sabe o que está acontecendo, qualquer ruído pode parecer uma ameaça. Quando entende o funcionamento do avião, a mesma situação pode ser encarada de outra maneira.

Foi assim que Lito transformou vídeos de internet em ferramentas de educação.

Acidentes, incidentes, motores, turbulência, manutenção, procedimentos de emergência e curiosidades passaram a ser apresentados de forma compreensível.

Seu trabalho também ajudou a aproximar o público de uma área que costuma parecer extremamente técnica.

A aviação deixou de ser apenas aquilo que acontece atrás da porta da cabine de comando.

Passou a ser explicada.

E, principalmente, passou a ser entendida.

A MAIOR MISSÃO DE LITO

Depois de ensinar milhões de brasileiros a enfrentar o medo de voar, Lito Sousa passou a enfrentar uma turbulência muito mais difícil: uma rara doença neurodegenerativa.

Em agosto de 2026, a história de Lito Sousa ganhou um capítulo inesperado.

O homem que durante anos explicou que nem toda turbulência significa perigo passou a enfrentar uma das maiores turbulências de sua própria vida.

Lito, aos 59 anos, foi diagnosticado com doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição neurodegenerativa rara, progressiva e atualmente sem cura. O diagnóstico provocou uma enorme mobilização entre fãs, profissionais da aviação e personalidades brasileiras.

A notícia atingiu de maneira especialmente forte quem acompanhou sua trajetória.

Durante anos, Lito esteve do outro lado da tela dizendo para milhões de pessoas respirarem, entenderem o que estava acontecendo e não deixarem o medo dominar.

Agora, era ele quem precisava de esperança.

UMA REDE DE SOLIDARIEDADE

A repercussão foi imediata.

Presidentes de grandes companhias aéreas brasileiras, profissionais do setor, aeroportos e nomes importantes da aviação manifestaram apoio ao piloto e divulgador. A mobilização chegou também a instituições internacionais, enquanto a família busca possibilidades de tratamento experimental.

Um dos momentos mais emocionantes aconteceu quando o piloto Enderson Rafael, amigo de Lito, realizou um voo especial no Texas para escrever o nome “LITO” no céu utilizando a trajetória de seu Cessna 150.

O voo percorreu aproximadamente 80 quilômetros para formar a homenagem, em um gesto que rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais.

Era a aviação devolvendo a Lito um pouco de tudo aquilo que ele havia oferecido durante anos.

O LEGADO QUE FICA

Mesmo diante do diagnóstico, a história de Lito não pode ser resumida à doença.

Seu legado começou muito antes dela.

Está nos hangares onde trabalhou.

Nos aviões que ajudou a manter.

Nos profissionais que treinou.

Nos livros que escreveu.

Nos cursos que criou.

Nos milhares de passageiros que conseguiram embarcar.

E nos milhões de pessoas que aprenderam alguma coisa sobre aviação assistindo aos seus vídeos.

Lito também criou a Lito Academy, voltada à formação de profissionais da área aeronáutica, ampliando sua atuação para além da produção de conteúdo.

Seu livro “Onde Morrem os Aviões” também transformou parte de sua experiência profissional em registro para o público.

É como se Lito tivesse passado a vida inteira tentando responder à mesma pergunta:

Como podemos compreender melhor aquilo que nos assusta?

A resposta veio através da educação.

MAIS DO QUE AVIÕES

A trajetória de Lito Sousa é, acima de tudo, uma história sobre conhecimento.

Ele poderia ter permanecido conhecido apenas nos bastidores da aviação, como tantos profissionais extremamente qualificados que trabalham diariamente para manter aeronaves seguras.

Mas decidiu abrir as portas daquele universo.

Mostrou o que existe por trás dos ruídos.

Explicou o que acontece durante uma turbulência.

Falou sobre acidentes sem transformar tragédias em espetáculo.

Mostrou a importância da manutenção.

E ensinou que segurança aérea não é resultado de sorte.

É resultado de treinamento, tecnologia, procedimentos, manutenção, investigação e, principalmente, pessoas.

Talvez seja justamente por isso que sua influência tenha ultrapassado tanto o mundo da aviação.

Lito não ensinou apenas como um avião funciona.

Ele ensinou pessoas a confiar novamente.

O HOMEM QUE ENSINOU O BRASIL A OLHAR PARA O CÉU

Existe uma imagem que representa bem a trajetória de Lito.

De um lado, o profissional dentro de um hangar, cercado por ferramentas, motores e aeronaves.

Do outro, milhões de brasileiros sentados diante de uma tela, esperando que alguém explique por que aquele avião pode voar com segurança.

Entre esses dois mundos estava Lito.

Ele foi a ponte.

Transformou décadas de experiência em linguagem simples e levou o conhecimento dos hangares para dentro das casas.

Por isso, dizer que Lito Sousa “fez o Brasil perder o medo de voar” não é apenas uma frase bonita.

É reconhecer o impacto de um trabalho que alcançou pessoas muito além da comunidade aeronáutica.

Hoje, diante de sua própria batalha, a voz que tantas vezes acalmou passageiros continua sendo lembrada.

E talvez esse seja o maior reconhecimento que alguém poderia receber:

ser lembrado não apenas pelo que sabia, mas pelas pessoas que ajudou.

Lito passou anos ensinando que, diante de uma turbulência, o mais importante é manter a calma, confiar nos procedimentos e seguir em frente.

Agora, milhares de pessoas fazem o mesmo por ele.

Porque algumas pessoas passam pela nossa vida.

Outras nos ensinam a voar.

Lito Sousa pertence à segunda categoria.

UMA VIDA EM MOVIMENTO

1967 — Nasce Joselito Geraldo de Sousa.
Anos seguintes — Inicia sua formação e carreira na manutenção aeronáutica.
Carreira profissional — Atua em diferentes áreas da aviação, incluindo empresas como Varig e United Airlines.
2004 — Cria o blog Aviões e Músicas.
2010 — O projeto ganha força no YouTube e começa a alcançar um público cada vez maior.
2021 — Realiza seu primeiro voo solo como piloto.
2026 — Com milhões de seguidores, consolida-se como um dos maiores divulgadores de aviação do Brasil.
Agosto de 2026 — Recebe o diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob e inicia uma mobilização nacional em busca de alternativas de tratamento.

LITO SOUSA — UM LEGADO QUE DECOLA

Talvez daqui a muitos anos, quando alguém entrar em um avião sem medo, não saiba exatamente quem foi Lito Sousa.

Mas parte daquela tranquilidade terá passado por suas explicações.

Porque seu maior trabalho nunca foi falar de aviões.

Foi falar com pessoas.

E mostrar que, muitas vezes, aquilo que parece assustador fica menor quando finalmente conseguimos entendê-lo.

Lito ensinou o Brasil a voar — primeiro com conhecimento, depois com confiança.

E seu legado, como um avião que desaparece no horizonte depois da decolagem, continua seguindo adiante.

O SALTO IMPOSSÍVEL DE JAMES BOND

 A cena de 007 — O Homem com a Pistola de Ouro que transformou física, engenharia e coragem em um dos momentos mais espetaculares da história do cinema

Em 1974, James Bond voltou às telas cercado de perseguições, explosões, vilões e carros velozes. Mas uma determinada sequência de 007 — O Homem com a Pistola de Ouro conseguiu algo ainda mais impressionante: fazer um automóvel voar, girar no ar em uma espiral perfeita e pousar novamente sobre as quatro rodas.

O mais extraordinário é que aquilo não foi criado por computador.

Na época, os efeitos digitais que hoje permitem transformar praticamente qualquer ideia em uma imagem cinematográfica ainda estavam muito longe de existir. O que o público viu na tela foi resultado de um carro real, uma rampa real, cálculos precisos e uma equipe de profissionais disposta a transformar uma ideia aparentemente impossível em realidade.

O protagonista da manobra era um AMC Hornet, modelo produzido pela American Motors Corporation. No filme, o automóvel é lançado por uma rampa especialmente preparada e, durante o salto, realiza uma rotação longitudinal que cria o famoso efeito de “espiral” no ar.

A cena dura apenas alguns segundos. Porém, por trás daqueles segundos havia uma enorme quantidade de planejamento.

QUANDO A FÍSICA ENTRA EM CENA

Para que o salto desse certo, não bastava simplesmente acelerar o carro e colocá-lo diante de uma rampa.

Era necessário determinar a velocidade adequada, o ângulo de lançamento, o posicionamento do veículo e a distribuição de peso. Qualquer alteração poderia fazer com que o automóvel girasse de maneira diferente da planejada ou aterrissasse de forma perigosa.

A velocidade utilizada ficou em torno de 48 mph, aproximadamente 77 km/h.

A rampa também foi projetada especificamente para provocar o comportamento desejado do veículo. A combinação entre a geometria da estrutura e a dinâmica do automóvel fazia com que o Hornet deixasse o solo já preparado para iniciar a rotação.

O resultado parecia quase uma cena de desenho animado.

Mas era matemática.

O carro realmente percorria uma trajetória parabólica pelo ar enquanto realizava o movimento de rotação. Durante aquele breve instante, não havia como corrigir o veículo como se fosse possível simplesmente “virar o volante” no ar. Tudo precisava estar praticamente correto antes mesmo de o carro abandonar a rampa.

Era uma questão de física, engenharia e precisão.

UMA DAS CENAS MAIS FAMOSAS DE 007

A sequência acontece durante uma perseguição e foi concebida para demonstrar justamente aquilo que o cinema de James Bond sempre soube explorar: a combinação entre aventura, tecnologia, velocidade e situações que parecem desafiar os limites humanos.

Quando o Hornet aparece e inicia o salto, o espectador não tem tempo para pensar em cálculos ou engenharia.

Ele simplesmente vê o impossível acontecer.

O carro sobe pela rampa, deixa o chão e começa a girar. Por alguns instantes, o automóvel parece estar flutuando enquanto executa uma rotação espetacular. Em seguida, retorna à pista e continua sua trajetória.

É justamente essa simplicidade aparente que torna a sequência tão impressionante.

Hoje, um computador pode criar um veículo digital, fazê-lo voar, girar dezenas de vezes e pousar perfeitamente. Em 1974, entretanto, a equipe precisava construir fisicamente aquilo que seria filmado.

E isso mudava tudo.

MAIS DO QUE UMA DUBLÊ

A realização da cena exigiu a participação de especialistas em dublês, técnicos e profissionais envolvidos na preparação do veículo e da rampa.

O piloto precisava executar a aproximação com enorme precisão. A velocidade não poderia ser simplesmente aproximada. A trajetória precisava coincidir com aquilo que havia sido planejado.

Uma pequena diferença poderia comprometer todo o movimento.

Além disso, um automóvel lançado ao ar representa riscos consideráveis. O peso do veículo, a velocidade e a altura transformam qualquer erro em uma situação potencialmente grave.

Por isso, uma acrobacia cinematográfica daquela natureza era muito mais próxima de um teste de engenharia do que de uma simples manobra de direção.

O público, porém, não deveria perceber nada disso.

Na tela, tudo precisava parecer natural.

E funcionou.

UMA ACROBACIA QUE SOBREVIVEU AO TEMPO

Mais de cinco décadas depois, o salto do AMC Hornet continua sendo lembrado como uma das grandes acrobacias automobilísticas do cinema.

Isso acontece porque existe uma diferença fundamental entre assistir a um efeito digital e assistir a algo que realmente aconteceu diante das câmeras.

Sabemos que aquele automóvel existiu.

Sabemos que ele foi colocado diante de uma rampa.

Sabemos que percorreu aquela distância pelo ar.

E sabemos que o carro realmente girou.

Essa percepção muda completamente a experiência.

O espectador moderno está acostumado a cenas em que carros atravessam prédios, saltam distâncias impossíveis e realizam movimentos que desafiam completamente as leis da física. Muitas vezes, entretanto, não existe um carro de verdade realizando aquilo.

No caso de O Homem com a Pistola de Ouro, a tecnologia disponível era outra.

O cinema precisava encontrar soluções físicas para problemas que hoje seriam resolvidos digitalmente.

E foi justamente essa limitação que produziu uma das imagens mais memoráveis da franquia.

O SEGREDO ESTAVA NO CONTROLE

Um dos aspectos mais fascinantes da sequência é que ela não foi baseada apenas na coragem de um piloto.

Coragem era necessária, evidentemente. Mas coragem sem precisão não seria suficiente.

O salto dependia de uma combinação cuidadosamente calculada entre velocidade, rampa, trajetória e dinâmica do automóvel.

Quando o carro deixa o solo, sua trajetória passa a obedecer às leis da física. O movimento de rotação também precisa estar sincronizado com o deslocamento do veículo.

A ideia era fazer com que o Hornet completasse o movimento e encontrasse novamente o chão em uma posição adequada para continuar a perseguição.

É uma diferença importante: não se tratava simplesmente de fazer o carro saltar.

Era necessário fazer o carro saltar, girar e pousar corretamente.

Tudo isso em poucos segundos.

O CINEMA ANTES DO COMPUTADOR

A sequência representa muito bem uma época em que os grandes estúdios dependiam de efeitos práticos, miniaturas, maquetes, cabos, explosivos controlados, veículos modificados e especialistas em acrobacias.

Muitas das cenas que hoje seriam resolvidas em uma sala de computação gráfica precisavam ser planejadas fisicamente.

Isso criou uma tradição de grandes acrobacias automobilísticas que marcou o cinema das décadas de 1960, 1970 e 1980.

Os filmes de James Bond estiveram entre os principais responsáveis por popularizar esse tipo de espetáculo.

Os carros deixaram de ser simples meios de transporte para se transformar em verdadeiros protagonistas das sequências de ação.

E o AMC Hornet ganhou seu lugar nessa história.

O LEGADO DO HORN​​ET

O AMC Hornet nunca foi um dos automóveis mais famosos do mundo. Mas, graças a alguns segundos de cinema, acabou entrando para a cultura popular.

A imagem daquele carro realizando uma rotação no ar tornou-se imediatamente associada ao universo de James Bond.

É um exemplo curioso de como Hollywood consegue transformar um automóvel relativamente comum em uma máquina inesquecível.

O público talvez não lembrasse de todos os detalhes técnicos da produção. Mas dificilmente esqueceria o momento em que o carro saiu da estrada e girou no ar.

UMA CENA QUE NÃO PRECISAVA DE CGI

Existe uma ironia interessante nessa história.

Quanto mais avançada fica a tecnologia cinematográfica, mais fácil se torna reproduzir virtualmente aquilo que o AMC Hornet fez de verdade.

Hoje, uma equipe de efeitos visuais poderia criar uma versão digital do salto com enorme liberdade. Poderia modificar o ângulo, aumentar a altura, alterar a velocidade e repetir a cena quantas vezes fosse necessário.

Em 1974, porém, a situação era completamente diferente.

O carro precisava estar lá.

A rampa precisava estar lá.

O piloto precisava estar lá.

E a câmera precisava registrar o momento certo.

É por isso que a cena continua fascinante.

Ela representa uma época em que o cinema frequentemente colocava seus profissionais diante de desafios físicos reais para produzir alguns dos maiores espetáculos da tela.

O VOO QUE ENTROU PARA A HISTÓRIA

O salto do AMC Hornet é muito mais do que uma lembrança de um antigo filme de James Bond.

Ele é um retrato de uma época em que engenharia, matemática, mecânica e habilidade humana caminhavam lado a lado com a criatividade cinematográfica.

Foram poucos segundos de imagem.

Mas esses segundos exigiram planejamento, precisão e uma execução praticamente perfeita.

Décadas depois, quando o público assiste novamente à cena, existe algo que os efeitos digitais dificilmente conseguem reproduzir por completo: a certeza de que aquilo aconteceu de verdade.

Um carro real acelerou.

Uma rampa real lançou o veículo.

O automóvel realmente saiu do chão.

E, durante alguns instantes, o AMC Hornet pareceu desafiar a gravidade diante das câmeras.

Foi assim que James Bond transformou uma simples perseguição automobilística em uma das acrobacias mais lembradas da história do cinema.

Um salto de poucos segundos. Uma engenharia impressionante. E uma cena que, mais de 50 anos depois, continua voando na memória dos fãs de 007.

TIM CURRY

 O homem que transformou o estranho, o excêntrico e o assustador em arte

Do palco londrino ao cinema de Hollywood, o ator britânico construiu uma carreira marcada por personagens inesquecíveis — e encontrou em Dr. Frank-N-Furter e Pennywise dois papéis que atravessaram gerações.

O mundo do entretenimento perdeu um de seus artistas mais singulares.

Tim Curry morreu aos 80 anos, na noite de terça-feira, 25 de agosto de 2026, em sua casa, em Los Angeles. A informação foi divulgada inicialmente pelo TMZ e confirmada posteriormente pela Associated Press por meio de sua empresária e amiga de longa data, Marcia Hurwitz. A causa da morte não foi divulgada.

Mas falar de Tim Curry apenas como ator seria diminuir uma trajetória que atravessou o teatro, o cinema, a televisão, a música e a dublagem.

Curry era daqueles artistas impossíveis de confundir.

Sua voz grave e poderosa, o olhar intenso, a presença de palco e uma capacidade incomum de interpretar personagens extravagantes fizeram dele uma figura única da cultura pop.

Ao longo de décadas, ele conseguiu algo reservado a poucos: criou personagens que ultrapassaram suas próprias histórias e passaram a fazer parte do imaginário coletivo.

Entre todos eles, dois se tornaram eternos.

Dr. Frank-N-Furter.

E Pennywise.

Dois personagens completamente diferentes, mas unidos por uma característica: quando Tim Curry aparecia em cena, era impossível olhar para outro lugar.

ANTES DA FAMA

Timothy James Curry nasceu em 19 de abril de 1946, em Cheshire, na Inglaterra.

Desde jovem demonstrou interesse pelas artes e acabou seguindo o caminho do teatro. Estudou na Universidade de Birmingham e iniciou sua trajetória profissional nos palcos britânicos.

Foi no teatro que Curry começou a construir aquilo que se tornaria sua principal marca: a capacidade de ocupar completamente um personagem.

Ele não precisava necessariamente ser o protagonista tradicional.

Bastava entrar em cena.

Sua formação teatral seria fundamental para entender o artista que surgiria posteriormente no cinema.

Curry carregava para as telas uma intensidade que parecia vir diretamente do palco. Seus personagens raramente eram discretos. Mesmo quando aparecia por poucos minutos, deixava uma impressão duradoura.

E então surgiu um papel que mudaria sua vida.

FRANK-N-FURTER: O PERSONAGEM QUE QUEBROU REGRAS

Em 1973, Tim Curry interpretou pela primeira vez o cientista excêntrico Dr. Frank-N-Furter na montagem teatral de The Rocky Horror Show, em Londres.

Dois anos depois, repetiria o papel no cinema em The Rocky Horror Picture Show.

O filme, dirigido por Jim Sharman, não foi inicialmente um grande sucesso comercial.

Mas alguma coisa aconteceu com ele.

O público começou a descobrir a produção aos poucos.

Sessões especiais, fantasias, performances e exibições noturnas transformaram The Rocky Horror Picture Show em um fenômeno cultural.

E no centro de tudo estava Tim Curry.

Vestido com corset, salto alto, maquiagem pesada e uma atitude que desafiava padrões, Dr. Frank-N-Furter tornou-se uma das figuras mais reconhecíveis da história do cinema cult.

Mais do que um personagem, ele se transformou em símbolo de liberdade, extravagância e ruptura com convenções.

O filme também ajudou a ampliar a representação de identidades e comportamentos que raramente apareciam daquela maneira no cinema comercial da época.

Curry criou um personagem exagerado, provocador e teatral.

Mas havia algo além da provocação.

Havia humor.

Havia música.

Havia sensualidade.

Havia irreverência.

E havia uma enorme presença artística.

Décadas depois, Dr. Frank-N-Furter continuaria sendo uma referência.

Poucos personagens conseguiram envelhecer tão bem.

O HOMEM POR TRÁS DO MONSTRO

Depois do sucesso de Rocky Horror, Tim Curry poderia facilmente ter ficado preso à imagem de Frank-N-Furter.

Não ficou.

Ao longo das décadas seguintes, demonstrou uma versatilidade impressionante.

Interpretou vilões, mordomos, aristocratas, personagens cômicos, figuras sobrenaturais e personagens de animação.

Curry parecia entender uma coisa que poucos atores conseguem dominar:

não é necessário interpretar sempre o mesmo tipo de personagem para construir uma identidade artística.

Sua identidade estava justamente na transformação.

Em Clue — O Mistério das Sete Chaves, interpretou Wadsworth, o mordomo que conduz uma história repleta de humor, mistério e caos.

Em Esqueceram de Mim 2: Perdido em Nova York, apareceu como o concierge do luxuoso Plaza Hotel.

Em A Lenda, trabalhou ao lado de Tom Cruise e interpretou Darkness, levando ao filme uma presença visual e vocal marcante.

Também participou de produções como Os Três Mosqueteiros, Muppets: O Tesouro Perdido e inúmeras outras obras.

Mas ainda faltava aquele papel que faria uma geração inteira ter pesadelos.

PENNYWISE: O PALHAÇO QUE ASSUSTOU UMA GERAÇÃO

Em 1990, Tim Curry recebeu um dos papéis mais desafiadores de sua carreira: Pennywise, o palhaço assassino da minissérie It — Uma Obra-Prima do Medo, baseada no romance de Stephen King.

A produção foi dividida em duas partes e exibida pela televisão.

Naquela época, não havia os recursos digitais que hoje permitem criar praticamente qualquer criatura na tela.

Pennywise precisava funcionar principalmente através de maquiagem, figurino, iluminação, expressão corporal e atuação.

E Tim Curry fez o restante.

Seu Pennywise não dependia apenas de efeitos especiais.

O medo vinha da voz.

Do sorriso.

Dos movimentos.

Da maneira como olhava.

Da mudança repentina entre simpatia e ameaça.

Curry transformou um palhaço em uma figura aterrorizante.

Para milhões de espectadores, aquela imagem ficou gravada na memória.

Durante anos, quando alguém dizia “Pennywise”, era o rosto de Tim Curry que surgia.

O personagem tornou-se tão marcante que, décadas depois, quando a história voltou ao cinema com novas adaptações, Bill Skarsgård assumiu o papel.

Mas a versão de Curry permaneceu como referência.

Era impossível falar de Pennywise sem lembrar do homem que o interpretou primeiro na televisão.

MUITO ALÉM DOS VILÕES

Tim Curry não era apenas o homem por trás dos personagens assustadores. Era um artista completo, com uma carreira que também passou pela música e pelos grandes palcos.

Existe uma tendência de associar Tim Curry imediatamente aos personagens mais excêntricos de sua carreira.

É compreensível.

Dr. Frank-N-Furter e Pennywise são tão poderosos que quase parecem ter vida própria.

Mas limitar Curry a eles seria ignorar uma carreira extraordinariamente ampla.

O ator também construiu uma trajetória importante no teatro.

Foi indicado três vezes ao Tony Awards, uma das maiores premiações do teatro americano, por trabalhos em produções como My Favorite Year, Amadeus e Spamalot.

No palco, Curry encontrou um território onde sua principal característica — a presença — podia ser explorada ao máximo.

Ele cantava.

Dançava.

Interpretava.

Improvisava.

E, principalmente, sabia dominar uma plateia.

A VOZ QUE TAMBÉM ERA UM INSTRUMENTO

A música foi outro capítulo importante.

Entre o final dos anos 1970 e o início dos anos 1980, Tim Curry lançou três álbuns solo, explorando o rock e diferentes vertentes da música popular.

Sua voz, já reconhecida pelos personagens cinematográficos, ganhava outra dimensão quando utilizada em suas próprias músicas.

Era uma voz teatral, poderosa e dramática.

Exatamente como o artista.

Essa passagem pela música ajudou a reforçar uma característica que acompanhou Curry durante toda a carreira: ele nunca se limitou a uma única forma de expressão.

Cinema, teatro, televisão e música faziam parte do mesmo universo.

Para ele, interpretar era uma maneira de contar histórias.

UM ARTISTA QUE APRENDEU A ENVELHECER SEM DESAPARECER

Em 2012, Tim Curry sofreu um acidente vascular cerebral.

O episódio mudou profundamente sua rotina e deixou sequelas físicas, fazendo com que passasse a utilizar cadeira de rodas. Ainda assim, ele não abandonou a carreira artística.

A partir daquele momento, sua presença diante das câmeras tornou-se mais limitada, mas Curry continuou trabalhando principalmente com sua voz e participações em projetos de animação e dublagem.

Foi uma demonstração silenciosa de sua relação com a arte.

Mesmo quando o corpo impunha novas limitações, a voz continuava ali.

E sua identidade artística permanecia intacta.

Curry também passou a olhar para sua própria trajetória com maior distanciamento.

Em 2025, publicou o livro de memórias Vagabond, revisitando momentos de sua vida e carreira.

Era, de certa maneira, uma oportunidade para o próprio artista contar sua história.

O LEGADO DE FRANK-N-FURTER

Talvez nenhum personagem represente tão bem Tim Curry quanto Frank-N-Furter.

Não porque tenha sido seu único grande papel.

Mas porque sintetiza tudo aquilo que ele representava.

Liberdade.

Teatralidade.

Humor.

Exagero.

Coragem.

E a disposição de interpretar personagens que outros atores talvez recusassem.

Quando surgiu em The Rocky Horror Picture Show, Curry ajudou a criar uma figura que desafiava as convenções de gênero, comportamento e sexualidade no cinema popular.

O filme tornou-se um espaço de celebração para públicos que encontraram naquela extravagância uma forma de liberdade.

E o ator passou a ser associado definitivamente à cultura pop.

Décadas depois, fãs ainda se vestem como Frank-N-Furter em sessões especiais do filme.

Poucos atores conseguem produzir esse tipo de legado.

O LEGADO DE PENNYWISE

Se Frank-N-Furter representava a liberdade, Pennywise representava o medo.

E essa dualidade explica boa parte da genialidade de Tim Curry.

O mesmo ator capaz de provocar gargalhadas e desafiar convenções também conseguia fazer milhões de pessoas desligarem a televisão e verificarem se não havia um palhaço escondido no quarto.

Pennywise tornou-se uma das interpretações mais lembradas das adaptações de Stephen King.

O personagem não dependia de violência explícita.

Era psicológico.

Era imprevisível.

Era quase infantil.

E justamente por isso funcionava.

Curry compreendeu que o verdadeiro terror não estava necessariamente no que o personagem fazia.

Estava no que o espectador imaginava que ele poderia fazer.

UMA CARREIRA QUE NÃO CABE EM UMA PERSONAGEM

É difícil encontrar uma definição simples para Tim Curry.

Ator?

Sim.

Cantor?

Também.

Artista de teatro?

Sem dúvida.

Ícone da cultura pop?

Definitivamente.

Mas talvez a melhor definição seja outra:

Tim Curry era um transformista artístico.

Ele podia ser sedutor, engraçado, assustador, elegante, grotesco ou completamente absurdo.

E conseguia fazer tudo isso sem perder sua identidade.

Sua voz continuava reconhecível.

Seu olhar continuava reconhecível.

Sua presença continuava reconhecível.

Mas os personagens eram completamente diferentes.

Essa é uma das características que diferenciam os grandes intérpretes.

O ÚLTIMO ATO

A notícia de sua morte encerra uma trajetória de oito décadas.

Tim Curry nasceu na Inglaterra em 1946 e morreu em Los Angeles em 2026.

Entre esses dois momentos, construiu uma carreira que atravessou gerações.

Para alguns, ele será sempre Frank-N-Furter.

Para outros, será Pennywise.

Há quem se lembre do concierge de Esqueceram de Mim 2.

Do mordomo Wadsworth.

De Darkness.

Dos personagens de animação.

Dos discos.

Dos palcos.

Mas todos eles fazem parte da mesma história.

A história de um artista que nunca teve medo de ser diferente.

Tim Curry não precisava interpretar o herói tradicional.

Ele entendia que personagens estranhos também podiam ser fascinantes.

Que vilões podiam roubar a cena.

Que o exagero podia ser uma forma de arte.

E que uma voz poderia permanecer na memória muito depois de os créditos terminarem.

TIM CURRY — 1946–2026

1946 — Nasce em Cheshire, Inglaterra.
Década de 1960 — Inicia sua formação artística e aproxima-se do teatro.
1973 — Interpreta Dr. Frank-N-Furter na montagem original de The Rocky Horror Show em Londres.
1975 — Leva Frank-N-Furter ao cinema em The Rocky Horror Picture Show.
Final dos anos 1970/início dos 1980 — Lança três álbuns solo.
1990 — Interpreta Pennywise na minissérie It — Uma Obra-Prima do Medo.
1990–2000 — Participa de filmes como Clue, Esqueceram de Mim 2, A Lenda, Os Três Mosqueteiros e Muppets: O Tesouro Perdido.
2012 — Sofre um AVC e passa a utilizar cadeira de rodas, mantendo posteriormente trabalhos ligados principalmente à voz.
2025 — Publica suas memórias, Vagabond.
2026 — Morre aos 80 anos, em sua casa, em Los Angeles.

UMA LENDA QUE NÃO DESAPARECE

Alguns artistas são lembrados por um filme.

Outros, por uma música.

Alguns por um personagem.

Tim Curry conseguiu algo muito maior.

Ele criou personagens que se tornaram parte da memória coletiva.

Quando alguém ouvir uma risada estranha, poderá lembrar de Pennywise.

Quando uma música de Rocky Horror começar a tocar, Frank-N-Furter voltará à memória.

Quando alguém rever Esqueceram de Mim 2, reconhecerá imediatamente aquele rosto.

É assim que funciona o verdadeiro legado artístico.

A pessoa parte.

O personagem permanece.

E, enquanto houver alguém assistindo a um filme, descobrindo Rocky Horror, sentindo medo de Pennywise ou simplesmente admirando uma grande interpretação, Tim Curry continuará aparecendo diante de nós.

Não como uma lembrança distante.

Mas como aquilo que sempre foi:

um artista impossível de esquecer.

TIM CURRY — 1946–2026.

Uma lenda do cinema, do teatro, da música e da cultura pop.