O Arquiteto Ousado que Coloriu São Paulo
Enquanto o modernismo paulista buscava sobriedade e concreto aparente, João Artacho Jurado escolheu o caminho oposto: cores vibrantes, elementos decorativos exuberantes e uma arquitetura que misturava fantasia, glamour e funcionalidade.
Autodidata, empresário da construção civil e sem formação acadêmica tradicional em arquitetura, Jurado rompeu paradigmas nas décadas de 1940 e 1950. Foi amado pelo público — e criticado por parte da elite arquitetônica. Hoje, é reconhecido como um criador singular e visionário.
Artacho Jurado enxergava o edifício como experiência. Seus prédios não eram apenas moradia: eram cenário, estilo de vida e símbolo de modernidade.
Entre suas marcas registradas:
Fachadas com cores pastel e detalhes dourados
Jardins internos e áreas de convivência sofisticadas
Salões de festas panorâmicos
Uso cenográfico da iluminação
Referências ao art déco e ao modernismo hollywoodiano
Sua produção foi concentrada principalmente em bairros nobres de São Paulo, como Higienópolis e Bela Vista.
Principais Projetos
Edifício Bretagne
Edifício Bretagne (1958)
Localizado em Higienópolis, é uma de suas obras mais icônicas.
O prédio chama atenção pela volumetria marcante e pela cobertura exuberante, com salão de festas e terraço panorâmico. O uso de cores suaves contrasta com a rigidez do modernismo dominante da época.
O Bretagne virou símbolo da ousadia estética de Jurado.
Edifício Viadutos
Edifício Viadutos (1950s)
Localizado próximo ao centro de São Paulo, o edifício mistura curvas, cores e elementos decorativos inesperados.
Foi pensado como um conjunto residencial com forte identidade visual — quase cinematográfica. Sua implantação urbana dialoga com o dinamismo da região central.
Edifício Cinderela
Edifício Cinderela (1956)
O próprio nome já revela o espírito lúdico do arquiteto.
Com fachada colorida e detalhes ornamentais, o Cinderela expressa a leveza e o romantismo que caracterizam sua produção. Era arquitetura pensada para encantar.
Edifício Piauí
Edifício Piauí
Mais um exemplo do seu estilo vibrante. O edifício traz cores, varandas marcantes e soluções plásticas que quebravam a monotonia da paisagem urbana.
Amor Popular, Crítica Acadêmica
Durante anos, parte da crítica especializada torceu o nariz para sua arquitetura, considerada “exagerada” frente ao rigor modernista de arquitetos como:
Vilanova Artigas
Rino Levi
Mas o tempo foi generoso com Artacho Jurado. Hoje, sua obra é estudada como fenômeno cultural e como contraponto criativo à ortodoxia modernista.
Ele antecipou discussões contemporâneas sobre identidade, mercado imobiliário e experiência do morar.
Um Visionário do Mercado Imobiliário
Artacho Jurado também foi empreendedor. Fundador da Construtora Monções, entendia o desejo da classe média alta paulistana por glamour, conforto e distinção.
Seus prédios ofereciam:Elevadores modernosGaragens amplasÁreas sociais luxuosasVista privilegiadaForte identidade visualEle vendia estilo de vida — algo muito à frente do seu tempo.Legado e RedescobertaNas últimas décadas, sua obra passou por processo de valorização e preservação. Jovens arquitetos e historiadores enxergam em Jurado um criador autêntico, que ousou desafiar padrões.
João Artacho Jurado faleceu em 1983, mas deixou uma São Paulo mais colorida, mais plural e menos previsível.
Conclusão
João Artacho Jurado foi um arquiteto ousado porque não seguiu regras — criou as suas próprias.
Entre dourados, pastéis e terraços panorâmicos, construiu edifícios que parecem cenários de cinema. Em uma cidade marcada pelo concreto cinza, ele escolheu a cor.
E fez história.
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Para apreciadores da culinária japonesa tradicional





