domingo, 27 de setembro de 2026

ÁRBITRO MARGARIDA

 O juiz que transformou a arbitragem em espetáculo

Irreverente, extravagante e pioneiro, Jorge José Emiliano dos Santos virou uma das figuras mais marcantes do futebol brasileiro

Em um futebol acostumado a árbitros sérios, discretos e quase sempre distantes do espetáculo, um personagem decidiu fazer diferente.

Corria de maneira peculiar, gesticulava, fazia movimentos exagerados e comandava as partidas com uma personalidade que chamava a atenção de jogadores, torcedores e jornalistas.

Seu nome era Jorge José Emiliano dos Santos.

Mas o Brasil inteiro o conheceu como Margarida.

Carioca, nascido em 19 de março de 1954, Jorge Emiliano começou a ter contato com a arbitragem ainda muito jovem. Aos 13 anos, já observava e apitava partidas de futebol de praia no Rio de Janeiro. Seu estilo irreverente começou a aparecer justamente naquele ambiente, muito antes de chegar aos grandes estádios.

Durante os anos seguintes, aquele jeito peculiar de conduzir uma partida passou a fazer parte de sua identidade.

Até que, em 1988, Margarida chegou ao futebol profissional.

Sua estreia aconteceu em uma partida entre Flamengo e Volta Redonda, na Gávea, válida pela Taça Guanabara. A partir daquele momento, o árbitro deixou de ser apenas o homem responsável por aplicar as regras e passou a ser também uma atração à parte.

O ÁRBITRO QUE ROUBAVA A CENA

Margarida tinha uma maneira completamente diferente de interpretar o papel de árbitro.

Se outros juízes procuravam desaparecer durante a partida, ele fazia exatamente o contrário.

Seus gestos eram amplos. Sua corrida era característica. As marcações de falta ganhavam movimentos próprios. Cartões e advertências eram acompanhados de uma teatralidade que rapidamente conquistou o público.

Mas havia uma diferença fundamental: por trás do personagem irreverente existia um árbitro que levava sua profissão a sério.

Em campo, Margarida fazia questão de deixar claro que a personalidade não significava falta de autoridade.

Sua trajetória aconteceu em uma época em que o futebol brasileiro era marcado por forte preconceito contra homossexuais. Em 1988, Jorge Emiliano tornou pública sua homossexualidade e passou a enfrentar abertamente a discriminação dentro e fora dos estádios.

A estreia na elite, inclusive, foi acompanhada por manifestações homofóbicas vindas das arquibancadas.

Mesmo assim, Margarida continuou.

E, em pouco tempo, sua fama ultrapassou os limites do futebol.

DA ARBITRAGEM PARA A TELEVISÃO

O personagem Margarida era tão marcante que passou a frequentar programas de televisão.

Ele apareceu em atrações populares como Hebe, Viva a Noite, Passa ou Repassa, A Praça é Nossa e Os Trapalhões, além de ter apresentado o próprio programa, chamado “Papo de Margarida”, na TV Rio.

Também trabalhou como jurado e participou de programas de rádio como comentarista.

Era uma época em que personagens populares do futebol conseguiam facilmente ultrapassar as quatro linhas.

Margarida era um desses casos.

Sua imagem já não estava associada apenas ao apito.

O público reconhecia sua maneira de andar, correr, gesticular e falar.

O árbitro havia se transformado em personagem nacional.

QUANDO O ESPETÁCULO ESCONDE UMA HISTÓRIA DE CORAGEM

Por trás das brincadeiras, porém, existia uma história muito mais séria.

Jorge José Emiliano viveu em uma época em que assumir publicamente uma orientação sexual diferente da norma dominante significava enfrentar enormes barreiras sociais.

E ele fez isso justamente dentro de um dos ambientes tradicionalmente mais associados à masculinidade: o futebol.

Sua presença nos gramados ajudou a tornar visível uma discussão que o esporte brasileiro ainda evitava.

Pesquisas acadêmicas sobre futebol e diversidade destacam Jorge Emiliano como uma figura importante nesse processo, justamente por ter sido um árbitro assumidamente gay em um período de forte preconceito no futebol profissional.

Por isso, a história de Margarida não pode ser reduzida apenas aos seus trejeitos ou à sua maneira divertida de apitar.

Existe também a história de um homem que decidiu não esconder quem era.

E que fez isso em um dos ambientes mais conservadores do país.

UM EPISÓDIO QUE MOSTROU O TEMPERAMENTO DE MARGARIDA

A irreverência de Jorge Emiliano não significava que ele aceitasse qualquer coisa dentro de campo.

Em 1989, durante uma partida de futebol feminino no Estádio Caio Martins, ocorreu um episódio que terminou em confusão. Depois de ser ofendido por uma jogadora, Margarida perdeu o controle e a agrediu, provocando um tumulto entre atletas e dirigentes.

Posteriormente, ele pediu desculpas à jogadora, inclusive entregando-lhe uma flor — um gesto que acabou se tornando mais uma das histórias curiosas envolvendo o árbitro.

O episódio também revela uma característica importante de sua personalidade: Margarida era um personagem, mas também era uma pessoa real, sujeita às emoções e contradições que fazem parte de qualquer trajetória humana.

O DECLÍNIO E O FIM DA CARREIRA

A vida de Jorge Emiliano, entretanto, teria um desfecho precoce.

A partir do início dos anos 1990, sua saúde começou a se deteriorar.

Doente, chegou a sofrer com tuberculose nos dois pulmões e teve seu estado de saúde agravado progressivamente. Mesmo enfrentando dificuldades, ainda tentou retornar aos gramados em 1994.

O retorno, porém, durou pouco.

A doença já não permitia que continuasse exercendo a profissão que havia transformado sua vida.

Em 21 de janeiro de 1995, no Rio de Janeiro, Jorge José Emiliano dos Santos morreu aos 40 anos.

A imprensa da época registrou que ele morreu em decorrência da Aids. O sepultamento ocorreu no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

Era o fim de uma trajetória curta, mas extraordinariamente marcante.

MAS O NOME MARGARIDA NÃO DESAPARECEU

Curiosamente, a história não terminou com Jorge Emiliano.

Anos depois, outro árbitro passou a utilizar o mesmo apelido.

Clésio Moreira dos Santos, árbitro catarinense, criou uma personagem inspirada no primeiro Margarida e ficou conhecido nacionalmente pelo mesmo nome.

Seu estilo também era teatral e extravagante, com movimentos característicos e uma maneira muito particular de correr e sinalizar as infrações.

Foi assim que o nome Margarida ganhou uma segunda vida no futebol brasileiro.

Mas os dois não devem ser confundidos.

O primeiro Margarida foi Jorge José Emiliano dos Santos, carioca, árbitro profissional a partir de 1988 e uma das primeiras figuras assumidamente gays a ocupar espaço de destaque na arbitragem da primeira divisão brasileira.

O segundo foi Clésio Moreira dos Santos, que posteriormente adotou o personagem em homenagem ao antecessor.

UMA MEMÓRIA QUE CONTINUA

Margarida morreu há mais de três décadas, mas sua imagem permanece presente na memória do futebol brasileiro.

Parte dessa lembrança vem das cenas engraçadas, dos movimentos extravagantes e das histórias que protagonizou.

Outra parte vem do significado de sua presença.

Em uma época em que quase ninguém falava abertamente sobre diversidade sexual dentro do futebol, Jorge Emiliano ocupou o centro do palco.

Ele não foi apenas o árbitro que corria de maneira diferente.

Foi um personagem que desafiou expectativas, conquistou espaço e transformou sua própria maneira de ser em uma marca.

Seu nome continuou sendo usado por outro árbitro, seu estilo virou referência e sua história passou a ser lembrada em reportagens, livros e estudos sobre futebol e diversidade.

O HOMEM POR TRÁS DO PERSONAGEM

Talvez essa seja a melhor maneira de entender o legado de Margarida.

Ele não ficou conhecido apenas porque era engraçado.

Ficou conhecido porque era impossível ignorá-lo.

Em uma época em que o árbitro deveria ser praticamente invisível, Jorge José Emiliano dos Santos fez o contrário: entrou em campo, assumiu sua personalidade e transformou a arbitragem em espetáculo.

O futebol mudou.

Os uniformes mudaram.

A arbitragem mudou.

A televisão mudou.

Mas aquela figura correndo pelo gramado, fazendo seus gestos característicos e arrancando reações das arquibancadas continua viva na memória de quem acompanhou o futebol brasileiro dos anos 1980 e 1990.

Margarida morreu em 1995. O personagem, porém, nunca deixou completamente os gramados.

E talvez seja justamente essa a maior marca de Jorge José Emiliano dos Santos: décadas depois de sua última partida, o Brasil ainda sabe quem foi o árbitro Margarida.

sábado, 26 de setembro de 2026

A PINTURA QUE TRANSFORMOU UM CARRO DE FÓRMULA 1 EM UMA OBRA DE ARTE

 Preto, dourado, velocidade e história: a combinação que ajudou a transformar os carros da Lotus em alguns dos monopostos mais reconhecidos de todos os tempos

Poucas pinturas na história da Fórmula 1 conseguiram alcançar o mesmo nível de reconhecimento da combinação preta e dourada da Lotus. Elegante, agressiva e imediatamente identificável, a decoração tornou-se muito mais do que uma simples identidade visual: passou a fazer parte da própria história do automobilismo.

A famosa pintura nasceu da parceria entre a equipe britânica e a John Player Special (JPS), marca de cigarros da Imperial Tobacco. A partir do início dos anos 1970, os carros da Lotus passaram a exibir a sofisticada combinação de preto com detalhes dourados, criando uma aparência que contrastava radicalmente com as pinturas mais coloridas utilizadas por outras equipes da época.

O resultado foi tão marcante que, décadas depois, a decoração ainda permanece entre as mais lembradas pelos fãs da Fórmula 1.

O PRETO E DOURADO NO TOPO

Um dos primeiros grandes capítulos dessa história aconteceu em 1972, quando a Lotus Type 72, já com a identidade visual associada à JPS, tornou-se uma das protagonistas da temporada.

O brasileiro Emerson Fittipaldi viveu naquele ano um dos momentos mais importantes de sua carreira. Aos 25 anos, conquistou seu primeiro Campeonato Mundial de Pilotos de Fórmula 1, tornando-se o mais jovem campeão da categoria até então.

A Lotus também conquistou o Mundial de Construtores, consolidando uma temporada histórica para a equipe de Colin Chapman.

A combinação entre engenharia inovadora, desempenho competitivo e uma pintura extremamente marcante ajudou a transformar a Lotus preta e dourada em um verdadeiro ícone.

UMA IDENTIDADE QUE ATRAVESSOU GERAÇÕES

A parceria com a JPS não ficou restrita aos anos 1970. A identidade visual continuou associada à Lotus durante diferentes gerações de carros e pilotos.

E foi justamente na década de 1980 que o preto e dourado voltaria a ocupar um lugar especial na memória dos brasileiros.

Em 1985, um jovem piloto brasileiro chamado Ayrton Senna pilotava pela Lotus. Naquele ano, a equipe utilizava o modelo 97T, também vestido com a famosa decoração preta e dourada.

No Grande Prêmio de Portugal, realizado no circuito do Estoril, Senna protagonizou uma das atuações mais impressionantes de sua carreira.

Debaixo de uma chuva intensa, o brasileiro dominou a corrida enquanto diversos adversários enfrentavam dificuldades. Senna cruzou a linha de chegada em primeiro lugar e conquistou sua primeira vitória na Fórmula 1.

A imagem daquele Lotus 97T preto e dourado deslizando pelo asfalto molhado entrou definitivamente para a história.

Para os fãs brasileiros, aquela pintura passou a estar associada não apenas à tradição da Lotus, mas também ao nascimento de uma das maiores carreiras da história da Fórmula 1.

A LOTUS 98T E O AUGE DA ERA SENNA

No ano seguinte, Ayrton Senna continuou defendendo a Lotus e passou a pilotar o Lotus 98T, outro dos monopostos mais lembrados da década de 1980.

O carro mantinha a tradicional pintura preta e dourada da JPS e incorporava uma das características mais impressionantes daquela geração da Fórmula 1: o poderoso motor Renault V6 turbo.

Em 1986, Senna voltou a mostrar sua velocidade em classificação. Ao longo da temporada, conquistou oito pole positions e venceu duas corridas, nos Grandes Prêmios da Espanha e dos Estados Unidos, em Detroit.

O 98T tornou-se um dos símbolos da chamada era turbo da Fórmula 1, quando os motores chegavam a produzir níveis impressionantes de potência e os pilotos precisavam administrar carros extremamente rápidos e difíceis de controlar.

Nas mãos de Senna, o Lotus preto e dourado tornou-se ainda mais famoso.

Cada aparição do carro nas pistas ajudava a reforçar a associação entre aquela pintura e um estilo de pilotagem que impressionava pela velocidade, precisão e capacidade de extrair desempenho do monoposto.

O FIM DE UMA ERA

A história da pintura preta e dourada da Lotus chegou a uma mudança importante em 1987.

A equipe deixou de utilizar a identidade visual da John Player Special e passou a competir com uma nova decoração, predominantemente amarela, associada à patrocinadora Camel.

Era o fim de uma parceria que havia produzido algumas das imagens mais marcantes da história da Fórmula 1.

A Lotus continuaria sendo uma equipe importante no automobilismo, mas a ausência do preto e dourado deixaria uma sensação de nostalgia entre os admiradores.

A pintura havia conseguido algo raro no esporte: transformar uma combinação de cores em uma identidade reconhecida mundialmente.

MUITO ALÉM DA ESTÉTICA

O sucesso do preto e dourado não pode ser explicado apenas pela beleza da combinação.

A decoração ficou eternamente ligada a momentos importantes da Fórmula 1: o título mundial de Emerson Fittipaldi em 1972, as grandes temporadas da Lotus nos anos 1970 e, principalmente para o público brasileiro, a primeira vitória de Ayrton Senna em 1985 e suas impressionantes atuações com o Lotus 98T em 1986.

É justamente essa associação com grandes pilotos, grandes carros e grandes momentos que transformou a pintura em algo maior do que uma simples estratégia de patrocínio.

Com o passar dos anos, réplicas, carros históricos, miniaturas, capacetes e produtos relacionados à Lotus continuaram reproduzindo o famoso padrão.

O preto representa a sobriedade. O dourado acrescenta exclusividade. Juntos, criaram uma das identidades mais sofisticadas que o automobilismo já conheceu.

UMA PINTURA ETERNA

Na Fórmula 1, carros mudam, patrocinadores mudam e regulamentos mudam. Mas algumas imagens permanecem.

A Lotus preta e dourada é uma delas.

Quando um modelo como o Type 72 aparece em fotografias históricas, quando o Lotus 97T surge nas imagens daquela corrida chuvosa no Estoril ou quando o 98T de Senna é lembrado pelos fãs da era turbo, existe um elemento visual imediatamente reconhecível: o preto cortado pelo dourado.

Mais do que uma pintura, aquela combinação tornou-se um símbolo de velocidade, elegância, inovação e memória.

Foi a união perfeita entre automobilismo e identidade visual.

E talvez seja justamente por isso que, décadas depois de os carros da Lotus terem deixado de utilizar aquela decoração, basta alguém dizer “Lotus preta e dourada” para que uma sucessão de imagens venha imediatamente à memória: Emerson Fittipaldi, Ayrton Senna, Colin Chapman, a era turbo, a chuva do Estoril e alguns dos carros mais belos que já passaram pelas pistas.

Uma pintura que não ficou apenas na história da Fórmula 1. Ela se tornou parte dela.

GP DO BRASIL DE 1993

 A última volta de uma vitória que virou história

28 de março de 1993. Autódromo de Interlagos, São Paulo. O cenário já era especial antes mesmo de os carros entrarem na pista. Diante de uma torcida apaixonada, Ayrton Senna tinha pela frente um dos maiores desafios de sua carreira: enfrentar as poderosas Williams-Renault em uma corrida marcada pela chuva, pela estratégia e por condições extremamente difíceis.

No domingo, Interlagos recebeu mais uma edição do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1. Senna largava com a McLaren-Ford, enquanto a Williams contava com Alain Prost e Damon Hill. O carro da equipe inglesa era considerado tecnicamente superior, mas a Fórmula 1 não se resume apenas à potência de um motor ou à eficiência de um projeto.

Em pista molhada, experiência, sensibilidade e capacidade de adaptação poderiam fazer toda a diferença.

E foi exatamente isso que aconteceu.

A CHUVA MUDA A CORRIDA

A chuva apareceu com força e transformou Interlagos em um enorme desafio. A pista ficou escorregadia, os carros passaram a exigir ainda mais atenção dos pilotos e cada curva poderia representar uma mudança na classificação.

Senna, conhecido por seu extraordinário desempenho em condições de chuva, encontrou naquele cenário a oportunidade de mostrar novamente por que tinha uma relação tão especial com pistas molhadas.

Enquanto os pilotos lutavam contra a aderência limitada, o brasileiro avançava na corrida. A combinação entre velocidade, precisão e leitura das condições da pista permitiu que Senna colocasse sua McLaren em uma posição privilegiada.

Do outro lado, as Williams continuavam sendo uma ameaça constante.

UM DUELO CONTRA A WILLIAMS

A temporada de 1993 tinha começado com a Williams demonstrando sua força. Alain Prost e Damon Hill dispunham de um dos conjuntos mais competitivos do grid.

Senna, entretanto, não precisava ter o carro mais rápido para transformar a corrida em um espetáculo.

Precisava apenas encontrar o limite.

E encontrou.

Com a chuva tornando cada volta imprevisível, o brasileiro conseguiu controlar a situação e manter-se à frente. Damon Hill terminou em segundo lugar, enquanto Michael Schumacher, da Benetton-Ford, completou o pódio.

O resultado era muito mais do que uma vitória diante da torcida brasileira.

Era uma demonstração de que, em determinadas condições, a habilidade do piloto poderia alterar completamente a lógica estabelecida pelo desempenho dos equipamentos.

A ÚLTIMA VOLTA E A BANDEIRADA

As últimas voltas daquele Grande Prêmio ficaram gravadas na memória dos torcedores.

Senna já sabia que estava muito perto de conquistar mais uma vitória em casa. Dentro do cockpit, porém, não havia espaço para comemoração antecipada. A pista continuava exigente e qualquer erro poderia colocar tudo a perder.

A McLaren seguia firme.

Curva após curva, Senna conduzia o carro até completar a volta decisiva. A torcida acompanhava cada movimento, esperando pelo momento que todos queriam ver.

Então veio a bandeirada.

Ayrton Senna era novamente vencedor do Grande Prêmio do Brasil.

O brasileiro cruzou a linha de chegada em primeiro, seguido por Damon Hill e Michael Schumacher.

Mas a corrida ainda não havia terminado.

INTERLAGOS VAI ABAIXO

Assim que Senna recebeu a bandeirada, a emoção tomou conta do autódromo.

A torcida invadiu a pista e correu em direção ao vencedor. Em poucos instantes, Interlagos deixou de ser apenas um circuito de Fórmula 1 e transformou-se no palco de uma das comemorações mais marcantes da história do automobilismo brasileiro.

Senna parou e foi cercado pelos fãs.

O piloto, então, foi carregado pela multidão em uma cena que simbolizava a relação única entre o brasileiro e o público de Interlagos.

Bandeiras, gritos e lágrimas tomaram conta da pista.

Era a celebração de uma vitória conquistada diante de sua torcida, em uma corrida na qual a chuva havia transformado completamente as condições do espetáculo.

UMA MARCA PARA A McLAREN

A vitória também entrou para a história da equipe.

Com o triunfo de Senna, a McLaren alcançou sua 100ª vitória na Fórmula 1, uma marca histórica para uma das equipes mais tradicionais da categoria.

O número dava ainda mais significado à conquista.

De um lado, a história da McLaren chegava a um número simbólico. Do outro, Senna escrevia mais um capítulo de sua própria trajetória no Grande Prêmio do Brasil.

UMA VITÓRIA PARA A ETERNIDADE

O GP do Brasil de 1993 permanece como uma das corridas mais lembradas da passagem de Ayrton Senna pela Fórmula 1.

A combinação era perfeita para uma memória que atravessaria gerações: Interlagos, chuva, uma McLaren, uma torcida apaixonada e Ayrton Senna no primeiro lugar.

Naquele 28 de março, o brasileiro mostrou novamente sua capacidade de transformar uma corrida difícil em um espetáculo inesquecível.

Quando a bandeirada finalmente caiu, não era apenas o fim de uma prova.

Era o começo de uma celebração.

Senna havia vencido em Interlagos.

E, mais uma vez, o autódromo brasileiro tinha sido testemunha de um daqueles momentos que permanecem para sempre na história da Fórmula 1.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

McDONALD’S CHEGA AO ACRE: RIO BRANCO RECEBERÁ A PRIMEIRA UNIDADE DA REDE NO ESTADO

 Após quase 47 anos de atuação no Brasil, uma das marcas mais conhecidas do mundo do fast-food finalmente desembarca no Acre. Restaurante será instalado em Rio Branco e deverá criar cerca de 50 empregos diretos.


Durante décadas, os acreanos acompanharam a expansão do McDonald’s pelo Brasil sem contar com uma unidade da rede em seu próprio estado. Essa história, porém, está prestes a mudar.

A tradicional marca norte-americana de fast-food prepara sua chegada ao Acre com a abertura de seu primeiro restaurante em Rio Branco. A inauguração está prevista para novembro de 2026, marcando uma nova etapa da expansão da rede pelo território brasileiro.

A chegada representa um momento aguardado por muitos consumidores acreanos e coloca o Acre definitivamente no mapa de expansão da maior rede de restaurantes de fast-food do mundo.

O novo restaurante será instalado no Via Verde Shopping, um dos principais centros comerciais da capital acreana. A administração do empreendimento confirmou a chegada da marca em setembro, embora a data exata da inauguração ainda não tenha sido divulgada.

UMA ESPERA DE QUASE CINCO DÉCADAS

O McDonald’s iniciou sua trajetória no Brasil em 1979. Desde então, a marca avançou para diferentes regiões, capitais e cidades brasileiras, construindo uma extensa rede de restaurantes.

A expansão chegou a praticamente todo o território nacional, mas o Acre permaneceu como uma exceção.

Agora, aproximadamente 47 anos depois do início da operação brasileira, Rio Branco receberá a primeira unidade da rede no estado. A abertura representa não apenas a chegada de uma nova opção gastronômica, mas também um marco simbólico para o mercado consumidor local.

Para os moradores da capital acreana, a novidade encerra uma longa espera.

A presença de grandes redes nacionais e internacionais de alimentação costuma acompanhar o crescimento dos centros urbanos, dos shopping centers e do consumo fora do lar. A instalação do McDonald’s em Rio Branco acompanha justamente esse movimento.

CERCA DE 50 NOVOS EMPREGOS

Além da novidade gastronômica, a chegada da rede deverá produzir impacto direto no mercado de trabalho.

A nova operação deve gerar aproximadamente 50 empregos formais diretos em Rio Branco. As oportunidades deverão envolver diferentes funções necessárias ao funcionamento de um restaurante da rede, desde atendimento e preparação de alimentos até atividades administrativas e operacionais.

A geração de empregos também faz parte de uma característica histórica da Arcos Dorados, empresa responsável pela operação do McDonald’s em diversos mercados da América Latina.

Em seus canais oficiais, a companhia destaca programas de capacitação, treinamento e desenvolvimento profissional, inclusive para pessoas que estão ingressando no primeiro emprego formal.

Dessa forma, a chegada da marca ao Acre poderá representar uma porta de entrada para trabalhadores que buscam sua primeira experiência profissional ou desejam construir uma trajetória no setor de alimentação e serviços.

OPERAÇÃO DA ARCOS DORADOS

A unidade de Rio Branco será administrada pela Arcos Dorados, responsável pela operação do McDonald’s em 21 países da América Latina e do Caribe. A empresa se apresenta como a maior franquia independente do McDonald’s no mundo.

A companhia trabalha com os padrões internacionais da marca em áreas como qualidade, segurança alimentar, higiene, atendimento e treinamento de funcionários.

Isso significa que os consumidores acreanos deverão encontrar em Rio Branco a mesma identidade visual, os processos operacionais e a experiência de atendimento associados ao McDonald’s em outras cidades brasileiras.

A unidade também deverá seguir o conceito adotado pela empresa em seus projetos mais recentes, adaptando a operação às características do público e do mercado local.

UMA NOVA MARCA NO CENÁRIO DE RIO BRANCO

A chegada do McDonald’s acontece em um momento de transformação do mercado de alimentação em Rio Branco.

A capital acreana já conta com restaurantes independentes, hamburguerias e redes nacionais que disputam a preferência dos consumidores. A instalação de uma marca internacional acrescenta um novo participante a esse cenário.

Curiosamente, a chegada do McDonald’s também ganhou repercussão depois de uma campanha envolvendo uma de suas principais concorrentes no mercado brasileiro. Em março de 2026, o Burger King havia feito uma ação que chamou atenção para a ausência do McDonald’s no Acre.

Meses depois, a expectativa virou realidade.

A confirmação da nova unidade rapidamente repercutiu entre consumidores e empresários locais, transformando a chegada da rede em um dos assuntos mais comentados do setor de alimentação na capital.

MAIS DO QUE UM RESTAURANTE

Para uma marca global, abrir uma primeira unidade em determinado estado significa mais do que simplesmente instalar um novo ponto de venda.

Existe toda uma estrutura por trás da operação: contratação de funcionários, treinamento de equipes, fornecedores, logística, tecnologia, atendimento e integração com os canais digitais da empresa.

No caso de Rio Branco, a abertura também representa a entrada de uma nova marca de alcance internacional em um mercado que, durante décadas, ficou fora do mapa físico da rede.

A expectativa é que a unidade tenha uma estrutura voltada para diferentes públicos, incluindo famílias, jovens e consumidores que já conhecem a marca através de viagens ou dos meios digitais.

O ACRE ENTRA NO MAPA DO MÉQUI

A expressão "Méqui", popularizada pela própria comunicação brasileira do McDonald’s, deverá ganhar um novo endereço no país.

Rio Branco passa a integrar a lista de capitais brasileiras com presença da marca, consolidando mais uma etapa do processo de expansão nacional.

A empresa mantém atualmente canais digitais para pedidos, delivery e localização de restaurantes, enquanto a Arcos Dorados destaca investimentos em treinamento, desenvolvimento e oportunidades profissionais em seus mercados de atuação.

Para o consumidor acreano, entretanto, a novidade tem um significado mais simples: finalmente será possível entrar em um McDonald’s sem precisar sair do estado.

NOVEMBRO SERÁ O MÊS DA ESTREIA

A previsão divulgada é de que a primeira unidade do McDonald’s no Acre seja inaugurada em novembro de 2026.

A data oficial de abertura ainda deverá ser anunciada. O restaurante ficará no Via Verde Shopping, em Rio Branco, e a expectativa em torno da inauguração já movimenta consumidores e o setor empresarial local.

Depois de quase cinco décadas de presença no Brasil, o McDonald’s finalmente completará mais uma etapa de sua expansão nacional.

O Acre, que durante anos ficou fora do mapa da rede, passará a ter sua própria unidade.

E, para muitos acreanos, a pergunta que durante tanto tempo ficou sem resposta finalmente poderá ser substituída por uma bem mais simples:

“Vamos ao McDonald’s?”

UM NOVO CAPÍTULO

A chegada da rede a Rio Branco representa um daqueles momentos em que uma marca conhecida nacionalmente passa a fazer parte do cotidiano de uma nova população.

Com aproximadamente 50 empregos diretos previstos, instalação no Via Verde Shopping e operação sob responsabilidade da Arcos Dorados, a primeira unidade acreana deverá combinar a conhecida identidade internacional do McDonald’s com a realidade do mercado local.

Em novembro, caso o cronograma seja mantido, o Acre deixará de ser o único estado brasileiro sem uma unidade da tradicional rede de fast-food.

Será o início de uma nova história do McDonald’s no extremo oeste da Amazônia brasileira.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

GP DO AZERBAIJÃO: BAKU RECEBE UMA CORRIDA DIFERENTE NO CALENDÁRIO DA FÓRMULA 1

 Pela primeira vez na temporada, a Fórmula 1 terá um Grande Prêmio disputado no sábado. Mudança no calendário está relacionada a uma data nacional do Azerbaijão

A Fórmula 1 desembarca em Baku para mais uma etapa da temporada 2026, mas o fim de semana será diferente do habitual. O Grande Prêmio do Azerbaijão, tradicionalmente realizado aos domingos, acontecerá excepcionalmente no sábado, 26 de setembro, com largada marcada para 8h no horário de Brasília.

A mudança foi oficializada pela Fórmula 1 e pela FIA após um pedido do promotor do evento e de autoridades governamentais do Azerbaijão. Originalmente programada para domingo, 27 de setembro, a corrida foi antecipada em um dia para acomodar uma data nacional do país.

Com isso, todo o cronograma do Grande Prêmio também foi deslocado. As atividades começam na quinta-feira, 24 de setembro, com dois treinos livres. Na sexta-feira, acontecem o terceiro treino livre e a classificação. No sábado, os pilotos entram na pista para a disputa da corrida principal.

UM FIM DE SEMANA FORA DO PADRÃO

A programação começa cedo para os fãs brasileiros. Na quinta-feira, o primeiro treino livre está marcado para 5h30, seguido pelo segundo treino, às 9h, ambos no horário de Brasília.

Na sexta-feira, novamente às 5h30, acontece o terceiro treino livre. Mais tarde, às 9h, os pilotos disputam a classificação que definirá o grid de largada.

O momento principal chega no sábado. Às 8h de Brasília, os carros deixam o grid para a disputa do Grande Prêmio do Azerbaijão.

O calendário oficial da Fórmula 1 confirma que a etapa de Baku será realizada entre os dias 24 e 26 de setembro, com a corrida marcada para sábado.

POR QUE A CORRIDA FOI ANTECIPADA?

A alteração está relacionada ao Dia da Memória, celebrado no Azerbaijão em 27 de setembro. A data nacional é dedicada à memória dos militares mortos na guerra de 2020 em Nagorno-Karabakh.

Para evitar a realização de um grande evento esportivo na mesma data, a organização do Grande Prêmio solicitou a antecipação da etapa. A Fórmula 1 e a FIA aceitaram a mudança, transferindo toda a programação de Baku um dia para frente.

Assim, em 2026, o GP do Azerbaijão se torna uma das raras exceções no calendário da categoria: uma corrida realizada no sábado.

BAKU: VELOCIDADE ENTRE O MAR CÁSPIO E A CIDADE ANTIGA

O cenário escolhido para a corrida é um dos mais particulares da Fórmula 1. O Baku City Circuit utiliza as ruas da capital do Azerbaijão e combina longas retas de alta velocidade com setores estreitos e extremamente técnicos.

O circuito possui 6,003 quilômetros de extensão e 51 voltas durante o Grande Prêmio. O traçado passa próximo à cidade antiga de Baku, com suas muralhas históricas, além de acompanhar áreas próximas ao Mar Cáspio.

Uma das características mais marcantes do circuito é justamente o contraste entre velocidade e precisão. Em determinados pontos, os carros conseguem atingir velocidades muito altas, enquanto o trecho próximo às antigas muralhas da cidade exige atenção máxima dos pilotos por ser estreito e cercado por barreiras.

Baku entrou no calendário da Fórmula 1 em 2016, inicialmente como sede do Grande Prêmio da Europa. No ano seguinte, passou a receber oficialmente o Grande Prêmio do Azerbaijão. Em 2026, a cidade completa uma década como parte do calendário da categoria.

ONDE ACOMPANHAR A CORRIDA

Para o público brasileiro, o fim de semana terá cobertura completa pelo sportv3, incluindo os treinos, a classificação e a corrida. A TV Globo não transmitirá o GP do Azerbaijão ao vivo na televisão aberta, já que a etapa de Baku não está entre as corridas selecionadas para transmissão ao vivo pela emissora em 2026.

A programação também poderá ser acompanhada pelas plataformas digitais oficiais da categoria, de acordo com a disponibilidade de transmissão.

ANOTE OS HORÁRIOS

QUINTA-FEIRA — 24 DE SETEMBRO
• Treino Livre 1 — 5h30
• Treino Livre 2 — 9h

SEXTA-FEIRA — 25 DE SETEMBRO
• Treino Livre 3 — 5h30
• Classificação — 9h

SÁBADO — 26 DE SETEMBRO
• Grande Prêmio do Azerbaijão — 8h

Todos os horários acima estão no horário de Brasília.

UMA CORRIDA COM CLIMA ESPECIAL

Além da velocidade, Baku oferece à Fórmula 1 um dos cenários urbanos mais reconhecíveis do campeonato. Carros modernos de competição dividem espaço visual com as muralhas da cidade antiga, o horizonte de Baku e o litoral do Mar Cáspio.

Em 2026, esse cenário ganha ainda um ingrediente adicional: a corrida será realizada em um sábado e terá sua programação concentrada entre quinta e sábado.

Para quem acompanha a Fórmula 1 no Brasil, será necessário ajustar o despertador. O GP começa às 8h da manhã de sábado, 26 de setembro.

Baku promete novamente transformar as ruas da capital do Azerbaijão em um palco de velocidade, estratégia e precisão — desta vez, com uma corrida que foge completamente da rotina tradicional dos domingos de Fórmula 1.