segunda-feira, 24 de agosto de 2026

A LASANHA DE R$ 375 QUE VIROU EXPERIÊNCIA GASTRONÔMICA EM SÃO PAULO

 No coração dos Jardins, uma receita italiana transforma um clássico em um prato de luxo


São Paulo é uma cidade que nunca se cansa de reinventar seus clássicos. Na gastronomia, essa característica fica ainda mais evidente: receitas tradicionais ganham novos ingredientes, técnicas sofisticadas e apresentações que transformam uma simples refeição em uma experiência.

É exatamente essa proposta que chama a atenção no Ristorantino, restaurante italiano localizado no bairro dos Jardins e conhecido por sua cozinha de inspiração italiana.

Entre os pratos que despertam a curiosidade dos clientes está justamente um dos maiores clássicos da culinária italiana: a lasanha.

Mas aqui ela aparece em uma versão bastante especial — e com um preço que certamente chama atenção. A lasanha com trufas chega à mesa por R$ 375, valor que a coloca entre as versões mais caras encontradas nos restaurantes paulistanos.

E o preço não está apenas no prato. A proposta é transformar uma receita conhecida por todos em uma experiência gastronômica sofisticada.

DO CONFORTO DA LASANHA À ALTA GASTRONOMIA

A lasanha tradicional ocupa um lugar especial na memória afetiva de muita gente. Massa, molho, queijo e recheio formam uma combinação praticamente impossível de ignorar.

A versão do Ristorantino parte justamente dessa familiaridade, mas acrescenta um ingrediente que pertence ao universo da alta gastronomia: a trufa.

Conhecida por seu aroma intenso e sabor marcante, a trufa é um ingrediente valorizado internacionalmente e frequentemente associada a pratos sofisticados. Seu uso modifica completamente a percepção da receita.

Para quem já é fã da lasanha tradicional, a experiência é curiosa: a essência do prato permanece, mas os aromas e sabores ganham outra dimensão.

É a velha conhecida lasanha apresentada sob uma perspectiva muito mais luxuosa.

QUANTO CUSTA O JANTAR?

É importante fazer uma distinção: R$ 375 é o valor informado para a lasanha especial com trufas, e não necessariamente o preço final de um jantar completo.

Em um restaurante desse perfil, o custo de uma noite pode variar bastante de acordo com bebidas, entradas, sobremesa e outros pratos escolhidos.

Assim, para um casal, por exemplo, uma experiência completa pode ultrapassar com facilidade o valor de uma única lasanha.

E é justamente aí que está a proposta do prato: não se trata de uma opção para matar a fome rapidamente, mas de uma escolha para quem deseja experimentar uma interpretação sofisticada de um clássico.

UMA RECEITA QUE DESPERTA CURIOSIDADE

A grande força da lasanha é justamente sua capacidade de ser democrática. Ela aparece tanto na mesa de uma família no almoço de domingo quanto no cardápio de restaurantes sofisticados.

Quando recebe trufas e passa a custar R$ 375, naturalmente surge a pergunta:

vale a pena?

A resposta depende muito da expectativa de cada cliente.

Para quem procura quantidade e uma refeição econômica, certamente existem opções muito mais acessíveis. Mas para quem gosta de gastronomia e quer descobrir como ingredientes nobres podem transformar uma receita tradicional, a experiência pode fazer sentido.

No caso do Ristorantino, a proposta está justamente em combinar tradição italiana com uma apresentação mais contemporânea e sofisticada.

ENTRE TRADIÇÃO E LUXO

Por que uma lasanha pode custar tanto?

O valor elevado de um prato como esse não está necessariamente relacionado apenas aos ingredientes básicos da receita. Em restaurantes de alta gastronomia, entram na conta a seleção dos produtos, preparação, técnicas utilizadas, estrutura do restaurante, serviço e toda a experiência oferecida ao cliente.

No caso da trufa, existe ainda o fator de ser um ingrediente valorizado e de forte identidade gastronômica.

O resultado é uma receita que mantém a alma da lasanha, mas passa a ocupar outro espaço dentro do universo culinário.

É como pegar uma lembrança de infância e colocá-la em um cenário de restaurante italiano sofisticado.

A EXPERIÊNCIA COMEÇA ANTES DA PRIMEIRA GARFADA

Localizado na Rua Dr. Melo Alves, 674, nos Jardins, o Ristorantino está em uma das regiões mais tradicionais de São Paulo quando o assunto é gastronomia.

E o endereço também ajuda a explicar a experiência. Os Jardins reúnem restaurantes, bares, lojas e estabelecimentos voltados a diferentes públicos, formando um dos polos gastronômicos mais conhecidos da capital paulista.

Nesse ambiente, uma lasanha de R$ 375 não passa despercebida.

Ela vira assunto, desperta curiosidade e naturalmente provoca comparações com a tradicional lasanha encontrada em cantinas e restaurantes italianos espalhados pela cidade.

A TRUFA MUDA TUDO

O grande diferencial está no ingrediente que dá nome à versão especial.

A trufa possui um aroma bastante característico e é capaz de dominar um prato inteiro. Em uma preparação como a lasanha, sua presença cria um contraste interessante entre o conforto da massa e dos molhos e a sofisticação do ingrediente.

Para os apaixonados por gastronomia, é justamente essa combinação que torna a experiência interessante.

A receita deixa de ser apenas uma lasanha.

Passa a ser uma interpretação de um clássico.

R$ 375 POR UM PRATO. E A MEMÓRIA?

Existe uma característica curiosa na gastronomia de luxo: muitas vezes, o consumidor não está pagando somente pela comida.

Está pagando pela oportunidade de experimentar algo diferente.

Uma lasanha tradicional pode ser encontrada por uma pequena fração desse valor. Mas a versão com trufas busca oferecer uma experiência completamente diferente, pensada para quem deseja conhecer novos sabores e ingredientes.

No fim, a pergunta mais interessante talvez não seja se uma lasanha pode custar R$ 375.

A pergunta é:

quanto vale uma experiência gastronômica que você vai lembrar depois de sair do restaurante?

Para alguns, o preço será alto demais. Para outros, será uma oportunidade de experimentar uma combinação rara e sofisticada.

E é justamente essa discussão que torna o prato tão interessante.

UMA LASANHA PARA SER LEMBRADA

A culinária italiana conquistou o mundo justamente por transformar ingredientes relativamente simples em receitas memoráveis.

A lasanha é um dos maiores exemplos disso.

No Ristorantino, o clássico ganha uma roupagem sofisticada e chega à mesa com um ingrediente capaz de mudar completamente sua personalidade.

A versão tradicional continua sendo a escolha perfeita para quem busca conforto, memória afetiva e aquele sabor familiar.

Mas, para quem quer sair do convencional, experimentar algo diferente e conhecer uma interpretação mais luxuosa do prato, a lasanha com trufas por R$ 375 representa uma experiência que certamente foge do comum.

No fim das contas, São Paulo continua fazendo aquilo que sabe fazer melhor: transformar comida em experiência.

E, neste caso, até uma simples lasanha pode se transformar em um dos pratos mais comentados de um jantar.

Ristorantino
Rua Dr. Melo Alves, 674 — Jardins, São Paulo — SP
Especialidade em destaque: Lasanha com trufas
Preço informado: R$ 375

domingo, 23 de agosto de 2026

QUANDO A GUITARRA FALA

 David Gilmour, Syd Barrett e a emoção de “Shine On You Crazy Diamond”

Uma guitarra. Uma voz. Um estúdio. E uma história que atravessa gerações.

Existem músicas que simplesmente são ouvidas. Outras, porém, parecem conversar diretamente com quem está do outro lado. “Shine On You Crazy Diamond”, do Pink Floyd, pertence a essa segunda categoria.

Em um registro intimista, David Gilmour revisita uma das composições mais marcantes da história do rock. Longe da grandiosidade dos palcos, dos efeitos visuais e das grandes formações que marcaram os shows do Pink Floyd, Gilmour aparece praticamente sozinho, acompanhado por sua guitarra e por sua voz.

E talvez seja justamente essa simplicidade que torne o momento tão especial.

“Shine On You Crazy Diamond” foi concebida como uma homenagem a Syd Barrett, um dos fundadores do Pink Floyd e figura fundamental nos primeiros anos da banda. Barrett foi responsável por boa parte da identidade psicodélica que marcou o início do grupo, mas sua trajetória seria interrompida precocemente por problemas de saúde mental e pelo afastamento progressivo da banda.

Para os integrantes do Pink Floyd, entretanto, sua presença jamais desapareceu completamente.

A ausência de Barrett transformou-se em memória. E essa memória ganhou forma musical em uma composição que se tornou uma das mais emblemáticas do repertório do grupo.

Lançada originalmente em 1975, como parte do álbum “Wish You Were Here”, a obra foi construída como uma longa suíte dividida em partes, marcada por atmosferas contemplativas, sintetizadores, teclados, saxofone, baixo, bateria e, principalmente, pelas guitarras de Gilmour.

Mas existe algo ainda mais importante por trás de toda aquela produção: sentimento.

É isso que permanece quando todos os elementos desaparecem.

A música que nasceu de uma ausência

A história de Syd Barrett está profundamente ligada à história do Pink Floyd. Ele foi o principal compositor e vocalista nos primeiros trabalhos da banda e ajudou a estabelecer o estilo experimental que posteriormente se tornaria uma das marcas registradas do grupo.

Com seu afastamento, os antigos companheiros passaram a conviver não apenas com a ausência de um músico, mas com a lembrança de um amigo.

“Shine On You Crazy Diamond” nasceu desse sentimento.

A música não é apenas uma homenagem. É quase uma conversa com alguém que já não estava mais ali.

Por isso, cada nota parece carregar uma espécie de saudade.

E quando David Gilmour interpreta a composição de maneira mais despojada, essa característica se torna ainda mais evidente.

Não existe a necessidade de uma grande produção para emocionar.

Basta a música.

UMA GUITARRA, UMA VOZ E UMA MEMÓRIA

Quando David Gilmour toca “Shine On You Crazy Diamond” sozinho, a música ganha outra dimensão.

A ausência da banda deixa espaço para que cada detalhe seja percebido. O som da guitarra deixa de ser apenas parte de um arranjo e passa a ocupar o centro da narrativa.

Gilmour nunca foi conhecido apenas pela velocidade ou pela quantidade de notas tocadas.

Sua grande característica sempre foi outra: saber escolher a nota certa.

Seus solos possuem espaço, respiração e silêncio. Muitas vezes, uma única nota prolongada pode transmitir mais emoção do que uma sequência inteira de frases virtuosísticas.

É justamente essa filosofia que faz sua interpretação ser tão reconhecível.

A guitarra de Gilmour não parece disputar atenção com a música.

Ela parece conversar com ela.

E, nesse registro intimista, essa característica aparece de maneira ainda mais clara.

O silêncio também faz parte da música

Sem uma banda completa ao redor, os espaços entre uma frase e outra ganham importância.

O silêncio passa a fazer parte da interpretação.

A voz conduz a melodia enquanto a guitarra responde, criando uma atmosfera quase confessional. Não há necessidade de grandes efeitos para lembrar ao ouvinte que existe uma história por trás daquela música.

Existe Syd Barrett.

Existe o Pink Floyd.

Existe a passagem do tempo.

E existe a memória de uma época que jamais voltará.

É por isso que “Shine On You Crazy Diamond” continua emocionando décadas depois de sua criação.

A música conseguiu ultrapassar o próprio Pink Floyd. Tornou-se uma espécie de retrato musical da saudade, da amizade, da perda e da lembrança.

O legado de David Gilmour

David Gilmour ocupa um lugar especial na história do rock não apenas por sua trajetória com o Pink Floyd, mas pela maneira como transformou a guitarra em uma extensão da emoção humana.

Seu estilo influenciou gerações de guitarristas e ajudou a definir a sonoridade de alguns dos momentos mais importantes do rock.

Mas talvez seu maior legado esteja justamente naquilo que não pode ser medido por técnica.

Sentimento.

Em “Shine On You Crazy Diamond”, Gilmour não precisa provar nada.

Ele simplesmente toca.

E quando sua voz se junta à guitarra, o tempo parece diminuir por alguns minutos.

A música deixa de ser apenas uma gravação.

Torna-se memória.

Torna-se homenagem.

Torna-se saudade.

No fim, talvez seja essa a grande força de “Shine On You Crazy Diamond”: lembrar que algumas pessoas podem deixar os palcos, desaparecer das fotografias e seguir caminhos completamente diferentes, mas continuam presentes naquilo que ajudaram a criar.

Syd Barrett partiu.

O Pink Floyd seguiu.

David Gilmour continuou tocando.

E aquela guitarra, décadas depois, ainda parece dizer a mesma coisa:

algumas estrelas nunca deixam de brilhar.

MÔNACO DE 1992

 As três voltas que entraram para a história da Fórmula 1

Senna desafia a lógica e segura Mansell em uma das maiores defesas da história da Fórmula 1

Poucas corridas resumem tão bem o espírito do automobilismo quanto o Grande Prêmio de Mônaco de 1992. Naquele 31 de maio, pelas estreitas ruas de Monte Carlo, Ayrton Senna protagonizou uma das atuações mais memoráveis de sua carreira ao transformar um carro aparentemente inferior em uma barreira praticamente intransponível para Nigel Mansell.

O britânico chegava ao Principado como o grande favorito. Pilotando a dominante Williams-Renault FW14B, Mansell havia vencido as cinco primeiras etapas do campeonato e também conquistara a pole position em Mônaco. Senna, com a McLaren-Honda MP4/7A, largava apenas em terceiro, atrás das duas Williams.

Mesmo assim, o brasileiro sabia que Mônaco era diferente de qualquer outro circuito. Em Monte Carlo, velocidade absoluta não era suficiente. Precisão, concentração, estratégia e capacidade de defender cada centímetro da pista poderiam mudar completamente o destino de uma corrida.

E foi exatamente isso que aconteceu.

Uma largada que mudou o cenário

Na largada, Mansell manteve a liderança, mas Senna conseguiu superar Riccardo Patrese e assumir a segunda colocação. A partir daquele momento, começou uma perseguição que parecia ter um único desfecho possível.

Mansell tinha um carro claramente mais rápido. A Williams dominava a temporada de 1992 e permitia ao inglês abrir vantagem volta após volta. Senna, consciente de que não poderia simplesmente acompanhar o ritmo do adversário sem comprometer seus pneus e seu equipamento, adotou outra estratégia.

Em vez de tentar acompanhar Mansell a qualquer preço, o brasileiro manteve-se suficientemente próximo para aproveitar qualquer oportunidade.

Era uma corrida de paciência.

Mansell liderou durante 71 das 78 voltas do Grande Prêmio.

Para quem assistia, a vitória parecia praticamente decidida.

Mas Mônaco ainda guardava seu golpe final.

A volta 71 e o inesperado

Na volta 71, quando Mansell parecia caminhar tranquilamente para sua sexta vitória consecutiva na temporada, algo aconteceu.

Ao passar pelo túnel, a Williams teve um momento de instabilidade. Mansell acreditou que havia sofrido um problema no pneu e decidiu entrar nos boxes para trocar os pneus. Posteriormente, surgiu a suspeita de que o problema poderia estar relacionado a uma porca de roda solta, e não necessariamente a um furo de pneu confirmado.

A parada foi lenta e custou caro.

Senna herdou a liderança.

O que parecia ser apenas uma consequência temporária transformou-se em uma batalha épica.

Mansell voltou à pista com pneus novos, muito mais aderentes e com um ritmo significativamente superior. Restavam apenas algumas voltas, e a diferença entre os dois carros parecia enorme.

O inglês partiu para cima.

Três voltas de tensão

Nas últimas voltas, Mônaco virou um verdadeiro duelo psicológico.

Mansell pressionava em praticamente todas as curvas. A Williams era mais rápida e permitia que o britânico se aproximasse cada vez mais. Senna, entretanto, conhecia perfeitamente a natureza daquele circuito.

Ele não precisava ser mais rápido.

Precisava simplesmente não ser ultrapassado.

E foi isso que fez.

Senna posicionava sua McLaren de maneira precisa, fechando os espaços e escolhendo cuidadosamente cada ponto de frenagem. Em um circuito onde ultrapassar já era uma tarefa extremamente difícil, o brasileiro transformou sua experiência em uma arma.

Mansell chegou a colocar a Williams praticamente colada à McLaren, procurando uma brecha. Mas não havia espaço.

A cada curva, Senna defendia.

A cada reta, Mansell tentava novamente.

O público assistia àquela disputa com a sensação de que qualquer pequeno erro poderia decidir a corrida.

Mas Senna não errou.

A diferença de desempenho entre os carros era evidente. A Williams de Mansell tinha vantagem suficiente para estabelecer a volta mais rápida da corrida na volta 74, com 1min21s598.

Mesmo assim, velocidade não bastava.

A bandeirada

Na última volta, Mansell continuou pressionando. Senna permaneceu à frente e cruzou a linha de chegada depois de 78 voltas.

A diferença?

Apenas 0,215 segundo.

Senna venceu com o tempo de 1h50min59s372, enquanto Mansell terminou em segundo. Riccardo Patrese completou o pódio, mais de 31 segundos atrás dos dois protagonistas.

Foi uma vitória que, em condições normais, parecia improvável.

O próprio Senna reconhecia que não tinha o carro para simplesmente derrotar Mansell em velocidade. Sua estratégia era permanecer próximo e estar preparado caso alguma coisa acontecesse com o líder.

E quando a oportunidade apareceu, ele estava pronto.

Mais do que uma vitória

O triunfo em Mônaco foi muito mais do que os dez pontos conquistados por Senna.

Foi uma demonstração de inteligência, concentração e domínio psicológico.

Mansell tinha o carro mais rápido. Tinha liderado praticamente toda a corrida. Chegou às últimas voltas com pneus novos e uma vantagem enorme de desempenho. Ainda assim, não conseguiu encontrar uma maneira de passar.

Senna transformou o traçado de Monte Carlo em uma espécie de labirinto. Cada curva era utilizada para impedir uma tentativa de ultrapassagem. Cada frenagem precisava ser perfeita. Cada movimento da McLaren tinha uma função.

Era o tipo de corrida que não se ganha apenas com velocidade.

Ganha-se com leitura de corrida.

O legado de Mônaco

A vitória de 1992 entrou definitivamente para a história da Fórmula 1 e se tornou uma das maiores demonstrações de talento de Ayrton Senna nas ruas de Monte Carlo.

Foi também sua quinta vitória no Grande Prêmio de Mônaco, igualando naquele momento o recorde de Graham Hill. No ano seguinte, Senna venceria novamente no Principado e chegaria à sua sexta vitória, marca que permanece como recorde na história da prova.

Aquele domingo também sintetizou uma das características mais marcantes da carreira do brasileiro: a capacidade de extrair de seu equipamento muito mais do que os números indicavam ser possível.

Em 1992, a Williams de Mansell era a máquina dominante. Mas em Mônaco, durante aquelas últimas voltas, o carro mais rápido não foi suficiente.

Era preciso passar por Ayrton Senna.

E ninguém conseguiu.

Grande Prêmio de Mônaco de 1992
31 de maio de 1992 — Circuito de Monte Carlo
1º Ayrton Senna — McLaren-Honda — 78 voltas
2º Nigel Mansell — Williams-Renault — +0,215s
3º Riccardo Patrese — Williams-Renault — +31,843s

Uma vitória construída não pela superioridade do carro, mas pela combinação perfeita entre talento, estratégia, concentração e a capacidade de defender cada centímetro de uma das pistas mais difíceis do mundo.

MASUTÃ SUSHI: UMA NOITE DE SABORES, ATENDIMENTO CONTROVERSO E MUITO ROCK

Fomos conhecer o Masutã Sushi, no bairro Parque das Árvores, em uma experiência que teve bons momentos, algumas decepções e uma trilha sonora que acabou salvando a noite

Por nossa equipe

Sair para conhecer um restaurante é sempre uma oportunidade de descobrir novos sabores, ambientes e experiências. E foi com essa expectativa que fomos ao Masutã Sushi, localizado no bairro Parque das Árvores. A proposta era experimentar alguns dos pratos da casa, observar o atendimento e, claro, aproveitar a programação musical.

A noite começou com uma entrada que, apesar de saborosa, deixou algumas ressalvas. Pedimos um temaki hurumaki de salmão, que apresentou um bom sabor, mas chamou atenção pelo excesso de óleo. Para nós, a preparação estava bastante oleosa e havia um gosto que lembrava óleo já utilizado por mais tempo do que deveria. É justamente esse tipo de detalhe que pode fazer diferença na experiência gastronômica, principalmente quando se trata de um prato que deveria abrir a refeição e preparar o paladar para os próximos sabores.

A expectativa, então, ficou voltada para o prato principal.

O TIGER E UMA SITUAÇÃO DESAGRADÁVEL

Para o prato principal, escolhemos O Tiger, um combinado de 20 peças. A apresentação fazia parte da experiência e estávamos curiosos para experimentar a seleção.

Antes mesmo de provar o combinado, porém, aconteceu uma situação que nos chamou bastante a atenção.

Ao pedirmos o prato e pronunciarmos o nome “Tiger”, a garçonete nos corrigiu. Até aí, nada demais: eventualmente, um funcionário pode ajudar o cliente com a pronúncia correta de determinado item do cardápio.

O problema foi a maneira como essa correção aconteceu.

Segundo nossa percepção, o comentário veio acompanhado de um tom bastante irônico, com risadas e uma postura que interpretamos como debochada. A correção teria sido repetida uma ou duas vezes, fazendo com que uma situação simples acabasse se tornando desconfortável.

É importante deixar claro que nossa crítica não está relacionada ao fato de a garçonete ter corrigido a pronúncia. Pelo contrário: explicar ao cliente como determinado prato é pronunciado pode ser perfeitamente normal. O que consideramos inadequado foi a forma como isso foi conduzido.

Em um restaurante, o atendimento também faz parte do produto. O cliente não está apenas pagando pela comida, mas por uma experiência completa. Educação, cordialidade e respeito são ingredientes tão importantes quanto uma boa preparação.

Depois do episódio, seguimos com a degustação do combinado e continuamos nossa avaliação da noite.

BEBIDAS: ENTRE A CAIPIRINHA E A CERVEJA GELADA

Para acompanhar a refeição, pedimos uma caipirinha. A bebida tinha uma presença bastante evidente de limão e um sabor marcante de cachaça.

Também pedimos uma cerveja, que chegou bem gelada, um ponto positivo e que merece ser destacado. Afinal, especialmente em uma noite quente, uma cerveja servida na temperatura correta faz toda a diferença.

Não foi, portanto, a parte das bebidas que comprometeu a experiência. A cerveja cumpriu muito bem seu papel e a caipirinha apresentou o perfil tradicional que esperávamos, embora o sabor de limão e cachaça estivesse bastante acentuado.

SOBREMESA: O CHARUTINHO DE BANANA

Depois dos pratos principais, chegou a hora da sobremesa.

A escolha foi o charutinho de banana, uma opção que parecia interessante para encerrar a refeição.

Infelizmente, foi outra decepção.

O charutinho chegou frio, gelado, e não apresentou a experiência que esperávamos para uma sobremesa desse tipo. Para nós, a temperatura prejudicou bastante o resultado final.

Uma sobremesa quente, especialmente quando envolve banana e uma preparação crocante, costuma criar um contraste interessante com os demais elementos do prato. Quando chega fria, essa combinação perde boa parte do encanto.

Nossa avaliação, portanto, é direta: não recomendamos o charutinho de banana da maneira como foi servido naquela noite.

E ENTÃO VEIO O ROCK...

Se a gastronomia apresentou altos e baixos, foi a música ao vivo que mudou completamente o clima da noite.

A apresentação musical foi, sem dúvida, um dos grandes destaques da nossa visita ao Masutã Sushi.

O rock estava muito bom, com uma apresentação cheia de energia e um repertório que conseguiu envolver o ambiente. Foi aquele tipo de atração que faz o cliente permanecer mais tempo no local e aproveitar a noite mesmo depois de uma experiência gastronômica que não saiu exatamente como planejado.

E aqui está uma das grandes virtudes do restaurante: a música ao vivo acrescentou personalidade ao ambiente.

Enquanto alguns pontos da refeição deixaram a desejar, a banda conseguiu criar uma atmosfera agradável e descontraída. Para quem gosta de rock e procura um lugar para comer, beber e ouvir música, esse pode ser um diferencial importante.

No nosso caso, podemos dizer sem exagero que o rock salvou a noite.

NOSSA EXPERIÊNCIA

Visitar um restaurante não significa necessariamente encontrar uma experiência perfeita. Todo estabelecimento pode ter um dia melhor ou pior, e nossa avaliação corresponde àquilo que vivenciamos naquela ocasião.

No Masutã Sushi, encontramos uma experiência bastante dividida.

O temaki hurumaki de salmão tinha bom sabor, mas estava excessivamente oleoso e apresentou um gosto que, para nós, lembrava óleo velho. O Tiger, combinado de 20 peças, foi uma escolha interessante, mas a situação envolvendo a pronúncia do nome do prato deixou uma impressão negativa em relação ao atendimento.

A cerveja chegou bem gelada, enquanto a caipirinha apresentou forte presença de limão e cachaça.

Já o charutinho de banana, servido frio, não agradou e não seria uma escolha que repetiríamos.

Por outro lado, a música ao vivo foi um verdadeiro ponto alto. O rock apresentado naquela noite trouxe energia, descontração e conseguiu transformar o ambiente.

VEREDITO

O Masutã Sushi mostrou que possui elementos capazes de proporcionar uma boa noite, principalmente quando falamos de ambiente e música ao vivo. Entretanto, em nossa visita, alguns detalhes da gastronomia e, principalmente, a experiência com o atendimento impediram que a noite fosse considerada excelente.

Nossa impressão é que existe espaço para melhorar: mais cuidado no preparo dos alimentos, atenção à temperatura das sobremesas e, sobretudo, um atendimento sempre cordial e respeitoso podem transformar completamente a percepção do cliente.

No fim das contas, saímos do Masutã com uma sensação curiosa: não foi a comida que fez a noite valer a pena, mas o rock.

E quando a banda terminou, ficou aquela certeza de que, apesar dos tropeços gastronômicos e do episódio desagradável no atendimento, pelo menos uma coisa funcionou muito bem naquela noite: a música estava boa demais.


Masutã Sushi

AVENENIDA OLAVO LACERDA MONTENEGRO, 4273

 PARQUE DAS ARVORES

PARNAMIRIM RN 

 

ENFIM, 49

 Uma vida entre partidas, recomeços e a coragem de começar de novo

Em 23 de agosto de 1977, numa terça-feira, às 8h30 da manhã, em uma São Paulo fria e chuvosa, começava uma história que atravessaria décadas, cidades, desafios, perdas, conquistas e muitos recomeços.

Agora, chegando aos 49 anos, existe muito mais do que uma simples contagem de idade. Existe uma vida inteira para olhar para trás — e uma nova estrada para seguir em frente.

Nascer em São Paulo foi apenas o primeiro capítulo. Mais de quatro décadas depois, a vida levou esse paulistano para longe de suas origens. Há mais de 13 anos, Natal, no Rio Grande do Norte, tornou-se sua casa.

Mas chegar até aqui não foi simples.

A coragem de sair da zona de conforto

Mudar de cidade já é um desafio. Mudar de estado e deixar para trás uma vida conhecida é ainda maior. Quando decidiu sair de sua zona de conforto e começar praticamente do zero, sabia que encontraria dificuldades.

E encontrou.

Foram anos de luta, adaptações, incertezas, desafios e aprendizados. Houve momentos em que parecia mais fácil desistir e voltar para aquilo que já era conhecido. Afinal, começar novamente exige coragem.

É preciso reconstruir relações, encontrar novos caminhos, conquistar espaço e, principalmente, acreditar que a decisão tomada foi a certa.

Nem sempre houve respostas.

Mas houve persistência.

Ao longo desses mais de 13 anos vivendo em Natal, muitos objetivos foram conquistados. Alguns talvez parecessem distantes quando tudo começou. Outros surgiram pelo caminho, resultado das experiências, das pessoas encontradas e das escolhas feitas.

Hoje, olhando para trás, existe uma certeza:

valeu a pena.

A saudade também faz parte da história

Toda escolha tem um preço.

E, para quem decide recomeçar longe de onde nasceu, a saudade acaba sendo uma companhia permanente.

Há dias em que ela aperta mais.

A lembrança da cidade natal, das pessoas, dos lugares, das histórias vividas e de tudo aquilo que ficou para trás aparece sem pedir licença.

É nesses momentos que o coração pesa.

Vêm o silêncio, as lágrimas e as perguntas.

“Será que foi certo?”

Talvez essa seja uma das perguntas mais humanas que alguém possa fazer depois de uma grande mudança.

E a resposta, depois de tantos anos, continua sendo:

Sim. Foi certo.

Não porque tenha sido fácil.

Não porque tudo tenha acontecido como planejado.

Mas porque foi necessário.

A mudança trouxe dificuldades, mas também trouxe crescimento. Trouxe novas experiências, novas pessoas, novos desafios e uma versão diferente de quem ele era quando deixou sua zona de conforto.

Começar do zero também significa descobrir que somos capazes de construir novamente.

Poucos amigos, mas os certos

Com o passar dos anos, outra coisa muda: a forma como enxergamos as amizades.

Aos 49, já não existe tanta necessidade de ter uma multidão ao redor.

A vida ensina que quantidade nunca foi sinônimo de qualidade.

Hoje, são poucos os amigos.

Mas são suficientes.

São aquelas pessoas que permaneceram, que estiveram presentes de alguma maneira, que compartilharam momentos, conversas, risadas, dificuldades e histórias.

Talvez essa seja uma das maiores riquezas que o tempo proporciona: aprender a valorizar quem realmente importa.

Aos poucos, percebemos que não precisamos ser cercados por centenas de pessoas para não estarmos sozinhos.

Às vezes, meia dúzia de pessoas verdadeiras vale mais do que uma multidão inteira.

As conquistas que não aparecem em fotografias

Existe também um tipo de conquista que não cabe em troféus, diplomas ou números.

É a conquista de ter sobrevivido aos próprios desafios.

De ter enfrentado dias difíceis.

De ter chorado e, mesmo assim, levantado no dia seguinte.

De ter começado novamente quando parecia mais confortável permanecer onde estava.

De olhar para a própria história e reconhecer:

“Eu consegui.”

Nem todas as batalhas foram vencidas da maneira imaginada. Algumas deixaram marcas. Outras ensinaram lições que só foram compreendidas muito tempo depois.

Mas todas fizeram parte do caminho.

Hoje, os objetivos alcançados representam muito mais do que resultados. Eles carregam o peso de cada esforço realizado para chegar até aqui.

Gratidão

Se existe uma palavra capaz de resumir esse momento, talvez seja gratidão.

Gratidão pela vida.

Pelas oportunidades.

Pelas pessoas que cruzaram o caminho.

Por quem ficou.

Por quem partiu.

Pelas portas que se abriram.

E até pelas portas que permaneceram fechadas.

Porque, olhando em retrospecto, algumas coisas que pareciam perdas acabaram se transformando em novos caminhos.

A vida nem sempre entrega aquilo que queremos.

Às vezes, ela simplesmente nos coloca diante de uma estrada diferente.

E cabe a nós decidir se vamos seguir.

Enfim, 49

Chegar aos 49 anos é perceber que o tempo passou — mas também perceber tudo aquilo que foi construído ao longo dele.

É lembrar daquele menino que nasceu em uma manhã fria e chuvosa de agosto de 1977, em São Paulo, e compará-lo com o homem que hoje vive em Natal.

São quase cinco décadas de histórias.

Quase cinco décadas de erros e acertos, encontros e despedidas, alegrias e tristezas, conquistas e recomeços.

E ainda existe muito pela frente.

Os 50 estão logo ali.

Mas, desta vez, a chegada não representa apenas mais um aniversário.

Representa uma espécie de marco.

Um momento para olhar para trás sem arrependimentos e para frente sem medo.

Porque, se existe algo que os últimos 13 anos ensinaram, é que sair da zona de conforto pode ser assustador, mas também pode ser transformador.

A vida mudou.

A cidade mudou.

As pessoas mudaram.

E ele também mudou.

Hoje, talvez não tenha todas as respostas. Talvez ainda existam saudades, lágrimas e momentos de reflexão.

Mas existe uma certeza maior:

a escolha de recomeçar valeu a pena.

E se até aqui foram 49 anos de história, desafios e conquistas, a próxima página já está sendo escrita.

Sem pressa.

Sem medo.

Com gratidão.

Com saudade.

Com algumas cicatrizes.

Com poucos, mas bons amigos.

E com a certeza de que ainda há muita história para contar.

Enfim, 49.

E vamos rumo aos 50.