Dois meses de saudade: os “olhos de jabuticaba” que nunca serão esquecidos
Dois meses sem você, minha pequena e brava.
Dois meses podem parecer pouco tempo para algumas pessoas. Mas, quando alguém que amamos deixa a nossa vida de forma repentina, cada dia parece muito mais longo.
Hoje, a casa continua no mesmo lugar. As coisas continuam nos mesmos lugares. A rotina segue, o mundo continua girando, as pessoas continuam vivendo suas vidas.
Mas existe um vazio.Um espaço que antes era ocupado por você.Nuna Fabian.Minha pequena, minha brava, minha companheira.
Às vezes eu chamava você de “olhos de jabuticaba”. Talvez porque seus olhos tivessem aquela beleza profunda, escura e brilhante que parecia enxergar muito além do que estava diante deles.
Você tinha personalidade.
Era pequena, mas sabia exatamente o que queria. Tinha seus momentos de carinho, seus momentos de independência e também aqueles momentos em que deixava bem claro quem mandava na casa.
E talvez seja justamente isso que torne sua ausência tão difícil.
Porque você não era apenas uma gata.
Você fazia parte da família.
UMA PRESENÇA QUE PREENCHIA A CASA
É curioso como um animal pode ocupar um espaço tão grande dentro de uma casa.
Enquanto estamos acostumados com sua presença, muitas vezes nem percebemos quantos pequenos momentos do dia são compartilhados.
Um olhar.
Um miado.
Uma caminhada pela casa.
Um lugar preferido para dormir.
Aquele jeito particular de pedir atenção.
A companhia silenciosa enquanto fazemos alguma coisa.
São detalhes aparentemente pequenos, mas que, depois da partida, tornam-se enormes.
E é nesses detalhes que a saudade aparece.
Ela aparece quando olho para determinado canto da casa.
Quando lembro de alguma situação engraçada.
Quando, por alguns segundos, parece que vou encontrar você novamente.
Então vem a realidade.
Você não está mais aqui.
E dói.
FOI TUDO TÃO REPENTINO
Talvez uma das partes mais difíceis de aceitar seja justamente a forma como tudo aconteceu.
Você foi embora de maneira repentina.
Não houve tempo suficiente para entender.
Não houve tempo suficiente para se preparar.
Não houve tempo suficiente para dizer tudo aquilo que talvez ainda precisasse ser dito.
A vida simplesmente mudou de um momento para outro.
E ficou aquela sensação de que alguma coisa estava faltando.
Porque estava.
Você estava faltando.
A saudade não é apenas lembrar de alguém.
Saudade é perceber a ausência dessa pessoa — ou desse pequeno ser — nos lugares onde sua presença costumava existir.
E você deixou muitos desses lugares.
“OLHOS DE JABUTICABA”
Entre tantas lembranças, algumas palavras permanecem.
“Olhos de jabuticaba.”
Era assim que, às vezes, eu chamava você.
Hoje, quando penso nessa expressão, ela ganhou outro significado.
Não é apenas um apelido carinhoso.
É uma lembrança.
É uma fotografia guardada na memória.
É a imagem dos seus olhos, do seu jeito e da sua personalidade.
Talvez seja assim que aqueles que amamos continuam vivendo depois que partem: nas pequenas coisas que ficaram.
Nos apelidos.
Nas fotografias.
Nas histórias.
Nas lembranças inesperadas.
Nos momentos em que sorrimos ao lembrar de alguma travessura.
E também nas lágrimas que aparecem quando a saudade aperta.
A GORDA TAMBÉM SENTE SUA FALTA
E existe alguém que talvez também esteja tentando entender tudo isso.
Sua irmã, a Gorda Fabian.
Ela também sente sua ausência.
Os animais não precisam falar para demonstrar sentimentos. Eles percebem mudanças, percebem quando alguém não está mais ali e também sentem a alteração na rotina.
Talvez a Gorda procure você de alguma maneira.
Talvez espere por uma presença que não volta.
Talvez simplesmente tenha percebido que alguma coisa mudou.
E isso também aperta o coração.
Porque, além da minha saudade, existe a saudade dela.
Vocês compartilhavam a casa, os espaços, os momentos e aquela convivência que só quem vive junto consegue compreender.
Agora somos nós tentando continuar.
O SILÊNCIO DEPOIS DA PARTIDA
Existe um tipo de silêncio que só aparece depois que alguém vai embora.
Não é necessariamente o silêncio de uma casa vazia.
É o silêncio causado pela ausência de uma presença conhecida.
A casa pode estar cheia de coisas, mas ainda assim parecer vazia.
Porque aquilo que fazia diferença não era o objeto.
Era você.
Nuna, talvez você nunca tenha imaginado o tamanho do espaço que ocupava dentro da minha vida.
Talvez nenhum animal imagine.
Eles simplesmente vivem.
Dão carinho quando querem.
Fazem suas travessuras.
Dormem.
Brincam.
Pedem comida.
Reclamam.
Observam.
E, sem perceber, tornam-se parte da nossa história.
Você se tornou parte da minha.
DOIS MESES
Hoje são dois meses sem você.
Dois meses tentando entender a falta que você faz.
Dois meses aprendendo a conviver com uma ausência que eu nunca quis ter.
Ainda dói.
E talvez continue doendo por muito tempo.
Mas aprendi que sentir saudade também é uma forma de amor.
Se existe tanta falta, é porque existiu muito amor.
E eu prefiro guardar você dessa maneira.
Não apenas pelo momento triste da despedida.
Mas por tudo aquilo que veio antes.
Pela sua personalidade.
Pelas suas manias.
Pelas suas brincadeiras.
Pelos seus momentos de braveza.
Pelos seus momentos de carinho.
Pelos seus olhos de jabuticaba.
PARA SEMPRE, NUNA FABIAN
Nuna, minha pequena e brava, quero que você saiba que nunca será apenas uma lembrança.
Você fez parte da minha vida.
Fez parte da nossa casa.
Fez parte da vida da Gorda.
E deixou uma história que não termina com a sua partida.
A saudade vai continuar existindo, mas junto dela também estarão as boas lembranças.
E, sempre que eu pensar em você, vou lembrar daquele pequeno ser de personalidade forte que conquistou um espaço enorme no meu coração.
Nossa, como sinto sua falta.
Sinto falta da sua presença.
Sinto falta dos seus jeitos.
Sinto falta das suas manias.
Sinto falta até da sua braveza.
E sinto falta de olhar para você e pensar:
“Lá está a minha pequena, com aqueles olhos de jabuticaba.”
Dois meses se passaram.
Mas o amor não passou.
A saudade não passou.
E não precisa passar.
Porque algumas presenças são tão importantes que, mesmo depois de partirem, continuam vivendo dentro de nós.
Nuna Fabian, você partiu de repente, mas deixou um amor que permanecerá para sempre.
Com amor,
Seu Pai, Peter Fabian.

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