Duas décadas e meia depois do ataque às Torres Gêmeas, os efeitos daquele dia ainda podem ser percebidos na política, nas guerras, na segurança, na tecnologia e na vida cotidiana
11 de setembro de 2001. Poucas datas na história contemporânea carregam tanto significado. Naquela manhã, 19 integrantes da Al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais. Dois foram lançados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York; um terceiro atingiu o Pentágono, na Virgínia; e o quarto caiu na Pensilvânia depois que passageiros e tripulantes tentaram retomar o controle da aeronave.
Ao todo, 2.977 pessoas morreram nos ataques.
Vinte e cinco anos depois, em setembro de 2026, o 11 de Setembro já não é apenas uma lembrança de uma geração. Para milhões de pessoas nascidas depois daquele dia, trata-se de um acontecimento histórico. Mas seus efeitos continuam presentes.
O ataque mudou a política externa dos Estados Unidos, desencadeou guerras que duraram décadas, transformou os sistemas de segurança dos aeroportos, ampliou os poderes de vigilância do Estado e deixou uma herança de doenças entre bombeiros, policiais, trabalhadores e moradores expostos à poeira do World Trade Center.
Mais do que destruir edifícios, o 11 de Setembro alterou a sensação de segurança de uma sociedade inteira.
A GUERRA AO TERROR
A primeira grande consequência foi militar.
Menos de um mês depois dos ataques, os Estados Unidos iniciaram a invasão do Afeganistão, em outubro de 2001, com o objetivo de derrubar o regime do Talibã, que abrigava a liderança da Al-Qaeda. A chamada “Guerra ao Terror” se transformaria em uma das campanhas militares mais longas da história americana.
Em 2003, os Estados Unidos invadiram o Iraque. Embora o regime de Saddam Hussein tenha sido derrubado, o Iraque não foi responsável pelos ataques de 11 de Setembro, e a ligação entre o governo iraquiano e a Al-Qaeda que ajudou a formar o clima político da invasão nunca foi comprovada como justificativa para os atentados.
A guerra no Iraque mergulhou o país em anos de violência e instabilidade. Daquele cenário surgiriam, posteriormente, condições que contribuíram para o crescimento de grupos extremistas, entre eles o Estado Islâmico.
Enquanto isso, no Afeganistão, a guerra se prolongou por duas décadas.
Em 2011, um dos momentos mais simbólicos da campanha contra a Al-Qaeda aconteceu quando Osama bin Laden, apontado como o principal responsável pela organização dos ataques, foi morto por forças americanas no Paquistão.
Mas a morte de Bin Laden não encerrou a história.
Em agosto de 2021, depois de quase 20 anos de presença militar americana, os Estados Unidos concluíram sua retirada do Afeganistão. O Talibã voltou ao poder, produzindo uma das imagens mais marcantes do fim da guerra: milhares de pessoas tentando deixar o país enquanto as forças estrangeiras abandonavam o aeroporto de Cabul.
A longa guerra havia terminado, mas o problema que a originara não desaparecera completamente.
O ESTADO FICOU MAIS VIGILANTE
Pouco depois dos ataques, o governo aprovou o USA PATRIOT Act, legislação que ampliou os instrumentos de investigação e coleta de informações utilizados pelas autoridades americanas. A lei também aumentou poderes relacionados à detenção e deportação de imigrantes suspeitos de terrorismo.
Em 2002, foi criado o Department of Homeland Security, o Departamento de Segurança Interna, reunindo diferentes estruturas governamentais com o objetivo de prevenir novos ataques.
Os aeroportos também nunca mais seriam os mesmos.
Revistas pessoais, restrições a líquidos, scanners, controle mais rigoroso de documentos e procedimentos de segurança que hoje parecem absolutamente normais nasceram ou foram profundamente reforçados naquele período.
Viajar de avião passou a significar aceitar uma experiência muito mais controlada.
O debate, porém, permanece: até onde um Estado pode ir em nome da segurança?
Depois do 11 de Setembro, a sociedade americana passou a conviver com uma tensão permanente entre segurança nacional, privacidade e liberdade individual. A Comissão Nacional sobre os Ataques Terroristas aos Estados Unidos, conhecida como Comissão do 11 de Setembro, produziu um relatório que analisou as falhas de preparação e resposta e apresentou recomendações para impedir novos ataques.
O PREÇO QUE CONTINUOU SENDO PAGO
Talvez uma das consequências menos visíveis do 11 de Setembro seja aquela que apareceu anos depois.
Quando as Torres Gêmeas desabaram, uma enorme nuvem de poeira e partículas tomou as ruas de Lower Manhattan. Bombeiros, policiais, equipes médicas, trabalhadores da construção, jornalistas, moradores e voluntários permaneceram expostos durante o resgate e a limpeza da região.
Naquele momento, muitos não imaginavam que a exposição poderia produzir consequências décadas depois.
Hoje, doenças respiratórias e diferentes tipos de câncer fazem parte da história dos sobreviventes e dos trabalhadores expostos ao desastre. O programa federal de saúde criado para atender a comunidade do World Trade Center já reúne mais de 154 mil participantes em 2026, incluindo milhares de pessoas que não eram bombeiros ou policiais.
O 11 de Setembro, portanto, não terminou quando a última coluna de aço foi retirada de Ground Zero.
Para muitas famílias, ele continua presente em consultas médicas, tratamentos, documentos e memórias.
UMA CIDADE RECONSTRUÍDA
Nova York também passou por uma transformação física.
No lugar onde ficavam as Torres Gêmeas surgiu um novo complexo, com edifícios comerciais, espaços públicos e o National September 11 Memorial & Museum.
Duas enormes piscinas ocupam os locais exatos das fundações das antigas torres. Ao redor, estão gravados os nomes das vítimas.
É um espaço de silêncio em uma cidade conhecida pelo barulho.
O novo World Trade Center tornou-se, ao mesmo tempo, símbolo de reconstrução e lembrança.
A arquitetura passou a carregar uma mensagem que vai além da engenharia: reconstruir não significa apagar.
O MUNDO TAMBÉM MUDOU
O impacto não ficou restrito aos Estados Unidos.
O 11 de Setembro alterou relações internacionais, políticas de imigração, sistemas de inteligência e estratégias de combate ao terrorismo em diversos países.
Também provocou consequências sociais profundas.
Comunidades muçulmanas e pessoas percebidas como árabes ou de origem do Oriente Médio passaram a enfrentar aumento de preconceito, discriminação e suspeita. Vinte e cinco anos depois, a islamofobia continua sendo apontada como uma das heranças sociais negativas daquele período.
Ao mesmo tempo, a ameaça terrorista também se transformou.
A Al-Qaeda perdeu grande parte de sua liderança histórica e deixou de ter a mesma capacidade operacional que possuía no início dos anos 2000. O grupo, entretanto, não desapareceu completamente: passou a depender muito mais de organizações afiliadas em diferentes regiões do mundo.
E surgiu um novo inimigo ainda mais brutal: o Estado Islâmico.
UMA NOVA GERAÇÃO
Talvez a pergunta mais importante neste aniversário de 25 anos seja: o que significa o 11 de Setembro para quem nasceu depois dele?
Uma criança que nasceu em 2001 teria 25 anos em 2026.
Para essa geração, aeroportos com rígidos controles sempre fizeram parte da vida. A palavra terrorismo sempre esteve presente no noticiário. As guerras do Afeganistão e do Iraque começaram antes de muitos desses jovens aprenderem a ler.
O mundo anterior ao 11 de Setembro existe principalmente nas lembranças de seus pais.
Essa mudança geracional é importante porque a memória histórica não é automática. Ela precisa ser preservada.
E preservar não significa apenas lembrar das imagens dos aviões atingindo as torres.
Significa compreender o que aconteceu antes, durante e depois.
25 ANOS DEPOIS, O QUE FICOU?
O 11 de Setembro não destruiu apenas as Torres Gêmeas.
Ele derrubou algumas certezas.
A ideia de que os Estados Unidos estavam praticamente protegidos de grandes ataques em seu próprio território desapareceu naquela manhã. A política externa americana mudou. Duas grandes guerras foram travadas. Milhões de pessoas tiveram suas vidas afetadas. A segurança nos aeroportos foi transformada. O poder de vigilância do Estado aumentou. Comunidades inteiras passaram a conviver com preconceito.
E uma geração inteira cresceu sob a sombra daquele acontecimento.
Mas existe também outra herança.
A dos bombeiros que correram para dentro dos edifícios enquanto todos tentavam sair. A dos passageiros do voo 93 que enfrentaram os sequestradores. A dos voluntários que foram para Ground Zero. A das famílias que transformaram o luto em memória.
Vinte e cinco anos depois, o 11 de Setembro continua sendo uma história sobre morte, mas também sobre coragem, reconstrução e memória.
As torres não estão mais lá.
O mundo que existia antes delas também não.
E talvez essa seja a maior marca deixada por aquela manhã de setembro: há acontecimentos que terminam em algumas horas, mas continuam mudando o mundo por décadas.
LINHA DO TEMPO — 25 ANOS DEPOIS2001 — Ataques de 11 de Setembro e início da Guerra ao Terror.2001 — Invasão do Afeganistão.2001 — Aprovação do USA PATRIOT Act.2002 — Criação do Department of Homeland Security.2003 — Invasão do Iraque.2004 — Comissão do 11 de Setembro apresenta seu relatório final.2011 — Osama bin Laden é morto no Paquistão.2021 — Estados Unidos concluem a retirada do Afeganistão.2026 — 25 anos do 11 de Setembro.

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