21 ANOS DE ARGENTINA, UMA HISTÓRIA QUE CHEGA AO FIM
6 de outubro de 2026. Uma data que entra definitivamente para a história do futebol argentino. No estádio Monumental de Buenos Aires, diante de uma multidão que lotou as arquibancadas para viver uma noite que durante muitos anos parecia impossível de imaginar, Lionel Andrés Messi veste pela última vez a camisa da seleção argentina. O adversário é Benin, em um amistoso que deixou de ser apenas uma partida de futebol para se transformar em uma grande cerimônia de despedida. Aos 39 anos, o camisa 10 encerra sua trajetória internacional depois de mais de duas décadas defendendo a Albiceleste. A Associação do Futebol Argentino preparou o encontro como uma homenagem ao capitão, reunindo torcedores, companheiros e personagens que fizeram parte de uma das maiores histórias já construídas no futebol mundial.
A história começou em 2005, quando um jovem Messi estreou pela seleção principal da Argentina. Foram anos de expectativas, cobranças, derrotas dolorosas, finais perdidas e comparações inevitáveis com Diego Maradona. Durante muito tempo, a relação entre Messi e a seleção argentina foi marcada por uma espécie de dívida que o próprio jogador parecia carregar sobre os ombros. O talento que encantava o mundo pelo Barcelona ainda precisava conquistar algo que, para muitos argentinos, era indispensável: um grande título com a camisa azul e branca. O caminho, porém, foi longo e extremamente difícil. A cada derrota, a pressão aumentava. A cada competição, a cobrança sobre o camisa 10 se tornava ainda maior.
Mas a história mudou. E mudou de maneira definitiva. A Copa América de 2021, conquistada no Brasil, representou o primeiro grande título de Messi com a seleção principal e abriu uma nova fase em sua relação com o país. Depois veio a Finalíssima de 2022 e, meses mais tarde, o momento que transformaria para sempre sua imagem na Argentina: a conquista da Copa do Mundo do Catar. Messi levantou a taça mais desejada do futebol mundial como capitão da Albiceleste e finalmente colocou seu nome ao lado dos maiores ídolos da história do país. Em 2024, veio ainda outro título continental, a Copa América, ampliando uma coleção que já parecia impossível de alcançar.
O Mundial de 2022 foi particularmente simbólico. A Argentina começou a competição sendo derrotada pela Arábia Saudita, resultado que colocou em dúvida o futuro da equipe no torneio. A resposta veio dentro de campo. Messi assumiu a responsabilidade, marcou gols decisivos, participou das principais jogadas e conduziu a seleção até a final contra a França. Em uma decisão dramática, que terminou nos pênaltis, o camisa 10 finalmente levantou a Copa do Mundo. Naquele instante, uma das maiores discussões do futebol internacional parecia encerrada. Messi havia conquistado com a Argentina aquilo que durante tanto tempo havia sido usado para questionar sua grandeza.
Agora, quatro anos depois daquele momento histórico, chega o último capítulo.
Argentina x Benin não é apenas Argentina x Benin. É a despedida de uma geração inteira que cresceu acompanhando Messi. É o último encontro do camisa 10 com a torcida argentina vestindo oficialmente a camisa que o acompanhou durante 21 anos. O Monumental se transforma em palco de memória, gratidão e celebração. O futebol, desta vez, fica quase em segundo plano. O resultado importa menos do que o significado daquele momento: olhar para o campo e saber que aquela será a última vez que Messi estará ali como jogador da seleção argentina.
O CAMISA 10 QUE VIROU SÍMBOLO
Messi chega à despedida carregando números que ajudam a dimensionar o tamanho de sua trajetória. Antes do último jogo, eram 207 partidas pela seleção argentina e 125 gols, marcas que o colocam como recordista de jogos e artilheiro máximo da história da Albiceleste. Também acumulou assistências e participou diretamente de algumas das principais conquistas da seleção em sua história recente.
Mais do que números, porém, existe uma transformação. Messi não deixa apenas uma coleção de recordes. Ele deixa uma identidade. Durante duas décadas, a camisa 10 esteve associada a uma maneira específica de jogar futebol: velocidade, drible, visão de jogo, controle de bola, passes impossíveis e uma capacidade extraordinária de decidir partidas. O menino que chegou à seleção cercado de expectativas tornou-se o capitão que levantou a Copa do Mundo.
E existe uma imagem que resume toda essa trajetória: Messi segurando a taça do Mundial no Catar, cercado por seus companheiros, enquanto milhões de argentinos comemoravam nas ruas. Depois de tantos anos de críticas, finalmente o país celebrava seu camisa 10 como campeão mundial.
Hoje, o cenário é diferente. Não existe mais uma taça para conquistar. Não existe mais uma dívida para pagar. Existe apenas a despedida.
Em uma mensagem divulgada antes da partida, Messi resumiu o sentimento ao afirmar que parte em paz e que deu tudo pela camisa argentina. A declaração encerra uma longa relação entre jogador e seleção, marcada por momentos de extrema felicidade e também por períodos de enorme pressão.
A despedida também representa o encerramento de uma era. A Argentina terá, a partir de agora, a missão de construir uma nova identidade sem aquele jogador que durante tantos anos foi o centro de praticamente tudo. Outros talentos surgirão, novos ídolos serão construídos e outra camisa 10 poderá aparecer. Mas substituir Messi será impossível no sentido histórico. Jogadores podem ocupar uma posição, vestir uma camisa e assumir uma função dentro de campo. O que não se substitui é uma trajetória.
O ÚLTIMO TANGO
O presidente da AFA, Claudio Tapia, definiu a partida como o “último tango” do jogador, uma expressão que ganhou força justamente por traduzir o caráter especial daquela noite em Buenos Aires. A entidade convidou integrantes da seleção campeã mundial de 2022 e suas famílias para participar da homenagem. O Monumental recebeu o último capítulo de uma história que começou duas décadas antes e que passou por praticamente todos os grandes palcos do futebol internacional.
Messi já havia anunciado sua aposentadoria internacional e retornou especialmente para disputar este último compromisso. A partida contra Benin foi definida justamente para permitir que o maior ídolo da geração atual pudesse se despedir diante do público argentino. O estádio, portanto, não recebe apenas uma partida amistosa. Recebe uma despedida nacional.
São 21 anos de história. São centenas de partidas, gols, assistências, viagens, concentrações, derrotas e comemorações. São Mundiais, Copas América, eliminatórias, amistosos e noites inesquecíveis. São lágrimas depois das derrotas e lágrimas depois das vitórias. É uma trajetória que atravessou diferentes gerações e acompanhou mudanças profundas no futebol mundial.
Messi entrou na seleção como promessa. Sai como lenda.
Entrou buscando seu espaço ao lado de grandes nomes. Sai como o jogador que mais vezes vestiu a camisa argentina e como seu maior goleador. Entrou tentando conquistar o país. Sai depois de conquistar a Copa do Mundo.
Na noite de 6 de outubro de 2026, quando o árbitro apitar pela última vez, não será apenas o fim de uma partida. Será o fim de uma presença que se tornou familiar no futebol internacional. Durante 21 anos, o torcedor argentino soube que, em algum momento da partida, poderia surgir o camisa 10. Um drible. Um passe. Uma cobrança de falta. Um gol. Uma jogada capaz de mudar tudo.
A partir de agora, essa expectativa pertence ao passado.
Lionel Messi continuará jogando futebol em nível de clubes, mas a história com a seleção argentina chega ao último capítulo. E talvez essa seja a maneira mais bonita de encerrar uma trajetória: diante de sua torcida, em Buenos Aires, com a camisa que durante tanto tempo carregou o peso de um país.
Argentina x Benin ficará registrado como o último jogo de Messi pela Albiceleste.O camisa 10 se despede.A seleção continua.Mas uma era terminou.Obrigado, Messi.
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