terça-feira, 6 de outubro de 2026

MESSI: O ÚLTIMO TANGO DO CAMISA 10

 21 ANOS DE ARGENTINA, UMA HISTÓRIA QUE CHEGA AO FIM


6 de outubro de 2026. Uma data que entra definitivamente para a história do futebol argentino. No estádio Monumental de Buenos Aires, diante de uma multidão que lotou as arquibancadas para viver uma noite que durante muitos anos parecia impossível de imaginar, Lionel Andrés Messi veste pela última vez a camisa da seleção argentina. O adversário é Benin, em um amistoso que deixou de ser apenas uma partida de futebol para se transformar em uma grande cerimônia de despedida. Aos 39 anos, o camisa 10 encerra sua trajetória internacional depois de mais de duas décadas defendendo a Albiceleste. A Associação do Futebol Argentino preparou o encontro como uma homenagem ao capitão, reunindo torcedores, companheiros e personagens que fizeram parte de uma das maiores histórias já construídas no futebol mundial.

A história começou em 2005, quando um jovem Messi estreou pela seleção principal da Argentina. Foram anos de expectativas, cobranças, derrotas dolorosas, finais perdidas e comparações inevitáveis com Diego Maradona. Durante muito tempo, a relação entre Messi e a seleção argentina foi marcada por uma espécie de dívida que o próprio jogador parecia carregar sobre os ombros. O talento que encantava o mundo pelo Barcelona ainda precisava conquistar algo que, para muitos argentinos, era indispensável: um grande título com a camisa azul e branca. O caminho, porém, foi longo e extremamente difícil. A cada derrota, a pressão aumentava. A cada competição, a cobrança sobre o camisa 10 se tornava ainda maior.

Mas a história mudou. E mudou de maneira definitiva. A Copa América de 2021, conquistada no Brasil, representou o primeiro grande título de Messi com a seleção principal e abriu uma nova fase em sua relação com o país. Depois veio a Finalíssima de 2022 e, meses mais tarde, o momento que transformaria para sempre sua imagem na Argentina: a conquista da Copa do Mundo do Catar. Messi levantou a taça mais desejada do futebol mundial como capitão da Albiceleste e finalmente colocou seu nome ao lado dos maiores ídolos da história do país. Em 2024, veio ainda outro título continental, a Copa América, ampliando uma coleção que já parecia impossível de alcançar.

O Mundial de 2022 foi particularmente simbólico. A Argentina começou a competição sendo derrotada pela Arábia Saudita, resultado que colocou em dúvida o futuro da equipe no torneio. A resposta veio dentro de campo. Messi assumiu a responsabilidade, marcou gols decisivos, participou das principais jogadas e conduziu a seleção até a final contra a França. Em uma decisão dramática, que terminou nos pênaltis, o camisa 10 finalmente levantou a Copa do Mundo. Naquele instante, uma das maiores discussões do futebol internacional parecia encerrada. Messi havia conquistado com a Argentina aquilo que durante tanto tempo havia sido usado para questionar sua grandeza.

Agora, quatro anos depois daquele momento histórico, chega o último capítulo.

Argentina x Benin não é apenas Argentina x Benin. É a despedida de uma geração inteira que cresceu acompanhando Messi. É o último encontro do camisa 10 com a torcida argentina vestindo oficialmente a camisa que o acompanhou durante 21 anos. O Monumental se transforma em palco de memória, gratidão e celebração. O futebol, desta vez, fica quase em segundo plano. O resultado importa menos do que o significado daquele momento: olhar para o campo e saber que aquela será a última vez que Messi estará ali como jogador da seleção argentina.

O CAMISA 10 QUE VIROU SÍMBOLO

Messi chega à despedida carregando números que ajudam a dimensionar o tamanho de sua trajetória. Antes do último jogo, eram 207 partidas pela seleção argentina e 125 gols, marcas que o colocam como recordista de jogos e artilheiro máximo da história da Albiceleste. Também acumulou assistências e participou diretamente de algumas das principais conquistas da seleção em sua história recente.

Mais do que números, porém, existe uma transformação. Messi não deixa apenas uma coleção de recordes. Ele deixa uma identidade. Durante duas décadas, a camisa 10 esteve associada a uma maneira específica de jogar futebol: velocidade, drible, visão de jogo, controle de bola, passes impossíveis e uma capacidade extraordinária de decidir partidas. O menino que chegou à seleção cercado de expectativas tornou-se o capitão que levantou a Copa do Mundo.

E existe uma imagem que resume toda essa trajetória: Messi segurando a taça do Mundial no Catar, cercado por seus companheiros, enquanto milhões de argentinos comemoravam nas ruas. Depois de tantos anos de críticas, finalmente o país celebrava seu camisa 10 como campeão mundial.

Hoje, o cenário é diferente. Não existe mais uma taça para conquistar. Não existe mais uma dívida para pagar. Existe apenas a despedida.

Em uma mensagem divulgada antes da partida, Messi resumiu o sentimento ao afirmar que parte em paz e que deu tudo pela camisa argentina. A declaração encerra uma longa relação entre jogador e seleção, marcada por momentos de extrema felicidade e também por períodos de enorme pressão.

A despedida também representa o encerramento de uma era. A Argentina terá, a partir de agora, a missão de construir uma nova identidade sem aquele jogador que durante tantos anos foi o centro de praticamente tudo. Outros talentos surgirão, novos ídolos serão construídos e outra camisa 10 poderá aparecer. Mas substituir Messi será impossível no sentido histórico. Jogadores podem ocupar uma posição, vestir uma camisa e assumir uma função dentro de campo. O que não se substitui é uma trajetória.

O ÚLTIMO TANGO

O presidente da AFA, Claudio Tapia, definiu a partida como o “último tango” do jogador, uma expressão que ganhou força justamente por traduzir o caráter especial daquela noite em Buenos Aires. A entidade convidou integrantes da seleção campeã mundial de 2022 e suas famílias para participar da homenagem. O Monumental recebeu o último capítulo de uma história que começou duas décadas antes e que passou por praticamente todos os grandes palcos do futebol internacional.

Messi já havia anunciado sua aposentadoria internacional e retornou especialmente para disputar este último compromisso. A partida contra Benin foi definida justamente para permitir que o maior ídolo da geração atual pudesse se despedir diante do público argentino. O estádio, portanto, não recebe apenas uma partida amistosa. Recebe uma despedida nacional.

São 21 anos de história. São centenas de partidas, gols, assistências, viagens, concentrações, derrotas e comemorações. São Mundiais, Copas América, eliminatórias, amistosos e noites inesquecíveis. São lágrimas depois das derrotas e lágrimas depois das vitórias. É uma trajetória que atravessou diferentes gerações e acompanhou mudanças profundas no futebol mundial.

Messi entrou na seleção como promessa. Sai como lenda.

Entrou buscando seu espaço ao lado de grandes nomes. Sai como o jogador que mais vezes vestiu a camisa argentina e como seu maior goleador. Entrou tentando conquistar o país. Sai depois de conquistar a Copa do Mundo.

Na noite de 6 de outubro de 2026, quando o árbitro apitar pela última vez, não será apenas o fim de uma partida. Será o fim de uma presença que se tornou familiar no futebol internacional. Durante 21 anos, o torcedor argentino soube que, em algum momento da partida, poderia surgir o camisa 10. Um drible. Um passe. Uma cobrança de falta. Um gol. Uma jogada capaz de mudar tudo.

A partir de agora, essa expectativa pertence ao passado.

Lionel Messi continuará jogando futebol em nível de clubes, mas a história com a seleção argentina chega ao último capítulo. E talvez essa seja a maneira mais bonita de encerrar uma trajetória: diante de sua torcida, em Buenos Aires, com a camisa que durante tanto tempo carregou o peso de um país.

Argentina x Benin ficará registrado como o último jogo de Messi pela Albiceleste.

O camisa 10 se despede.

A seleção continua.

Mas uma era terminou.

Obrigado, Messi.

20 MIL ASSINATURAS POR LITO SOUSA

 PETIÇÃO PEDE QUE O AEROPORTO INTERNACIONAL DE GUARULHOS RECEBA O NOME DE JOSELITO GERALDO DE SOUSA, O LITO SOUSA, EM HOMENAGEM À SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A AVIAÇÃO BRASILEIRA


Uma mobilização que começou na internet já ultrapassou a marca de 20 mil assinaturas em apoio a uma homenagem que pretende eternizar o nome de Joselito Geraldo de Sousa, o Lito Sousa, em um dos principais cartões de entrada e saída do Brasil. A iniciativa propõe que o Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos – Governador André Franco Montoro, conhecido mundialmente pela sigla GRU, passe a receber o nome de Lito Sousa, como reconhecimento à trajetória de um profissional que dedicou grande parte de sua vida à aviação e, especialmente, à missão de aproximar o conhecimento aeronáutico do público.

A proposta ganhou força depois da morte de Lito Sousa, em 1º de outubro de 2026, aos 59 anos. Mais do que um profissional ligado ao setor aeronáutico, Lito construiu uma relação muito particular com o público brasileiro. Ele conseguiu transformar assuntos que normalmente ficariam restritos a engenheiros, mecânicos, pilotos e especialistas em conteúdo compreensível para milhões de pessoas. Segurança de voo, manutenção, funcionamento de aeronaves, procedimentos técnicos e curiosidades sobre aviões passaram a fazer parte do cotidiano de uma enorme comunidade de apaixonados pela aviação.

Foi justamente essa capacidade de comunicação que fez de Lito uma figura singular. Em uma época em que a informação circula rapidamente pelas redes sociais, ele utilizou a internet não apenas como ferramenta de entretenimento, mas como uma verdadeira plataforma de educação. Seus conteúdos ajudaram a despertar o interesse de pessoas que talvez jamais tivessem contato com os bastidores da aviação profissional.

A proposta de homenagem, portanto, não está relacionada apenas à popularidade alcançada por Lito. A justificativa apresentada pelos organizadores está ligada ao legado construído ao longo dos anos e à contribuição para a divulgação da cultura aeronáutica no Brasil.

UM NOME QUE ENTROU NA CASA DOS BRASILEIROS

A aviação sempre exerceu um fascínio especial sobre o público. Para muita gente, entretanto, o avião continua sendo uma máquina complexa, quase inacessível. O passageiro entra na aeronave, fecha o cinto, observa a decolagem e chega ao destino sem necessariamente compreender tudo aquilo que acontece durante o voo.

Lito ajudou a mudar essa relação.

Ao explicar de maneira didática como funcionam os aviões, quais são os procedimentos de segurança e o que existe por trás das operações aéreas, ele criou uma ponte entre o mundo altamente técnico da aviação e o cidadão comum.

Essa aproximação talvez seja uma das maiores marcas de seu trabalho.

A manutenção de uma aeronave, por exemplo, envolve procedimentos rigorosos, inspeções, documentação, treinamento e uma enorme cadeia de profissionais. Para o passageiro, entretanto, tudo isso normalmente permanece invisível. Lito ajudou a revelar esse universo e mostrar que a segurança de um voo começa muito antes de o avião deixar o chão.

Sua comunicação também contribuiu para combater informações equivocadas e explicações simplistas sobre acidentes e incidentes aeronáuticos. Em vez de transformar acontecimentos complexos em histórias sensacionalistas, seus conteúdos buscavam apresentar os fatores técnicos envolvidos e explicar ao público por que determinados procedimentos existem.

Foi assim que Lito deixou de falar somente para apaixonados por aviões.

Passou a conversar com o público em geral.

MAIS DO QUE 20 MIL ASSINATURAS

A marca de 20 mil assinaturas demonstra que a proposta conseguiu mobilizar uma parcela significativa da comunidade que acompanhava o trabalho de Lito. Naturalmente, uma petição online não significa, por si só, que uma mudança de nome será realizada. Alterações de denominação de equipamentos públicos dependem de procedimentos administrativos e legais próprios, além da análise das autoridades competentes.

Mas a quantidade de assinaturas representa uma manifestação pública de reconhecimento.

É uma forma encontrada por milhares de pessoas para dizer que aquela trajetória deixou uma marca.

E existe um elemento simbólico particularmente forte na escolha do aeroporto de Guarulhos.

GRU não é simplesmente um aeroporto. É uma das principais portas internacionais do Brasil. Todos os dias, passageiros brasileiros e estrangeiros chegam e partem pelo terminal que conecta São Paulo a diferentes partes do mundo. É um ambiente diretamente relacionado à história, à operação e ao futuro da aviação brasileira.

Colocar o nome de Lito associado a esse espaço representaria, para os apoiadores da iniciativa, uma maneira de manter sua história permanentemente ligada ao setor que ele ajudou a explicar para o grande público.

UMA HOMENAGEM À AVIAÇÃO BRASILEIRA

Existe ainda uma questão maior por trás da petição.

O Brasil possui uma história extraordinária na aviação. O país é associado ao legado de Alberto Santos-Dumont, à formação de grandes fabricantes de aeronaves, ao desenvolvimento da indústria aeronáutica e à criação de uma das maiores empresas fabricantes de aviões comerciais do mundo, a Embraer.

Também possui uma enorme comunidade de pilotos, mecânicos, engenheiros, comissários, controladores de tráfego aéreo, profissionais de manutenção, pesquisadores, entusiastas e observadores de aeronaves.

Lito Sousa tornou-se uma espécie de representante dessa comunidade perante o público.

Não porque ocupasse necessariamente o lugar mais alto ou mais conhecido dentro da indústria, mas porque conseguiu fazer algo que nem sempre é simples: explicar a aviação para quem está do lado de fora dela.

Seu trabalho mostrou que conhecer um avião não significa apenas saber o modelo ou a companhia aérea. Significa compreender como uma aeronave voa, como é mantida, como os profissionais trabalham e por que a segurança depende de uma cadeia extremamente organizada.

Essa popularização do conhecimento aeronáutico é justamente o argumento central daqueles que defendem a homenagem.

O AEROPORTO COMO SÍMBOLO

O nome de um aeroporto possui um peso simbólico diferente do nome de uma rua ou de uma praça. É uma identificação que pode ser repetida milhares de vezes todos os dias em bilhetes, aplicativos, painéis de voos, sistemas de reservas, mapas, reportagens e documentos.

Por isso, uma eventual mudança envolvendo Guarulhos teria grande repercussão.

Para os apoiadores, seria também uma forma de fazer com que passageiros que nunca conheceram Lito Sousa descobrissem quem foi o homem por trás daquele nome.

Um viajante poderia perguntar:

“Quem foi Lito Sousa?”

E a resposta levaria diretamente à história de um profissional que dedicou sua trajetória à aviação e que encontrou na comunicação uma maneira de compartilhar conhecimento com milhões de pessoas.

Esse talvez seja um dos maiores valores de uma homenagem pública: não apenas lembrar alguém, mas permitir que sua história continue sendo contada.

AINDA É O COMEÇO

Apesar da repercussão alcançada, a mobilização está apenas começando. A petição representa uma manifestação da sociedade e não determina automaticamente qualquer alteração oficial no nome do aeroporto.

Será necessário acompanhar os próximos passos da iniciativa, a eventual apresentação formal da proposta às autoridades e os procedimentos legais que uma mudança dessa natureza exigiria.

Mas as mais de 20 mil assinaturas já produzem um efeito concreto: colocam o assunto em discussão.

E, independentemente do resultado final, a mobilização revela o tamanho da comunidade formada em torno do trabalho de Lito Sousa.

Durante anos, ele falou sobre aviões.

Agora, são milhares de pessoas falando sobre ele.

UM LEGADO QUE CONTINUA VOANDO

Talvez a melhor maneira de compreender a dimensão dessa homenagem seja lembrar que Lito Sousa não apenas ensinava como os aviões funcionavam. Ele ajudava as pessoas a olhar para um avião de outra maneira.

A aeronave deixava de ser apenas o veículo que levaria o passageiro de uma cidade a outra. Passava a ser uma extraordinária combinação de engenharia, tecnologia, manutenção, treinamento e trabalho humano.

E essa mudança de olhar é um legado.

A petição pelo nome de Lito Sousa no Aeroporto Internacional de Guarulhos é, neste momento, uma iniciativa que busca transformar esse legado em uma homenagem permanente. Se a proposta avançará ou não, dependerá das etapas legais e administrativas que ainda precisam ser percorridas.

Mas a mobilização já deixou uma mensagem clara.

Mais de 20 mil pessoas decidiram colocar seus nomes em uma lista para dizer que Lito Sousa merece ser lembrado.

Agora, a pergunta deixa de ser apenas sobre uma assinatura.

Passa a ser sobre memória.

É possível imaginar um dos maiores aeroportos do Brasil levando o nome de alguém que dedicou sua vida a explicar a aviação para os brasileiros?

Para milhares de pessoas, essa homenagem faria sentido.

E talvez seja justamente por isso que a mobilização tenha começado a crescer tão rapidamente.

Porque Lito passou anos falando sobre o mundo da aviação.

Agora, são os apaixonados por esse mesmo mundo que estão tentando garantir que o nome dele continue voando.

HUAWEI MAEXTRO S800: EXISTE UM CARRO MAIS TECNOLÓGICO EM 2026?

 Quando o automóvel deixou de ser apenas um carro

Durante décadas, a evolução dos automóveis foi medida principalmente por potência, velocidade, acabamento, conforto e quantidade de equipamentos. Em 2026, entretanto, a pergunta mudou. O que define um carro tecnologicamente avançado já não está apenas debaixo do capô. Está nos sensores, nos computadores, na inteligência artificial, na arquitetura elétrica, na suspensão, nos sistemas de segurança, no software e na capacidade de o veículo interpretar o ambiente ao seu redor.

É nesse cenário que aparece o HUAWEI MAEXTRO S800, um sedã de luxo chinês que parece ter sido concebido para transformar o automóvel em uma grande plataforma tecnológica. Com 5,48 metros de comprimento e entre-eixos de 3,37 metros, o modelo combina dimensões de limusine com uma quantidade impressionante de recursos eletrônicos. A própria fabricante apresenta o S800 como um veículo que integra luxo, desempenho, segurança e inteligência digital.

A pergunta, portanto, é inevitável: existe em 2026 algum carro mais tecnológico que ele?

A resposta depende do que se entende por tecnologia. Se o critério for quantidade de sistemas integrados, inteligência embarcada, sensores, conforto e sofisticação, o S800 está entre os automóveis mais avançados do planeta. Mas alguns concorrentes conseguem ir ainda mais longe em determinados campos.

UM COMPUTADOR SOBRE RODAS

O grande diferencial do S800 está na integração entre hardware e software. O automóvel utiliza o sistema de assistência à condução da Huawei e, na configuração atualmente apresentada pela fabricante, reúne um conjunto impressionante de sensores: um LiDAR de 896 linhas com dois caminhos ópticos, três LiDARs sólidos de alta precisão, cinco radares de ondas milimétricas 4D, 12 radares ultrassônicos e múltiplas câmeras de alta capacidade.

Isso significa que o S800 não depende de uma única tecnologia para "enxergar" o mundo. Diferentes sensores trabalham em conjunto para identificar veículos, obstáculos, faixas, sinais e situações de trânsito.

A tecnologia também aparece dentro da cabine. O modelo pode contar com um sistema de projeção frontal com área de imagem equivalente a 76 polegadas, espelhos eletrônicos, iluminação ambiente com 16,8 milhões de cores e uma arquitetura de entretenimento pensada para transformar o interior em uma espécie de sala de luxo sobre rodas.

E há números que parecem pertencer mais a uma sala de cinema do que a um automóvel: o sistema de áudio HUAWEI SOUND Ultimate possui 43 alto-falantes e potência anunciada de 2.920 watts. Os passageiros traseiros ainda podem contar com zonas de áudio independentes.

UMA LIMUSINE QUE PENSA

O luxo do S800 não está restrito aos materiais. Seus bancos traseiros podem assumir posições de "gravidade zero", com ajustes elétricos, apoio para pernas, aquecimento e funções de massagem. Em determinadas configurações, os bancos possuem até 20 pontos de massagem.

Mais impressionante é a integração entre conforto e segurança. O sistema ActiveSafe pode trabalhar associado ao sistema de condução assistida para modificar a posição dos bancos em determinadas situações de risco. A ideia é simples: transformar o próprio interior do veículo em parte do sistema de proteção.

Na parte estrutural, a Huawei informa que 92% do material utilizado na carroceria é composto por aço de alta resistência e alumínio, enquanto a estrutura utiliza aço de ultra-alta resistência. O modelo pode chegar a 13 airbags.

800 VOLTS E RECARGA EM MINUTOS

Outro capítulo importante está na arquitetura elétrica.

O S800 possui versões totalmente elétricas com sistema de alta tensão de 800 V. Segundo a configuração divulgada pela fabricante, a versão elétrica pode alcançar até 702 quilômetros de autonomia no ciclo CLTC, utilizando bateria de 97 kWh. A recarga de 10% a 80% é anunciada em aproximadamente 12 minutos.

Também existem versões com sistema de autonomia estendida. Nelas, o S800 combina motores elétricos com um gerador a combustão. A fabricante anuncia autonomia combinada de até 1.333 quilômetros no ciclo CLTC, dependendo da configuração.

É uma solução que tenta eliminar um dos principais obstáculos dos carros elétricos: a necessidade de parar frequentemente para recarregar.

MAS EXISTEM CONCORRENTES AINDA MAIS RADICAIS

É justamente aqui que a resposta à pergunta fica interessante.

O NIO ET9, por exemplo, apresenta uma abordagem diferente. Seu grande destaque não é simplesmente ter muitos sensores ou uma enorme tela. O modelo utiliza uma arquitetura de chassi extremamente sofisticada, com suspensão totalmente ativa, direção traseira e tecnologia steer-by-wire, na qual os comandos do volante são transmitidos eletronicamente. A NIO descreve o conjunto SkyRide como um sistema de chassi drive-by-wire integrado.

O ET9 também possui arquitetura elétrica de 900 V e uma plataforma computacional desenvolvida especificamente para coordenar sistemas de condução, cabine e chassi. A NIO informa ainda que seu sistema de computação utiliza dois chips NX9031, além de outros processadores dedicados.

Ou seja: se o S800 impressiona pela quantidade de tecnologias reunidas em um único veículo, o ET9 chama atenção pela profundidade da integração entre software, eletrônica e dinâmica veicular.

MERCEDES TAMBÉM ENTROU NA BRIGA

A Mercedes-Benz decidiu avançar em outra direção.

A nova geração do Mercedes-Benz EQS, apresentada para 2026, passou a incorporar uma tecnologia que durante muito tempo parecia restrita aos protótipos: a direção steer-by-wire. A própria Mercedes informa que o sistema estará disponível no EQS e representa uma nova maneira de conectar motorista e veículo.

O novo EQS também foi anunciado com autonomia de até 925 quilômetros no ciclo WLTP e carregamento rápido de até 350 kW, capaz de acrescentar até 320 quilômetros de autonomia em aproximadamente dez minutos, segundo a Mercedes-Benz.

É um exemplo importante porque mostra que a corrida tecnológica não está concentrada em uma única empresa ou país. Enquanto a Huawei aposta fortemente na fusão entre smartphone, inteligência artificial, sensores e automóvel, a Mercedes trabalha na evolução da arquitetura veicular e da experiência de condução.

E A XIAOMI?

A Xiaomi, conhecida mundialmente pelos smartphones e produtos eletrônicos, também entrou definitivamente no mercado automotivo.

O Xiaomi SU7 2026 recebeu um novo processador com capacidade anunciada de 700 TOPS para os sistemas de assistência à condução. O LiDAR passou a fazer parte da configuração básica da linha atualizada, enquanto algumas versões adotaram arquitetura elétrica de 752 V.

É outro exemplo de como a indústria automobilística deixou de ser uma disputa exclusivamente entre fabricantes tradicionais.

Empresas de tecnologia passaram a disputar o mesmo espaço das gigantes centenárias do setor automotivo.

ENTÃO, QUAL É O MAIS TECNOLÓGICO?

Talvez essa seja justamente a pergunta errada.

Em 2026, não existe uma resposta simples para definir o "carro mais tecnológico do mundo", porque diferentes fabricantes estão avançando em áreas diferentes.

O S800 impressiona pela combinação de inteligência artificial, sensores, condução assistida, arquitetura de 800 V, suspensão pneumática, eletrônica embarcada, conforto e sistemas de segurança.

O NIO ET9 chama atenção pelo chassi eletrônico, suspensão ativa, steer-by-wire e arquitetura de 900 V.

O Mercedes-Benz EQS aposta em autonomia, computação embarcada, carregamento rápido e direção steer-by-wire.

E o Xiaomi SU7 mostra como a indústria de tecnologia pode transferir para o automóvel conceitos de processamento computacional e integração digital.

Portanto, dizer que existe um carro simplesmente "mais tecnológico" que o MAEXTRO S800 seria simplificar demais uma disputa que está acontecendo em várias frentes.

O AUTOMÓVEL DO FUTURO JÁ CHEGOU

Talvez a maior novidade do S800 não seja uma determinada tela, sensor ou número de quilômetros de autonomia.

É a maneira como todas essas tecnologias foram reunidas.

O carro deixou de ser apenas uma máquina mecânica com equipamentos eletrônicos. Ele está se transformando em uma plataforma computacional capaz de perceber o ambiente, processar informações, ajustar suspensão, controlar temperatura, modificar bancos, administrar entretenimento, auxiliar o motorista e receber novas funções por meio de software.

O MAEXTRO S800 representa exatamente essa transformação.

E talvez seja por isso que ele provoque uma pergunta tão difícil de responder: não se trata mais de descobrir qual carro tem mais tecnologia, mas de descobrir até onde a tecnologia ainda poderá transformar aquilo que entendemos por automóvel.

Em 2026, a resposta parece estar apenas começando.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

AEROSMITH PODE ESTAR DE VOLTA

 O MISTÉRIO QUE AGITOU OS FÃS E PODE MARCAR O RETORNO DA BANDA AOS PALCOS

A história do Aerosmith ganhou um novo capítulo — e, desta vez, ninguém sabe exatamente como ele vai terminar. A banda, que havia anunciado sua aposentadoria das turnês em 2023 depois de décadas na estrada, surpreendeu os fãs nesta segunda-feira, 5 de outubro, ao publicar nas redes sociais um vídeo misterioso gravado diante do Hollywood Bowl, em Los Angeles. No local, uma placa chamou imediatamente a atenção: ela anuncia apresentações identificadas como “Aerosmith & Friends”, marcadas para os dias 29 de outubro e 1º de novembro. Em poucos minutos, a publicação foi suficiente para provocar uma onda de especulações entre fãs, jornalistas e admiradores do rock mundial.

O mistério ganhou ainda mais força com a presença de Steven Tyler, vocalista e principal símbolo do Aerosmith, ao lado do fotógrafo britânico Ross Halfin, conhecido por seu trabalho com alguns dos maiores nomes da história do rock. A imagem, aparentemente simples, passou a ser interpretada como uma possível pista de que algo importante está sendo preparado. A própria banda alimentou a expectativa ao afirmar na publicação que “tudo será revelado amanhã”, indicando que uma confirmação ou anúncio poderia acontecer nesta terça-feira, dia 6. Até lá, o Aerosmith prefere deixar os fãs imaginando o que está por vir.

A possibilidade de um retorno é especialmente significativa porque o Aerosmith encerrou sua trajetória de turnês depois de uma longa história marcada por grandes shows, sucessos internacionais, mudanças de formação, problemas pessoais, acidentes, excessos e, principalmente, uma impressionante capacidade de permanecer relevante durante diferentes gerações do rock. Desde o início dos anos 1970, a banda construiu uma identidade própria, misturando hard rock, blues, atitude, baladas e uma presença de palco que transformou Steven Tyler em uma das figuras mais reconhecíveis da música popular.

Durante décadas, assistir ao Aerosmith ao vivo significou muito mais do que simplesmente acompanhar uma sequência de músicas conhecidas. Era uma experiência construída em torno da personalidade de Tyler, dos riffs de Joe Perry e da química entre os integrantes. A banda atravessou mudanças profundas na indústria fonográfica, passou pela era dos discos de vinil, das fitas cassete, dos CDs, da MTV, da internet e das plataformas digitais, mas continuou encontrando espaço entre diferentes públicos. Poucos grupos conseguiram manter uma carreira tão longa e, ao mesmo tempo, preservar uma identidade tão facilmente reconhecível.

O anúncio de 2023, portanto, parecia representar o encerramento de uma era. A aposentadoria das turnês foi recebida com tristeza pelos fãs justamente porque significava a possibilidade de que o Aerosmith não voltasse mais a subir regularmente aos palcos. Depois de tantos anos viajando pelo mundo, a ideia de uma despedida definitiva parecia natural. Afinal, são décadas de estrada, milhares de apresentações e uma história construída em alguns dos maiores palcos do planeta.

Mas o rock nunca foi exatamente previsível.

A simples publicação de uma placa com o nome “Aerosmith & Friends” foi suficiente para mudar completamente o clima. O termo “Friends” também abre espaço para inúmeras possibilidades. Poderia indicar participações especiais, convidados, uma celebração da história da banda ou até mesmo um formato diferente de apresentação. Também não está claro, pelo anúncio divulgado, se os eventos representam um retorno efetivo às turnês ou apenas apresentações especiais. Essa diferença é fundamental: uma coisa seria o Aerosmith voltar definitivamente à estrada; outra, completamente diferente, seria realizar algumas apresentações pontuais para celebrar sua trajetória.

É justamente essa indefinição que torna o anúncio tão interessante. Em vez de apresentar imediatamente todos os detalhes, a banda escolheu o suspense. O vídeo diante do Hollywood Bowl funciona quase como um trailer de um acontecimento ainda desconhecido. A mensagem “tudo será revelado amanhã” transforma os fãs em espectadores de uma história cujo final ainda não foi apresentado.

UMA HISTÓRIA QUE PARECIA TER CHEGADO AO FIM

Desde sua formação, o Aerosmith passou por períodos de enorme sucesso e também por momentos em que sua própria continuidade parecia ameaçada. A relação entre Steven Tyler e Joe Perry tornou-se uma das mais conhecidas parcerias — e rivalidades — do rock. Juntos, eles ajudaram a construir um repertório que atravessou gerações e colocou o grupo definitivamente entre as maiores bandas de sua época.

Canções como “Dream On”, “Walk This Way”, “Sweet Emotion”, “Crazy”, “Cryin’” e “I Don’t Want to Miss a Thing” transformaram o Aerosmith em uma banda muito maior do que o circuito tradicional do hard rock. O grupo conseguiu alcançar públicos diferentes sem abandonar completamente suas raízes. De um lado, havia o Aerosmith dos riffs pesados e da energia dos anos 1970; de outro, a banda que dominou as rádios e a MTV nas décadas seguintes.

Essa capacidade de se reinventar foi fundamental para a longevidade do grupo. O Aerosmith conseguiu sobreviver a mudanças musicais que derrubaram muitos de seus contemporâneos e retornou diversas vezes ao centro das atenções. A banda tornou-se, ao longo dos anos, uma espécie de instituição do rock norte-americano.

Por isso, qualquer sinal de retorno possui um peso muito maior do que teria para uma banda comum. Não se trata apenas de anunciar dois shows. Trata-se da possibilidade de reabrir uma história que parecia encerrada.

O Hollywood Bowl, escolhido como cenário do vídeo, também reforça o simbolismo. Localizado em Los Angeles, o tradicional anfiteatro é um dos espaços mais conhecidos para grandes apresentações musicais nos Estados Unidos. Colocar ali uma placa anunciando “Aerosmith & Friends” é uma maneira extremamente eficiente de criar expectativa. Para uma banda com a dimensão histórica do Aerosmith, o local funciona quase como parte da própria mensagem.

Agora, resta esperar pela revelação prometida.

Se será uma despedida especial, uma série limitada de apresentações, uma homenagem à trajetória da banda ou o verdadeiro retorno do Aerosmith aos palcos, somente o anúncio oficial poderá responder. O que já está claro, entretanto, é que o nome Aerosmith voltou a ocupar novamente o centro das conversas entre os fãs de rock.

Depois de mais de cinco décadas de história, talvez a banda ainda tenha mais um capítulo para escrever.

E, no rock, às vezes basta uma placa, dois dias marcados no calendário e uma frase misteriosa para fazer milhões de pessoas voltarem a sonhar com o som de uma guitarra.

Aerosmith pode ter se aposentado das turnês. Mas, pelo jeito, ainda não está pronto para sair completamente do palco.

A FOTO QUE RENDEU TIROS: QUANDO A VOLKSWAGEN TENTOU ESCONDER A BRASÍLIA

 A FOTO QUE RENDEU TIROS

O dia em que a caça ao protótipo do Volkswagen Brasília terminou com perseguição, revólveres, câmera destruída e um filme escondido dentro do tênis

Hoje, fotografar um carro antes de seu lançamento parece uma tarefa relativamente simples. Na década de 1970, porém, descobrir um novo automóvel em testes era uma verdadeira operação de investigação.

As montadoras guardavam seus futuros lançamentos como segredos industriais. Os protótipos circulavam camuflados, acompanhados por equipes de segurança, e os fotógrafos especializados em automóveis precisavam literalmente sair à caça das novidades.

Foi nesse cenário que, em 1973, o fotógrafo Cláudio Larangeira e o repórter Nehemias Vassão, da revista Quatro Rodas, partiram em busca de um dos maiores segredos da Volkswagen do Brasil: o futuro Volkswagen Brasília.

O que eles não imaginavam era que aquela reportagem terminaria com tiros.

UMA MISSÃO CONTRA O RELÓGIO

A Quatro Rodas precisava conseguir uma fotografia exclusiva do novo Volkswagen. O carro ainda não havia sido apresentado oficialmente ao público e a montadora fazia de tudo para impedir que imagens do modelo chegassem às bancas antes da hora.

Larangeira era fotógrafo freelancer e já estava acostumado à perseguição dos chamados "segredos automotivos". Depois de procurar o protótipo em diferentes regiões, ele e Vassão receberam uma informação que os levou à Estrada Velha de Santos, no litoral paulista.

Era exatamente onde deveriam estar.

Durante os testes, apareceu uma comitiva da Volkswagen. Entre os veículos estava o futuro Brasília.

O carro, ainda secreto, circulava acompanhado por veículos de apoio e segurança. O momento era perfeito: finalmente, o fotógrafo tinha diante das lentes aquilo que a Volkswagen queria manter longe das câmeras.

Larangeira começou a fotografar.

E foi aí que a história tomou outro rumo.

A PERSEGUIÇÃO

Depois dos primeiros cliques, os jornalistas perceberam que estavam sendo seguidos.

Os veículos da segurança da Volkswagen partiram atrás do Fusca utilizado pela dupla. A perseguição se estendeu por vários quilômetros — relatos publicados posteriormente apontam mais de sete quilômetros.

A situação rapidamente deixou de ser uma disputa entre fotógrafo e segurança.

Os homens da Volkswagen estavam armados.

Segundo os relatos de Larangeira, houve disparos contra o carro dos jornalistas. Um dos tiros atingiu a região da placa dianteira do Fusca.

Finalmente, o veículo foi obrigado a parar.

O fotógrafo estava com a câmera nas mãos e o material que poderia revelar, antes do lançamento, a aparência do novo Volkswagen.

Os seguranças tomaram a câmera e a destruíram.

Mas havia um detalhe que eles desconheciam.

O SEGREDO ESTAVA NO TÊNIS

No meio da confusão, Larangeira percebeu que precisava salvar o filme.

Rapidamente, retirou o filme da câmera e o escondeu dentro do tênis, entre o pé e o calçado.

Para os seguranças, o material havia sido retirado da câmera.

Eles destruíram o equipamento e levaram o filme que estava dentro dela.

Mas o verdadeiro filme — aquele que continha as fotografias do Brasília — continuava escondido nos pés do fotógrafo.

A polícia rodoviária chegou ao local e os envolvidos foram encaminhados para uma delegacia em São Bernardo do Campo.

A situação ganhou repercussão na imprensa. O episódio aconteceu durante o regime militar brasileiro, em uma época em que a presença de profissionais de segurança armados era comum em algumas montadoras.

Depois de toda a confusão, Larangeira conseguiu sair com aquilo que realmente importava:

as fotografias do Brasília.

"A FOTO, APESAR DO TIRO"

A Quatro Rodas não desperdiçou o furo.

As imagens foram publicadas na edição de maio de 1973, com uma chamada que entrou para a história do jornalismo automotivo:

"Brasília: a foto apesar do tiro."

A revista havia conseguido aquilo que parecia impossível: mostrar ao público o novo Volkswagen antes de sua apresentação oficial.

A história foi tão impactante que a própria Quatro Rodas posteriormente relembrou o episódio como um dos grandes momentos de sua trajetória.

E havia ainda uma consequência inesperada.

O escândalo ajudou a transformar aquelas fotografias em um enorme sucesso editorial. A Quatro Rodas comprou as imagens de Larangeira, então freelancer, e pouco tempo depois o fotógrafo seria contratado pela revista.

Para ele, aquela fotografia acabaria se tornando um marco profissional.

A VOLKSWAGEN PEDE DESCULPAS

A repercussão do episódio chegou à direção da Volkswagen.

Com a história ganhando espaço na imprensa, a empresa acabou se desculpando publicamente pelo comportamento de seus seguranças.

O que deveria ter sido apenas uma tentativa de proteger um lançamento acabou produzindo exatamente o efeito contrário.

O Brasil inteiro passou a ouvir falar daquele carro que a Volkswagen tentava esconder.

E quando finalmente chegou às lojas, em junho de 1973, o Brasília já não era um completo desconhecido.

O CARRO QUE NASCEU PARA SER POPULAR

O Volkswagen Brasília havia sido desenvolvido no Brasil com uma missão bastante clara: oferecer um automóvel compacto, mas com espaço interno e uma carroceria moderna para os padrões da época.

O projeto recebeu internamente o código Tipo 102 e foi desenvolvido pelo designer Marcio Piancastelli.

A ideia era aproveitar a robustez da mecânica Volkswagen, baseada na arquitetura do Fusca, mas apresentar um desenho mais moderno e funcional.

O resultado foi um hatch compacto, de linhas retas, grande área envidraçada e bom aproveitamento do espaço interno.

O motor era o conhecido boxer de quatro cilindros, refrigerado a ar, com 1.584 cm³ e aproximadamente 60 cv na configuração inicial.

A apresentação oficial aconteceu em junho de 1973, apenas um mês depois da chegada do Chevrolet Chevette, seu principal concorrente naquele momento.

DO ESCÂNDALO AO SUCESSO

A história dos tiros acabou criando uma publicidade involuntária para o novo Volkswagen.

A intenção da montadora era manter o Brasília longe dos olhos do público.

Mas a perseguição, os disparos e a câmera destruída transformaram o carro em assunto nacional antes mesmo de sua chegada às concessionárias.

A imprensa ganhou uma história extraordinária.

A Quatro Rodas ganhou uma capa histórica.

Cláudio Larangeira ganhou reconhecimento e, posteriormente, um emprego na própria revista.

E a Volkswagen ganhou algo que nenhuma campanha publicitária poderia planejar daquela maneira:

curiosidade.

O público queria conhecer o carro que havia provocado toda aquela confusão.

UM MILHÃO DE HISTÓRIAS

O episódio de 1973 acabou se tornando apenas o primeiro capítulo da história do Brasília.

O modelo permaneceu em produção no Brasil até 1982 e ultrapassou 1 milhão de unidades produzidas considerando o mercado brasileiro e as exportações, tornando-se um dos Volkswagen mais importantes desenvolvidos no país.

Seu desenho simples, a mecânica conhecida e o bom aproveitamento interno ajudaram a transformar o modelo em um dos grandes sucessos da indústria automobilística brasileira dos anos 1970.

Mas existe uma ironia nessa história.

A Volkswagen gastou dinheiro e mobilizou seguranças para impedir que uma fotografia chegasse às bancas.

No fim, conseguiu exatamente o contrário.

A fotografia chegou.

A história virou notícia.

O carro virou assunto.

E o episódio entrou para a memória do jornalismo automotivo brasileiro.

O FILME SOBREVIVEU

Décadas depois, Cláudio Larangeira ainda lembrava daquele dia como um dos momentos mais marcantes de sua carreira.

A câmera foi destruída.

O carro dos jornalistas foi atingido por um tiro.

Os fotógrafos foram parar na delegacia.

Mas o filme sobreviveu.

Estava escondido no lugar mais improvável possível:

dentro do tênis do fotógrafo.

E foi justamente aquele pequeno rolo de filme que revelou ao Brasil, antes da hora, o carro que a Volkswagen queria manter em segredo.

A Brasília ainda nem havia chegado às concessionárias.

Mas já tinha sua primeira grande história.

E ela começou com uma fotografia, terminou com tiros e entrou para a história com uma frase que resumiu perfeitamente aquele episódio: