terça-feira, 6 de outubro de 2026

MESSI DÁ ADEUS À ARGENTINA

 O último tango do camisa 10 termina com vitória, emoção e uma noite inesquecível no Monumental


6 de outubro de 2026 ficará marcado para sempre na história do futebol argentino. No Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires, diante de uma multidão que transformou o estádio em um gigantesco palco de celebração, Lionel Messi vestiu pela última vez a camisa da seleção argentina. Aos 39 anos, o camisa 10 entrou em campo para encerrar oficialmente uma história de mais de duas décadas com a Albiceleste. O adversário era o Benin, mas naquela noite o resultado parecia ser apenas um detalhe diante da dimensão do momento. A Argentina venceu por 3 a 0, e Messi deixou o gramado cercado por aplausos, lágrimas, homenagens e a certeza de que uma das maiores eras da história da seleção chegava ao fim. A partida havia sido anunciada pela Associação do Futebol Argentino como a despedida que o ídolo merecia, e o Monumental respondeu à altura.

Desde antes do apito inicial, a atmosfera já era completamente diferente de uma partida amistosa convencional. O Monumental estava lotado, com mais de 85 mil torcedores, muitos deles usando a camisa 10 e carregando cartazes de agradecimento. Messi entrou no gramado acompanhado pelos filhos e se emocionou durante o hino argentino. Lionel Scaloni também não conseguiu esconder a emoção. No campo, uma enorme camisa com o número 10 e a palavra “Gracias” ajudava a transformar o estádio em um memorial vivo para uma trajetória que começou ainda na juventude e atravessou gerações. O momento mais simbólico aconteceu aos dez minutos, quando a partida foi interrompida para que o público pudesse prestar uma longa homenagem ao jogador. O estádio inteiro se levantou, e o nome de Messi ecoou por Núñez.

Era difícil não pensar em tudo o que aconteceu desde a estreia de Messi pela seleção principal. Foram anos de pressão, críticas, derrotas dolorosas e, finalmente, uma sequência de conquistas que transformou definitivamente sua relação com o torcedor argentino. A Copa América de 2021 representou o primeiro grande título com a seleção principal. Depois vieram a Finalíssima e, principalmente, a Copa do Mundo de 2022, no Catar, competição em que Messi finalmente levantou o troféu mais desejado de sua carreira. Em 2024, a Argentina voltou a conquistar a Copa América. O camisa 10 passou de jogador contestado em determinados momentos para capitão absoluto de uma geração vencedora.

E o último capítulo não poderia ser apenas uma cerimônia. Messi queria jogar. Queria estar em campo. Queria tocar na bola, participar das jogadas e sentir novamente a camisa que vestiu durante 21 anos. E foi exatamente isso que aconteceu. A Argentina começou a construir a vitória no segundo tempo, com Nicolás Otamendi abrindo o placar após assistência de Messi. Depois, Nico Paz ampliou a vantagem, novamente com participação decisiva do camisa 10. Aos 70 minutos, veio o momento que parecia escrito para aquela noite: Messi marcou de pênalti e fez o terceiro gol argentino, o último de sua carreira pela seleção.

O placar de Argentina 3 x 0 Benin fechou a noite com uma vitória que combinou perfeitamente com a dimensão da despedida. Messi não saiu de cena apenas como um homenageado. Saiu como protagonista dentro de campo. O gol de pênalti foi seu último grito pela Argentina, enquanto as duas assistências reforçaram uma característica que marcou a fase final de sua carreira internacional: a capacidade de controlar o jogo, criar oportunidades e transformar cada toque na bola em possibilidade de gol.

A despedida também teve seus símbolos. Messi recebeu homenagens especiais antes e durante o jogo, incluindo uma lembrança entregue pelo capitão do Benin. Ao final, a bola da partida e os elementos simbólicos relacionados ao último jogo passaram a representar objetos de uma noite que dificilmente será repetida. O camisa 10 deixava o gramado levando consigo muito mais do que lembranças de uma partida: carregava 21 anos de histórias, conquistas, derrotas, amizades e uma relação única com a torcida argentina.

Messi encerra sua trajetória pela seleção como o maior artilheiro e o jogador com mais partidas da história argentina. Ao longo desse caminho, foram 208 aparições pela seleção e 126 gols, números que colocam seu nome definitivamente entre os maiores da história do futebol mundial. Mas estatísticas, por maiores que sejam, não conseguem explicar completamente a dimensão de sua passagem pela Albiceleste. Messi não foi apenas o jogador que marcou gols. Foi o homem que carregou durante anos o peso de representar uma seleção que comparava cada novo craque a Diego Maradona. Foi o jogador que precisou conviver com críticas, derrotas em finais e questionamentos até transformar sua história em uma das maiores narrativas esportivas do século.

Durante muito tempo, a relação entre Messi e a seleção argentina foi marcada por uma espécie de cobrança permanente. O talento que encantava Barcelona e o mundo precisava, na visão de muitos torcedores, produzir o mesmo impacto com a camisa azul e branca. As derrotas nas finais da Copa América de 2015 e 2016 aumentaram a pressão. Messi chegou a anunciar uma breve aposentadoria da seleção em 2016, mas voltou. E voltou para construir a parte mais gloriosa de sua história internacional.

A partir de 2021, tudo mudou. A conquista da Copa América no Brasil abriu uma nova fase. Messi passou a jogar com outro peso, outra confiança e outro ambiente ao seu redor. A Argentina encontrou estabilidade sob Lionel Scaloni, e o camisa 10 encontrou finalmente os títulos que durante tanto tempo pareceram escapar. A Finalíssima de 2022, a Copa do Mundo do Catar e a Copa América de 2024 formaram uma sequência extraordinária. O jogador que durante anos foi cobrado por não conquistar títulos com a seleção passou a ser lembrado justamente por liderar uma geração que devolveu à Argentina o protagonismo mundial.

Por isso, a despedida contra o Benin teve um significado tão grande. Não era simplesmente o último jogo de um jogador. Era o encerramento de uma era. A camisa 10, que durante tantos anos esteve associada exclusivamente à figura de Messi, agora entra em um novo capítulo. Outros jogadores poderão vestir o número, mas será impossível separar a camisa da imagem do argentino durante muito tempo.

Quando o árbitro encerrou a partida, começou o momento que ninguém queria que chegasse. Messi cumprimentou companheiros, abraçou jogadores e recebeu o carinho de uma torcida que aprendeu a transformar seu nome em símbolo nacional. O Monumental cantou, aplaudiu e agradeceu. Depois de 21 anos, o camisa 10 dava adeus à seleção argentina.

Não foi uma despedida silenciosa. Foi uma celebração.

Messi saiu de campo como entrou na história: com a bola nos pés, a camisa 10 nas costas e milhões de pessoas olhando para ele.

O futebol argentino continuará existindo. Novos jogadores aparecerão. Novas gerações disputarão Copas do Mundo. Novos ídolos serão criados. Mas a era Messi terminou de uma maneira que parecia impossível imaginar anos atrás: com uma seleção campeã, uma torcida apaixonada, uma vitória por 3 a 0 e o seu maior ídolo sendo homenageado em casa.

Lionel Messi disse adeus à Argentina.

Depois de 21 anos, o último tango terminou.

E, no Monumental de Núñez, ninguém queria que a música acabasse.

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