sábado, 23 de maio de 2026

O FIM DE UMA ERA: PANINI DEIXARÁ O ÁLBUM DA COPA APÓS 60 ANOS

 Por décadas, a Copa do Mundo começava muito antes do apito inicial. Ela começava no cheiro do pacote recém-aberto, na ansiedade de encontrar uma figurinha rara e nas trocas feitas em escolas, praças e bancas de jornal.

Para milhões de pessoas ao redor do planeta, completar o álbum da Copa era quase um ritual sagrado.

E esse ritual sempre teve um nome: Panini.

Mas essa tradição histórica está prestes a mudar.

A FIFA confirmou que a Panini deixará de produzir os álbuns oficiais da Copa do Mundo após o torneio de 2030, encerrando uma parceria iniciada em 1970. Quem assumirá os direitos será a gigante americana Fanatics, dona da tradicional marca Topps. 

A notícia foi recebida por muitos fãs como o fim de uma era.

UMA TRADIÇÃO QUE ATRAVESSOU GERAÇÕES

A relação entre Panini e Copa do Mundo começou no Mundial de 1970, no México — justamente a Copa do tricampeonato brasileiro de Pelé.

Desde então, os álbuns viraram parte inseparável da experiência do torneio.

As figurinhas atravessaram gerações, culturas e idiomas. Em muitos países, colecionar o álbum virou tradição familiar: pais ensinando filhos a organizar cromos, negociar repetidas e buscar a figurinha “impossível”.

No Brasil, o fenômeno ganhou proporções gigantescas. A cada Copa, bancas lotadas, grupos de troca e até eventos públicos transformavam o álbum em um acontecimento social.

Mais do que um produto, a Panini criou uma memória afetiva coletiva.

E talvez seja justamente isso que torna a mudança tão simbólica.

QUEM É A EMPRESA QUE VAI ASSUMIR?

A substituta da Panini não é uma desconhecida.

A Fanatics se transformou nos últimos anos em um verdadeiro império dos colecionáveis esportivos. Fundada nos Estados Unidos, a empresa construiu fortuna dominando o mercado de merchandising, memorabilia e cards esportivos.

Em 2022, a companhia comprou a Topps, marca lendária dos cards de beisebol, basquete e futebol americano.

Agora, a Fanatics dá um passo ainda maior ao assumir os colecionáveis oficiais da FIFA a partir de 2031. O acordo inclui figurinhas, cards físicos, itens digitais e até jogos colecionáveis relacionados às competições da entidade. 

A estratégia da empresa é clara: transformar o mercado de figurinhas em uma experiência muito mais próxima do universo moderno dos cards raros e itens premium de coleção.

A NOVA ERA DOS COLECIONÁVEIS

Diferentemente da Panini, cuja identidade sempre esteve ligada ao álbum tradicional de figurinhas, a Fanatics aposta pesado em tecnologia, escassez digital e produtos de alto valor para colecionadores.

A empresa já domina boa parte do mercado esportivo americano, com contratos ligados à NFL, NBA, MLB e outras grandes ligas. Agora, vê o futebol como sua maior oportunidade global de crescimento. 

Entre os projetos mencionados estão cards especiais com pedaços reais de uniformes usados por jogadores, edições limitadas e integração com plataformas digitais de coleção. 

Na prática, isso pode transformar profundamente a forma como os fãs interagem com os produtos da Copa.

O tradicional “colar figurinha no álbum” talvez passe a dividir espaço com experiências digitais e colecionáveis de luxo.

NOSTALGIA, RESISTÊNCIA E MEDO DOS FÃS

A reação do público foi imediata.

Nas redes sociais e fóruns de colecionadores, muitos torcedores trataram o anúncio como uma perda cultural. Em comunidades online, fãs lamentaram que “uma Copa sem Panini não parece Copa”. 

Parte da preocupação vem da reputação controversa da Fanatics entre consumidores americanos. Apesar do enorme sucesso financeiro, a empresa também acumula críticas relacionadas à qualidade de produtos e ao domínio crescente do mercado de colecionáveis esportivos. 

Ao mesmo tempo, existe curiosidade sobre o que a nova fase poderá trazer.

A Fanatics promete inovação, distribuição global e novas formas de interação entre fãs e futebol. O acordo prevê inclusive centenas de milhões de dólares em colecionáveis distribuídos ao longo da parceria. 

Ainda assim, para muitos torcedores, nada substitui a experiência clássica da infância: abrir um pacote de figurinhas e encontrar, finalmente, aquela peça que faltava.

O ÚLTIMO ÁLBUM “RAIZ”

Antes da despedida definitiva, a Panini ainda produzirá os álbuns das Copas de 2026 e 2030. 

Isso significa que o Mundial de 2030 será o último capítulo oficial de uma parceria que atravessou seis décadas da história do futebol.

O último álbum Panini da Copa provavelmente será tratado como item histórico desde o lançamento.

Porque, no fim, os álbuns nunca foram apenas sobre futebol.

Eles eram sobre infância. Sobre troca. Sobre obsessão. Sobre memória.

E talvez seja exatamente por isso que o fim da era Panini esteja mexendo tanto com os torcedores do mundo inteiro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário