sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Jovens Bruxas (The Craft, 1996): o feitiço adolescente que virou clássico cult

 Lançado em 1996, Jovens Bruxas (The Craft) é um daqueles filmes que marcaram uma geração e continuam reverberando décadas depois. Misturando terror psicológico, drama adolescente e elementos de ocultismo, o longa dirigido por Andrew Fleming capturou com precisão as angústias da juventude dos anos 1990 — solidão, bullying, desejo de pertencimento e a busca por identidade — embaladas por uma estética sombria que se tornaria referência cultural.

Um quarteto improvável e o poder da união

A trama acompanha Sarah Bailey (Robin Tunney), uma adolescente recém-chegada a Los Angeles que tenta se adaptar à nova escola enquanto lida com um passado traumático. Sua vida muda ao conhecer Nancy, Bonnie e Rochelle — interpretadas por Fairuza Balk, Neve Campbell e Rachel True — três jovens marginalizadas que praticam bruxaria e acreditam ser descendentes de antigas feiticeiras.
Juntas, elas formam um “coven”, um círculo mágico que ganha força à medida que as quatro invocam Manon, uma entidade espiritual associada ao poder absoluto. O que começa como um ritual de amizade e empoderamento rapidamente se transforma em algo perigoso. Cada desejo realizado cobra um preço, e o poder, antes libertador, passa a revelar lados sombrios da personalidade de cada uma.

Terror adolescente com mensagem social

Mais do que um filme de terror, Jovens Bruxas funciona como um retrato simbólico da adolescência. O bullying sofrido por Rochelle, o estigma físico que afeta Bonnie, a pobreza e instabilidade emocional de Nancy e a insegurança de Sarah são amplificados pela magia, que atua como metáfora para o desejo de controle sobre um mundo hostil.

O roteiro acerta ao mostrar que o problema não é o poder em si, mas o uso que se faz dele. Nancy, em especial, representa a face mais trágica da história: alguém que, após anos de abuso e negligência, confunde força com dominação. A atuação intensa de Fairuza Balk tornou a personagem icônica, sendo lembrada até hoje como uma das vilãs mais marcantes do cinema adolescente.

Estética, trilha sonora e clima dos anos 90

Visualmente, Jovens Bruxas é um produto típico — e ao mesmo tempo ousado — dos anos 1990. Figurinos escuros, maquiagem carregada, crucifixos invertidos e cenários urbanos decadentes ajudaram a criar uma identidade visual que influenciou moda, videoclipes e até séries posteriores.

A trilha sonora é outro destaque, reunindo bandas alternativas e góticas que dialogavam diretamente com o público jovem da época. O clima sombrio, aliado à fotografia carregada e aos efeitos práticos, contribui para a atmosfera de mistério e tensão que sustenta o filme do início ao fim.

Recepção e legado cult

Na época do lançamento, Jovens Bruxas dividiu a crítica. Enquanto alguns apontavam exageros no roteiro, outros elogiavam a abordagem ousada de temas como feminilidade, poder e exclusão social. Com o tempo, o filme ganhou status de clássico cult, sendo redescoberto por novas gerações e frequentemente citado em listas de filmes que marcaram os anos 90.

O longa também se tornou um símbolo de empoderamento feminino, especialmente por colocar quatro protagonistas mulheres no centro da narrativa, sem depender de personagens masculinos para validar suas histórias. Mesmo com suas falhas, Jovens Bruxas abriu espaço para debates sobre amizade tóxica, limites do poder e consequências das escolhas.

Um feitiço que atravessa gerações

Quase três décadas após sua estreia, Jovens Bruxas continua atual. Seu sucesso não se deve apenas ao fator nostalgia, mas à capacidade de dialogar com temas universais da juventude. Em 2020, o filme ganhou uma continuação/releitura (Jovens Bruxas: Nova Irmandade), reforçando a força de sua mitologia, embora o original de 1996 siga sendo o mais lembrado e celebrado.

No fim, Jovens Bruxas permanece como um alerta e uma celebração: o poder pode libertar, mas sem equilíbrio e responsabilidade, também pode destruir. Um feitiço cinematográfico que, definitivamente, ainda não perdeu sua magia.

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